1º de Maio em Curitiba, pela liberdade de Lula

Está chegando mais um 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de greve geral dos trabalhadores do mundo inteiro. No Brasil, a data será celebrada mais uma vez sob um golpe da direita, que tomou o governo de maneira fraudulenta há dois anos, em abril de 2016. Dessa vez, o dia dos trabalhadores provavelmente acontecerá com o único presidente de origem operária da história do País, Luiz Inácio Lula da Silva, na cadeia.

Se Lula ainda estiver preso no dia 1º, será o 25º dia de sua prisão política sob a ditadura da direita. Para prender Lula, os donos do golpe suspenderam a presunção de inocência, um princípio básico de qualquer democracia, e rasgaram a Constituição de 1988, que regia o regime anterior ao golpe e afirmava que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” (Art. 5º, Inciso LVII).

Não é a primeira vez que Lula é preso por uma ditadura da direita. Em 1980, também em abril, Lula foi preso no dia 19 por liderar uma greve, quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Lula foi processado e condenado com base na Lei de Segurança Nacional e ficou 31 dias na cadeia, sendo absolvido pelo Superior Tribunal Militar devido à conjuntura política desfavorável para a direita naquele momento. Também aquele 1º de maio, em 1980, aconteceria com Lula preso, e a história daquela luta, que derrubaria o regime militar, é um belo exemplo de luta da classe operária.

Dessa vez, Lula está isolado do mundo e incomunicável em uma cela solitária em Curitiba, vítima de um processo arbitrário em que foi condenado sem provas e preso antes que seus recursos terminassem, ou seja, antes que seu julgamento tenha de fato chegado ao fim. Pelas palavras formuladas na Constituição, Lula é um inocente preso. A Bastilha de Curitiba fica na Superintendência da Polícia Federal na cidade. Há um protesto permanente próximo ao local, por onde já passaram milhares de pessoas para se manifestar contra a prisão política de Lula.

Lula é preso político neste momento por muitas razões. Duas delas são particularmente importantes. Em primeiro lugar, o ex-presidente é muito popular e atrapalha os planos da direita nas eleições. De fato, Lula é o único político verdadeiramente popular nas eleições, fato comprovado pelas pesquisas eleitorais mesmo depois de seu confinamento ilegal. Em segundo lugar, a prisão de Lula cumpre um objetivo mais profundo e geral da direita golpista e do imperialismo.

É um ataque que atinge a esquerda de conjunto, uma etapa decisiva da perseguição da direita contra todo tipo de organização operária: partidos de esquerda, sindicatos e movimentos populares. Um passo fundamental para a direita impor seu programa contra a vontade de todo o mundo. Quanto mais longe a direita for com seu programa, mais resistência popular vai encontrar. Por isso o plano da direita é esmagar toda a oposição.

Diante disso, é preciso se mobilizar contra o golpe e contra a prisão política e ilegal de Luiz Inácio Lula da Silva. Neste momento, a tarefa é encher Curitiba e transformar a cidade em uma panela de pressão, pela liberdade de Lula. Ampliar a campanha pela libertação do ex-presidente, e ampliar os Comitês de Luta contra o Golpe. Na segunda-feira (23), o ministro Edson Fachin liberou um recurso da defesa de Lula para ser julgado pela Segunda Turma do STF. Com isso, muita gente ficou esperançada e otimista.

Infelizmente o otimismo não solta prisioneiro político da cadeia. O único efeito prático do voluntarismo, da substituição de uma análise fria da situação pela torcida, é a desmobilização. Resultado conveniente para a direita vende-pátria. O momento exige mobilização. Dia 1º de maio é dia de tomar Curitiba, demonstrar a força do movimento e dar um passo adiante. Pela liberdade de Lula!