18 estupros por dia

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Viva/Sinan), do Ministério da Saúde, fazem uma projeção no mínimo preocupante. No ano de 2015 foram registrados 162.575 casos de violência contra a mulher. Desse total, 17.871 (11%) são estupros, dos quais 6.706 (37%) em meninas de 0 a 12 anos. É como se 558 crianças fossem estupradas todo mês, 18 por dia.

Coincidência ou não, na tarde do dia 08/11/2017 foi aprovada por 18 deputados a PEC 181/2011, que insere na Constituição a proibição do aborto em todos os casos, inclusive os já previstos hoje pela legislação brasileira, como nos casos de estupro ou de risco de morte para a mãe.

Fato é que a situação das mulheres só piora depois do golpe. A lista de ataques às mulheres é quilométrica. Vai de acabar com a licença maternidade à perseguir a mulher que aborta. O golpe não foi apenas a retirada da Dilma, foi uma ofensiva gigantesca da direita em todas as instituições. Ele representa a perseguição à esquerda, o aumento dos assassinatos na periferia e no campo, o fim dos direitos democráticos, um ataque à cultura popular e um ataque aos direitos das mulheres, dos negros e dos LGBTs.

Para todos esses setores é necessário entender que todos os oprimidos no Brasil o são pelo Estado capitalista, porque a opressão política é dada pelo Estado, que dá condições para o opressor existir.

Dessa forma, a luta é uma luta contra o Estado, isso significa que entre a classe operária, as mulheres, os negros, todos os setores oprimidos, há um elo de ligação, todos lutam contra o mesmo Estado opressor – o que torna lógico que todos esses movimentos se unifiquem.

Em resposta a todos esses ataques é necessária a ampliação dos comitês de luta contra o golpe. Melhor que realizar mobilizações específicas para cada tipo de medida dos golpistas, o mais eficiente e correto politicamente é lutar contra o golpe em conjunto.

As mulheres devem formar comitês contra o golpe nos bairros, nas fábricas, nas empresas, nos locais de trabalho e de moradia. Os comitês de luta contra o golpe são de luta contra a direita e o fascismo, contra todos os ataques às mulheres, aos negros, aos LGBTs, camponeses, indígenas, quilombolas, dentre outros.