1º de maio: todos a Curitiba! Não adianta esperar que o STF aplique a lei e solte Lula

Lula nos braços do povo

Primeiro foi o mensalão, quando lideranças do PT como José Dirceu foram presas sem outro argumento além de que “a literatura jurídica assim o permitia”. Foram dados os anéis para preservar os dedos, respeitando-se a decisão judicial. Depois, foi o impeachment de Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade, outra fraude que o STF – cuja função precípua seria zelar pela constituição – não impediu, e dela até participou, tendo “lavado as mãos” como Pôncio Pilatos. Acuado pelo Congresso e pelo Senado, PT não encontrou outro meio senão o de se resignar ao golpe impetrado contra a primeira presidenta da república, eleita com  54 milhões de votos. Enfim, ao permitir que Lula se entregasse para a polícia em São Bernardo, havia a esperança que a justiça em pouco tempo tornaria a recolocá-lo em liberdade, pronto para disputar as eleições, dada a fragilidade das provas contra ele no caso do tríplex, a possibilidade do habeas corpus etc. Novo engodo. Lula se encontra hoje preso e quase incomunicável, e até ao prêmio Nobel da paz, Adolfo Sanchez Esquivel, foi negado o acesso ao ex-presidente e maior candidato popular das próximas eleições.

Entretanto, mesmo contra todos esses reveses, muitos acreditam ainda que um dia a justiça virá à tona, e os advogados de Lula conseguirão tirá-lo da cadeia por meio de recursos estritamente jurídicos.

É a velha história da cenoura amarrada na testa do burro, que quanto mais caminha em sua direção, mais dela se afasta. O resultado é que o burro fica cada vez mais cansado e faminto. Como se entrevê, a ideia de que Lula será liberto através de manobras jurídicas é como a cenoura um pouco adiante da militância petista. Aguarda-se mais um pouco, evita-se a enfrentamento com as forças que impulsionam o golpe como se as instituições estivessem funcionando normalmente, como se não experimentássemos hoje um verdadeiro estado de exceção. Sonha-se com eleições, que restituirão por si só, de forma tranquila e sem abalos à democracia, o governo à classe trabalhadora.

Está mais do que na hora de despertar desse sonho. A essa altura do campeonato, as evidências mostram por si que Lula não vai sair da prisão tão cedo, enquanto não houver uma força concreta, intimidante, que ameace diretamente o desdobramento do golpe. E a principal força que a população pode exibir é sobretudo a de seu número. Nesse sentido, faz-se necessário ampliar ao máximo o apoio quantitativo a Lula neste primeiro de maio, dirigindo-se a Curitiba, na praça Santos Andrade, para exigir em grande coro a sua libertação.