Dia de Hoje na História
Através de sua posição contrária à conciliação, Malcolm era a expressão de uma tendência radical no movimento negro
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malcolm x
Foto: Reprodução |

Há exatos 95 anos, nascia Al Hajj Malik Al-Shabazz – mais conhecido como Malcolm X, uma das mais importantes lideranças da luta do povo negro, que se destacou, principalmente, por sua posição contrária à conciliação.

Natural de Omaha, no estado de Nebraska, a infância do pequeno Malcolm seria marcada pelo violento assassinato de seu pai, quando só tinha seis anos. Earl Little, pai do pequeno Malcolm fora espancado e atirado aos trilhos de uma linha de trem. A situação da família ficaria ainda mais difícil, logo que a jovem Louise Little, de 34 anos, mãe de Malcolm e seus outros 7 irmãos, fora obrigada a sustentá-los. As condições tornaram-se cada vez mais insustentáveis, uma vez que a origem negra de Louise comprometera sua permanência nos empregos. Apesar da tentativa de convencer Louise a entregar seus filhos à adoção, por parte dos assistentes sociais do governo, a brava mãe se opunha com veemência. A pressão foi tão grande que a mãe de Malcolm acabou sendo internada em um hospital para deficientes mentais após um colapso nervoso.

Na escola, Malcolm destacava-se com notas altas, onde já objetivava ser advogado. Ao contar seu desejo a um professor, recebeu a resposta de que seria no máximo a carpinteiro. Esse fato, portanto, provocaria um giro de 180 graus no comportamento de Malcolm, passando de “aluno nota dez” para “garoto problema”. Essa transformação foi levada adiante, passando a beber, fumar e outros costumes, por influência de boêmios de Boston, e Shorty, seu amigo. Malcolm ficaria conhecido pela cor vermelha de seus cabelos, fruto do produto que usava para esticá-los. O caminho a seguir seria longo e denso, trabalhando em diversos ramos, como engraxate, por exemplo; assim como ferroviário, o que lhe possibilitaria conhecer o Harlem, bairro de Nova Iorque, o qual se tornaria residente. Depois de um período na “vida do crime”, Malcolm acabaria passando onze anos na prisão.

Sua postura antireligiosa e rebeldia incontornável o tornariam conhecido como Satã. Após um tempo, porém, por influência de seu irmão, Malcolm passaria a conhecer Elijah Muhammad, líder da Nação do Islã, e trataria de se converter ao islamismo. Sua tragetória, outrora obstada por homens brancos, logo serviria de fermento para que o ódio inflasse em Malcolm. Enquanto preso, tornara-se um leitor irrefreado, chegando a afirmar que “a prisão depois da universidade é o melhor lugar para uma pessoa ir, se ela estiver motivada, pode mudar sua vida”; “as pessoas não compreendem como toda a vida de um homem pode ser mudada por um único livro”.

Malcolm, no que lhe concerne, buscou atrair jovens para sua causa. Sua missão, com efeito, foi muito bem-sucedida, uma vez que conhecera a “linguagem dos guetos”. O recrutamento passava de bares, salões de bilhar às esquinas dos guetos. O empenho de Malcolm o levaria a receber o “X” da Nação do Islã, sendo o “X” o verdadeiro nome de família africana que Deus o revelaria. A partir daí, Malcolm adotaria o X, ao invés de “Little”, o pequeno – uma herança da escravidão. Com a ajuda de sua meia-irmã, Malcolm trataria de ir à Meca para conhecer melhor o islã, onde reconhecera que Elijah Muhammad havia deturpado o islã nos Estados Unidos. Após essa constatação, Malcolm, quando indagado se ainda acreditava que os brancos serão demônios, respondera: “Os brancos são seres humanos na medida em que isto for confirmado em suas atitudes em relação aos negros”. Esse fato o levou a funda a Organização da Unidade Afro-Americana, um grupo não religioso e não sectário, cuja finalidade era unir os afro-americanos. Malcolm tornar-se-ia um proeminente dirigente do movimento do negro das décadas de 50 e 60 do século XX. Através de sua posição contrária à conciliação, Malcolm era a expressão de uma tendência radical no movimento negro, cujos pontos fundamentais eram: o islamismo, a violência como método para autodefesa, e o socialismo.

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