Show de demagogia
Nem um único candidato de esquerda colocou a necessidade de uma mobilização pelo Fora Bolsonaro
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debate
Debate eleitoral em São Paulo | Foto: Kelly Fuzaro/Band

Na noite da última quinta-feira (1º), aconteceu o primeiro debate entre candidatos a prefeito da cidade de São Paulo. O evento foi organizado pela TV Bandeirantes e contou com a participação de onze postulantes: Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriota), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Filipe Sabará (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB). Aqueles que tiveram a disposição de assistir ao debate, que se alongou até meia-noite e meia, puderam confirmar prognóstico deste diário: as eleições serão utilizadas para referendar a política genocida do governo Bolsonaro.

De todos os candidatos presentes, ao menos sete são abertamente bolsonaristas. A candidatura da Rede não apresenta grandes diferenças das candidaturas do chamado “centrão”. Por fim, PSOL, PT e PCdoB, os únicos partidos de esquerda no debate, se abstiveram completamente de uma discussão política sobre o País. Merece destaque também que as eleições em São Paulo contam com 14 candidatos, apenas três a mais que a quantidade que foi convidada para o debate. Obviamente, o critério para barrar os três candidatos que não participaram do debate é puramente político: seria perfeitamente, tanto do ponto de vista do espaço, quanto do ponto de vista do tempo, a participação de todos os candidatos. A exclusão dos demais candidatos se deu apenas para que a burguesia conseguisse controlar o debate de maneira tranquila.

Em um mesmo debate, fascistas como Joice Hasselmann saíram em defesa de internamento à força e de repressão aos moradores de rua. Bruno Covas se apresentou como o continuador da política direitista de João Doria. No entanto, neste cenário, a esquerda não procurou denunciar a ofensiva da direita golpista. Não se preocupou em denunciar que o regime político está se fechando, nem em apresentar para os trabalhadores uma perspectiva de luta perante o governo Bolsonaro. Todos, da direita à esquerda, entraram simplesmente em uma disputa pela administração municipal. E é justamente por isso que o PCO foi excluído do debate: um partido que denunciasse a podridão do regime e convocasse os trabalhadores pelo Fora Bolsonaro não pode participar do jogo de cartas marcadas da burguesia.

Um bom exemplo disso é o caso de Guilherme Boulos, candidato pelo PSOL. Logo no início, Boulos criticou a situação da pandemia na cidade: “São Paulo, além de ser a segunda cidade do mundo onde mais morreu gente de coronavírus, é a capital mundial do desemprego”. De fato, o número de mortes é escandaloso. Mas Boulos não apresentou uma única proposta para reverter esse quadro. Chegou até a apresentar propostas genéricas sobre a questão do desemprego, mas não propôs absolutamente nada em relação a esse que é um dos maiores dramas que os trabalhadores já enfrentaram em sua história. Defender um plano efetivo de combate ao coronavírus equivaleria, necessariamente, a romper com a política do PSDB em São Paulo, coisa que Boulos tem se mostrado indisposto a fazer.

A falta de uma posição minimamente crítica em relação às eleições e a ausência de uma política direcionada aos trabalhadores também foi marcante no caso das candidaturas do PCdoB e do PT. O Fora Bolsonaro foi completamente abolido do debate e ambos os candidatos procuraram apenas se apresentar como administradores do Estado burguês falido. Isto é, administradores das dívidas do Estado com os capitalistas que estão acabando com as condições de vida da população.

A regra de não se indispor com a burguesia é uma velha tática da esquerda. E que nunca deu certo. O único objetivo dessa política, que recebe o nome de “frente ampla”, é procurar garantir que meia dúzia de setores carreiristas e bolsonaristas consigam algum cargo no regime político. Fazer isso nesse momento de profunda crise é o mesmo que jogar areia nos olhos da população.

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