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Na noite de uma terça-feira, num olival à beira da estrada entre os vilarejos de Víznar e Alfacar – na Andaluzia – o poeta, dramaturgo e folclorista Federico Garcia Lorca era fuzilado pela repressão fascista no início da guerra civil espanhola. Lorca foi não apenas um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século 20, mas também um ativista da causa republicana e amigo do diplomata e socialista Fernando de los Ríos – ex-ministro da Educação e Belas-Artes na Segunda República Espanhola. O escritor tivera sua prisão decretada pelos golpistas na véspera, e fora preso na casa da família Rosales Vallecillos, em Granada.

Federico García Lorca nasceu na cidade granadina de Fuente Vaqueros em 1898, numa abastada família de fazendeiros, passando a infância na paisagem semi-rural da Andaluzia. Em 1908, a família se mudaria para Granada, onde estudaria numa escola técnica, aprendendo música com o compositor Antonio Segura, frequentando o círculo artístico local, ingressando na universidade em 1916. Cursou disciplinas em Madri e Granada, licenciando-se em Direito em 1923. Nesse período, aproximou-se dos professores Martín Domínguez Berrueta e Fernando de los Ríos. Com Martín, faria uma série de estudos, que inspirariam seu primeiro livro, Impresiones y paisajes, publicado em 1918. Los Ríos o incentivaria a mudar-se para a Residencia de Estudiantes em Madri, onde Lorca conheceria como residente muitos dos mais importantes intelectuais, artistas e escritores do país, como o cineasta Luis Buñuel, o poeta Rafael Alberti. Em Granada, se aproximaria ainda do compositor Manuel de Falla, que o despertaria seu interesse pela cultura popular. Em 1921, publicaria o Libro de poemas, coletando obras escritas na infância e juventude

Talvez sua relação mais intensa e marcante nesse período tenha sido o pintor Salvador Dalí, que conhecera em Madri. Tanto Lorca animaria Dalí a escrever quanto Dalí incentivaria a carreira de desenhista de Lorca, resultando inclusive numa exposição na galeria Dalmau de Barcelona em 1927. Em 1926, Lorca escreveria a Oda a Salvador Dalí e, junto a De Falla, De los Ríos e a Hermenegildo Lanz fundaria o Ateneo de Granada, em que além da cultura popular desenvolveria estudos sobre teoria e história literária, sobretudo sobre a obra do escritor barroco Luís de Góngora, culminando numa homenagem em Sevilha em 1927, em que os participantes manifestariam seu desejo de integração às vanguardas literárias modernistas formando o que seria conhecida como Geração de 27. Seus estudos sobre a cultura popular resultariam em 1928 no Romancero gitano.

Em 1929, ainda em meio à ditadura de Primo de Rivera, Fernando de los Ríos o convidaria para uma viagem de longa duração aos Estados Unidos, com passagem por Cuba na volta, que resultaria nos poemas depois reunidos na coletânea Poeta en Nueva York.

Proclamada a II República em 14 de abril de 1931, Lorca se envolveria de corpo e alma no movimento de renovação da educação e das artes sob numa nova era de liberdades democráticas. O escritor passaria a ministrar palestras sobre cultura popular e criaria La Barraca, uma companhia que visava a difundir o teatro clássico espanhol na Espanha rural. A produção teatral de Lorca se intensificaria e seu trabalho ganharia muita popularidade. O escritor seria convidado a acompanhar montagens de sua obra na Argentina e no Uruguai, em 1933. Suas obras, sobretudo com La Barraca ganhariam cada vez mais um viés político e social.

Com a escalada do fascismo e a ameaça de golpe militar, precipitam-se os atos violentos contra os republicanos. Lorca retorna a Granada que, segundo ele era o local onde então se agitava “a pior burguesia da Espanha”. Sobreveio o golpe militar em 20 de julho de 1936 e a repressão e perseguição política aos socialistas foi feroz. Seu cunhado Manuel Fernández-Montesinos, prefeito socialista de Granada, foi fuzilado, assim como diversos outros ativistas políticos e intelectuais. Instalou-se um clima de terror, com invasão de apresentações teatrais, torturas, prisões e assassinatos.

Lorca tinha amigos pessoais nass fileiras do grupo fascista Falange Española: os irmãos Rosales Vallecillos, entre os quais o poeta Luís Rosales, e escondeu-se em sua casa. Sua crença nessas relações pessoais, para além das forças políticas em jogo, seria sua ruína. Lorca seria preso na cadeia de Granada e depois transferido a uma prisão rural no caminho de Víznar, sendo fuzilado na madrugada do dia 18 para o dia 19 de agosto num olival, numa estrada próxima. O triste episódio mostra a impotência do indivíduo diante das forças políticas reais, sua vulnerabilidade quando desvinculado de organizações capazes de promover sua autodefesa.

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