O poderoso chefão
Al Capone foi um grandes nomes da Máfia americana. Como o governo não consegui provar seus crimes condenou-o através de um julgamento farsesco
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Gangster Al Capone wearing an overcoat in Chicago.
Al Capone, "o poderoso chefão" | Foto: reprodução Getty Images

No dia 17 de outubro de 1931 um dos mais famosos gângsteres americanos, Alphonse Gabriel “Al” Capone, foi condenado a onze anos de prisão sob a acusação de sonegação de impostos. Ele era conhecido como o “Inimigo Público Número 1”.

Al Capone foi o chefão do Chicago Outfit, também conhecido como a Máfia de Chicago, uma organização criminosa com base em Chicago, no estado de Illinois, criada em meados da década de 1910. Sob sua liderança o Chicago Outfit se tornou uma das mais poderosas organizações a atuar na distribuição ilegal de álcool durante a época da Lei Seca (1920-1933) e também a responsável por uma enorme série de crimes.

Al Capone nasceu na cidade de Nova York em 17 de janeiro de 1899, filho de imigrantes italianos. Capone estudou em uma escola católica até os 14 anos, quando foi expulso após bater em uma professora. Teve empregos variados, em uma loja de doces e em pista de boliche, além de jogar baseball semiprofissional de 1916 a 1918. Logo cedo se juntou a pequenas gangues como o Junior Forty Thieves e o Bowery Boys. Finalmente se juntou à poderosa gangue Five Points Gang, que atuava em Manhattan. Nesta época ele trabalhava para o mafioso Frankie Yale no bar Harvard Inn. Capone insultou uma mulher enquanto trabalhava na entrada do bar e acabou sendo esfaqueado por três vezes no rosto por um sujeito chamado Frank Galluccio, irmão da mulher. Foi após este episódio que Capone ganhou o apelido de “scarface” (“cara de cicatriz”).

Em 1919 Capone se mudou para Chicago a convite de outro mafioso, Johnny Torrio. Inicialmente ele trabalhou em um bordel, onde ele contraiu sífilis, uma doença que ele nunca tratou de modo devido e que veio a matá-lo anos depois. Nos anos seguintes Capone se tornou o braço direito de Johnny Torrio, atuando como intermediador entre gangues rivais.

Em 1920 foi instituída a Lei Seca nos Estados Unidos, que proibiu a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas. Essa lei foi implantada com o objetivo de “salvar” o país dos problemas relacionados à pobreza e violência, uma lei de fundo moral que teve efeito completamente oposto ao desejado, gerando uma explosão de criminalidade, corrupção e a expansão de grupos como a máfia. Capone estava envolvido com produtores de bebidas do Canadá, que o ajudavam a contrabandear a bebida para dentro dos Estados Unidos. Este contrabando rendeu milhões de dólares a Capone.

Em 1925 Johnny Torrio sofreu um atentado, sendo baleado várias vezes. Sobreviveu, mas resolveu passar o comando da organização a Al Capone, então com 26 anos de idade. Capone usava de métodos violentos para aumentar seus ganhos, como por exemplo, obrigar bares a comprar a sua bebida. Estabelecimentos que se recusavam eram bombardeados. Aproximadamente cem pessoas morreram nesses ataques da máfia. Sua organização controlava uma variedade de negócios, desde bancas de apostas em corridas de cavalos, clubes noturnos, destilarias, cervejarias, bordéis, chegando a faturar 100 milhões de dólares por ano.

Temendo por ataques à sua vida Capote deixou Chicago e se movimentava frequentemente. Nunca teve uma propriedade em seu nome e nem mesmo tinha uma conta bancária. Para manter uma imagem limpa fazia frequentemente doações a instituições de caridade, além de manter um restaurante para os pobres.

Um episódio particularmente importante na vida de Capone foi o conhecido “Massacre do Dia de São Valentim”, acontecido em 1929, quando sete homens foram encontrados mortos, todos eles subordinados de Bugs Moran, o cabeça da North Side Gang, gangue rival de Capone. O alvo principal, Bugs Moran, escapou de ser morto na emboscada por um acidente de tráfico, que o atrasou para o encontro. O caso foi o estopim para uma caçada a Al Capone, iniciado pelo jornalista Walter A. Strong, que interpelou o presidente americano Herbert Hoover sobre a terra sem lei que havia se tornado a cidade de Chicago.

Em 1929 Capone foi preso várias vezes, ficando pouco tempo na cadeia, por acusações como carregar uma arma e violação da lei seca. Em 1930 foi preso por vadiagem quando visitava uma praia em Miami. Nesse episódio Capone afirmou que foi deixado sem água e comida na cadeia e que a polícia ameaçou prender sua família. Foi, então, acusado de perjúrio por causa dessas declarações, mas absolvido em um julgamento. Ficou evidente que por mais que o Estado tentasse pegar Capone por algum de seus crimes as investigações não conseguiam encontrar provas irrefutáveis capazes de condená-lo.

Após essas diversas fracassadas tentativas de condená-lo em algum crime, o Departamento de Justiça americano resolveu enquadrá-lo por sonegação de impostos, algo inédito até então. Uma procuradora do estado notou que os chefões da máfia costumavam desfilam em alto estilo, exibindo joias e muita riqueza, mas nunca declaravam o imposto de renda e desse modo concluiu que Capone poderia ser pego sem que fosse preciso um grande trabalho de conseguir provas.

Desse modo em 1930 o governo americano acusou o irmão de Capone, Ralph Capone, de sonegação e o condenou a três anos de prisão. Isso fez com que Al Capone ordenasse a seu advogado que regularizasse sua declaração de bens. Desta forma o advogado de Capone declarou que seu cliente estava disposto a pagar o imposto atrasado de vários anos, admitindo uma renda de 100 mil dólares em 1928 e 1929. Só com esta declaração, sem nenhuma outra investigação, o governo acusou Capone de evasão de divisas e o levou a julgamento.

O juiz do caso, James Herbert Wilkerson, aceitou a tese de que se Capone se propunha a pagar seus débitos com a Receita Federal então automaticamente ele admitia a evasão de divisas.

O julgamento todo foi evidentemente uma farsa, com Wilkerson atropelando procedimentos legais e dando prazos ínfimos para que a defesa de Capone pudesse elaborar seus argumentos. Capone foi condenado a cinco penas por evasão fiscal e sentenciado a onze anos de prisão, multa de 50 mil dólares e outras penalidades monetárias.

Ele foi enviado à uma cadeia em Atlanta em maio de 1932 aos 33 anos de idade. Na época ele sofria de sífilis e gonorreia, além de estar em abstinência do uso da cocaína. Foi transferido para a famosa prisão de Alcatraz em 1934, onde ficou até 1939 e libertado em 16 de novembro de 1939, já com a saúde extremamente debilitada e mentalmente incapaz por causa da sífilis. Morreu em 25 de janeiro de 1947 após um ataque cardíaco.

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