2 de novembro de 1917: Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado realiza sua primeira reunião

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Em 2 de novembro de 1917 (20 de Outubro no calendário Juliano que vigorava na Rússia de então) iniciava-se formalmente os trabalhos do Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado (CMR). O CMR, sob a direção efetiva do revolucionário, presidente do Soviete de Petrogrado e membro do Comitê Central dos Bolcheviques, Leon Trótski, desempenhou o papel preponderante na organização e na tomada efetiva do poder, dias depois, pela classe operária Russa, destruindo o Regime de Fevereiro e edificando assim o primeiro Estado Operário vitorioso da história.

O CMR constitui-se como um verdadeiro Estado Maior da Revolução o Contra-Estado Maior por oposição ao governo instituído em Fevereiro, o anúncio de sua criação trouxe as boas novas da Revolução para a classe operária da capital, assim como para o povo russo, ao mesmo tempo o anúncio da ruína da burguesia, da aristocracia e dos conciliadores.

Diante do crescimento da influência e da autoridade dos Bolcheviques junto às guarnições de Petrogrado, o governo provisório, sob a direção de Kerenski, procurou realizar uma manobra: o governo anunciou a substituição das guarnições militares revolucionárias da Capital, uma troca “necessária” por guarnições que estavam combatendo no front da primeira Guerra Mundial, uma espécie espécie revezamento. Evidentemente, que a iniciativa visava combater o crescimento da posição revolucionária nas tropas que estavam na Capital, e não possibilitar o descanso de tropas há muito no front.

A manobra gerou apreensão na população devido à recente tentativa de golpe militar frustrada e a repressão a esquerda que a troca poderia representar. A decisão do governo, que procurava se apoiar em falsa requisição de generais no front, criou um embate com o Soviete Petrogrado e com as guarnições que não desejavam deixar a cidade.

Nos debates no interior do Soviete, os mencheviques conciliadores, a 9 de outubro, levantaram a proposta da criação de um Comitê de Defesa para analisar as condições de defesa da Capital, as reais necessidades da troca e as condições para a realização. Os bolcheviques prontamente defenderam a propostas, transformando-a, no entanto, não em uma tentativa de conciliação com o governo, mas em um Comitê Militar para a defesa da Revolução, subordinado inteiramente ao Soviete. O presidium do Soviete aprova a proposta dias depois, os estatutos ficam por conta do socialista revolucionário de esquerda Lasimir, que é designado para o birô político, para acentuar o caráter não partidário órgão, porém a direção cabia aos bolcheviques em especial Trotski. É o início do desfazimento da dualidade de poderes para efetivação do poder soviético.

Começam as negociações, conferências das Guarnições, da Guarda Vermelha dos Marinheiros de Kronstadt , dos operários, e de todos os sindicatos são convocadas; o clima de insurreição paira no ar. A maioria das Guarnições de Petrogrado aprovam a subordinação ao CMR, assim como os operários, que passam a ser armados pelo Soviete, a Guarda Vermelha e, com condições, os Marinheiros. O governo é incapaz de contra atacar. A política defendida por Lênin, mesmo a distância, pois era perseguido pelo governo, e ratificada na seção do Comitê Central Bolchevique a 10 de Outubro, de preparar a insurreição, mostrou-se correta pelo apoio das organizações armadas que vieram a subordinar-se ao CMR. Este organizou os comandos militares, armas e suprimentos, o governo estava praticamente anulado.

No entanto, a despeito dos rumores amedrontados que pairam na burguesia e na esquerda pequeno-burguesa sobre a insurreição, o comitê não a afirmar publicamente este intento. Os rumores crescem, os jornais da esquerda conciliadora e da burguesia pressionam para que o Comitê e o Soviete desmintam os rumores de que preparam uma insurreição. Trotski dá uma entrevista a imprensa na qual afirma: “A imprensa está repleta de informações, de boatos, de artigos a respeito do próximo levante” … Declaro, em nome do Soviete: não foi por nós fixada manifestação armas a de qualquer espécie… Dizem que eu assinei a ordem de entregar 5.000 fuzis… sim eu assinei… o Soviete de Petrogrado continuará a organizar e armar a guarda operária”. Relativamente tranquilizadora para o governo e os conciliadores que temiam a insurreição, a mensagem contudo prepara os operários para a batalha vindoura: “A burguesia sabe que o Soviete de Petrogrado proporá ao Congresso dos Sovietes que tome o poder em mãos”.

O governo procura intervir nos dias subsequentes a todas as ameaças e rumores. O congresso dos Sovietes que havia sido adiado para o dia 25 de Outubro, no antigo calendário, inicia aos som de tiros de canhão do cruzador Aurora e em meio à tomada do poder organizada meticulosamente pelo CMR