17 de abril de 1961: coxinhas cubanos treinados pela CIA invadem a Baía dos Porcos e são derrotados

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A capacidade que um povo armado empenhado na implantação da ditadura do proletariado tem de se opor e impedir uma invasão imperialista, como se esboça na Venezuela, foi comprovada na operação que foi levada a cabo em abril de 1961, onde um esquadrão de bombardeiros B-26 camuflados com as insígnias cubanas começou a bombardear aeroportos de Cuba em ataques que duraram dois dias, destruindo parte considerável da aeronáutica do país.

Da evolução desse ataque covarde é que se depreende a importância da resistência contra a chamada Invasão da Baía dos Porcos (Operation Zapata). Uma invasão cuja infantaria foi formada pela brigada 2506, um grupo de 1400 cubanos, treinados diretamente pelo exército americano, municiados e levados por este, até as praias do território cubano. Não apenas, foi também comandada pelos agentes da CIA Grayston Lynch e William Robertson.

O plano de invasão levava em consideração que uma vez destruídas as capacidades de oposição aeronáutica cubanas, um bombardeio contínuo contra as pontes e estradas, impediria o avanço das tropas cubanas, assim possibilitando que os traidores cubanos obtivessem uma posição segura para implementar a invasão da ilha.

No dia 17 de abril, a brigada 2506 dividiu-se em seis batalhões de cerca de 200 soldados e começaram a se mobilizar. Dois destes batalhões desembarcando em Playa Girón e um em Playa Larga. Mas o parco conhecimento da geografia da região atrasou a invasão, pois os transportes demoraram a manobrar em meio aos recifes de corais, acabando por afundar dois navios de guerra a apenas 80 jardas da costa cubana, tendo as tropas de serem resgatadas, acarretando a perda de artilharia, munições e equipamentos pesados como tanques M41.

Identificados à distância por um civil membro do Comitê para Defesa da Revolução, em menos de 20 minutos, todo o governo cubano já estava informado e Castro, Comandante Chefe das Forças Armadas imediatamente coordenou a defesa da ilha. Alertando a população civil para sua autodefesa, esta, que nos últimos meses havia se submetido ao treinamento com armas aliadas a táticas militares básicas para o caso de invasão.

Concomitantemente lança a força aérea cubana contra o aparato de invasão, por terra, se utiliza de ferozes combatentes cubanos liderados no oeste da ilha por Che Guevara, no Leste por Raúl Castro e Juan Almeida Bosque nas províncias centrais.

Durante os dias 17 e 18, as forças na praia Vermelha sofreram repetidos contra-ataques do exército e guerrilheiros cubanos, acumulando baixas e com o escasseamento da munição, irrompiam os brigadistas em desespero, desertando quando possível. Cargas de munições e mantimentos lançadas de cargueiros C-54 e c-46 não chegavam às mãos dos invasores, nem lhes eram suficientes. A força comunista formada por 300 soldados, 1600 guerrilheiros e 200 policiais reduziram os números dos ofensores a apenas 370 brigadistas.

Às 14:00 do dia 18 Kennedy recebeu um telegrama de Moscou partindo de Nikita Kruschev, alertando-o que a União Soviética não permitiria a invasão de Cuba pelos EUA, implicando em retaliação se suas advertências não fossem consideradas.

“Não é segredo para ninguém que bandos armados invadindo este país foram treinados, equipados e armados dentro dos Estados Unidos da América. Os aviões que estão bombardeando as cidades cubanas pertencem aos Estados Unidos da América, as bombas que eles estão despejando são fornecidas pelo governo Americano… Ainda não é tarde para evitar o irreparável. O governo dos EUA ainda guarda a possibilidade de não permitir que a chama da guerra seja despertada por suas intervenções em Cuba e seja levada a uma conflagração desproporcional…. No que concerne à União Soviética, não deve haver engano quanto a nossa posição: Nós daremos ao povo cubano e ao seu governo todo o auxílio necessário para ajudar a repelir um ataque armado a Cuba.”

John F. Kennedy, poderia ter impedido a invasão, mas escolheu não fazê-lo. De fato, durante a campanha presidencial no outono de 1960, Kennedy era ainda mais insistente em derrubar o governo Castro do que o próprio Nixon. O que deixa claro, que tanto Nixon quanto Kennedy, tanto Republicanos quanto Democratas, todos apoiavam as mesmas medidas imperialistas contra Cuba.

Numa última tentativa de virar o jogo, foi lançada a operação “Voo do Cachorro Louco” (Mad Dog Flight), composta por cinco bombardeiros B-26, dos quais quatro eram operados diretamente por mercenários contratados da CIA e pilotos voluntários da guarda aérea do Alabama. Dois bombardeiros foram derrubados, morrendo quatro aeronautas americanos. Diante do fracasso do apoio aéreo, os brigadistas bateram em retirada desorganizada, acompanhada pela rápida reação das forças cubanas, sofrendo um considerável massacre por parte da artilharia cubana, de seus tanques e infantaria.

Malsucedida a invasão, denunciado mundialmente o golpe sujo do imperialismo, todo o apoio esperado por parte das Forças Aéreas Americanas foi abortado e a brigada 2506 deixada à própria sorte. No dia 19 o comandante da brigada, Perez San Roman, transmite pelo rádio a mensagem final da Brigada 2506: “ “Não temos mais com o que lutar” (…) “como podem vocês (EUA) fazer isso conosco, nosso povo, nosso país?

Trata-se de uma demonstração clara de como a arrogância imperialista dos EUA não fez frente à luta do povo cubano organizado, que um grupo de mercenários formado por traidores financiados pelo capital não é capaz de subjugar o operariado consciente da sua necessidade e capacidade de autodefesa. A Baía dos Porcos é um símbolo para todos os povos oprimidos, trata-se da primeira derrota dos EUA na América Latina, mas também uma das primeiras derrotas do imperialismo em escala mundial.