1964: “Nem golpe, nem revolução”, a história segundo Toffoli

general fernando azevedo e silva

Nesta segunda-feira veio a público a notícia de que o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, decidiu chamar o golpe de 64 de “movimento de 1964”.

A declaração foi dada em um seminário sobre a Constituição de 1988 na Faculdade de Direito do Largo S. Francisco.

No mesmo ato, Toffoli revelou que o pretexto para sua revisão da história é colocar-se acima das “disputas do passado”. Equilibrando-se em um muro que já foi derrubado pelas inúmeras denúncias e a comprovação de milhares de presos, torturados e assassinados, ele fez referência a uma pseudo-discussão teórica.

“Tanto a esquerda quanto a direita conservadora (…) tiveram a conveniência de não assumir seus erros que antecederam 1964, passando a atribuir os problemas aos militares”, teria dito fazendo referência ao historiador Daniel Aarão Reis, segundo relato da Folha de S. Paulo. Os erros do passado são evocados para encobrir as ações deliberadas do presente.

Para ele, o que ocorreu em abril de 1964 não foi “nem golpe, nem revolução”. Seguindo o raciocínio, já que “ditabranda” nunca existiu a não ser nas páginas da Folha de S. Paulo, faltou pouco para o presidente do STF dizer que nem mesmo ditadura houve. E é realmente o que ele quer dizer. Apesar do título pomposo de “guardião da Constituição”, Toffoli pediu licença para reescrever a história de acordo com os interesses do que passaram por cima da Constituição para derrubar Dilma, prender Lula e liquidar os direitos de milhões de brasileiros e estão conspirando contra o povo por um novo golpe e uma nova ditadura.

Fechando os olhos para as barbaridades cometidas na ditadura militar, Toffoli tornou-se apenas uma cobertura civil para os militares dos dias de hoje. Fernando Azevedo e Silva, um general de quatro estrelas reformado, sem nenhuma experiência jurídica, é seu assessor no STF. Brilha no currículo do militar a participação na elaboração do programa de governo de Jair Bolsonaro. Será ele, ou outros detrás dele, que está soprando a nova história nos ouvidos de Toffoli? Que diferença faz um ministro bem assessorado!