Dia de hoje na História
O primeiro levante dos judeus contra o nazismo nos ensina que os fascistas devem ser combatidos sem trégua
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Gueto de Varsóvia. Foto: reprodução |

A invasão da Polônia pelos alemães em 1939 marcou o início da Segunda Guerra Mundial. Foi neste mesmo ano que os nazistas iniciaram o deslocamento forçado dos mais de três milhões de judeus poloneses para guetos nas maiores cidades.

Esses guetos concentravam, em áreas extremamente reduzidas, grandes populações, o que fez dessas grandes prisões verdadeiros infernos. O gueto de Varsóvia tinha uma população de quase 400.000 pessoas, espremidas numa área de menos de 4 quilômetros quadrados. Não é de se estranhar que milhares de judeus tenham morrido de fome e doenças, mesmo antes das deportações em massa para o campo de extermínio de Treblinka.

Em Julho de 1941 a alta cúpula do Terceiro Reich deu início à preparação do que os nazistas chamavam eufemisticamente de “solução final para a questão judaica”, e que nada mais era que o plano macabro de exterminar todos os judeus da Europa.

Como parte desse plano, de julho a setembro de 1942 o campo de extermínio de Treblinka recebeu mais de 300.000 judeus vindos do gueto de Varsóvia, ou seja, quase todos os habitantes.

As cerca de 70 mil pessoas que ainda restaram no gueto eram na maioria trabalhadores escravos das indústrias que produziam para o exército alemão. Foram esses operários o núcleo principal da resistência contra os nazistas.

Depois de tanta violência e da agora certeza de que a morte na mão dos nazistas ocorreria se nada fosse feito, o levante se tornou o único caminho possível. Nas palavras de um dos sobreviventes do levante: “A maioria foi a favor da rebelião. As pessoas achavam melhor morrer com uma arma na mão do que sem ela. Pode-se chamar este tipo de resistência de rebelião? Era uma luta para não sermos transportados ao matadouro, uma luta contra a morte.”

Comunistas, sionistas e socialistas judeus juntaram-se para combater essas deportações, e se necessário, estavam dispostos a usar armas. Em dezembro de 1942 começaram criar um sistema de esconderijos para os que já se sabia que estavam na lista de procurados. Uma das táticas usadas era dividir quartos para criar nichos, e camuflando suas entradas.

Ao visitar o gueto em janeiro de 1943, Heinrich Himmler, comandante da SS, ordenou que a população fosse reduzida novamente enviando mais gente para os campos de extermínio. Cerca de 6 mil foram deportados, mas a resistência avançou também, pois os trabalhadores haviam conseguido armas do exterior e começaram a enfrentar as tropas nazistas.

Em fevereiro, Himmler ordenou o fim do Gueto de Varsóvia, dando a tarefa para o oficial Jürgen Stroop. Ao invadir o gueto no dia 19 de abril, seus 3 mil homens foram confrontados com a resistência de 1.500 combatentes judeus, que lutaram bravamente até 16 de maio com as poucas armas de que dispunham.

Cheiro de cadáveres nas ruas, bombas incendiárias e mulheres saltando dos andares superiores dos prédios com crianças nos braços são algumas das terríveis lembranças contadas pelos sobreviventes daqueles dias.

Mesmo com toda a superioridade militar, apenas em 8 de maio os alemães conseguiram cercar os rebeldes, sendo que muitos deles se suicidaram para não caírem nas mãos dos nazistas.

Na noite de 16 de maio, a explosão da sinagoga do gueto marcou o fim da rebelião, que teve um saldo de 56 mil mortos na primeira rebelião popular dos judeus contra os fascistas.

O levante do gueto de Varsóvia – e seu esmagamento – deve ser sempre lembrado. Esse episódio revela o que realmente significa o nazismo, e não apenas no que os alemães fizeram para acabar com a revolta, mas também em tudo aquilo que fizeram antes e culminou no levante.

O fascismo é o maior inimigo da classe trabalhadora e deve ser combatido sem tréguas. Os insurgentes de Varsóvia fizeram exatamente isso. Por outro lado, o combate foi em condições terríveis porque o inimigo fascista estava muito mais forte em 1943 e devia ter sido destruído já na década de 30, quando Hitler e sua corja ainda não tinham tanta força. Teria sido mais fácil esmagar a serpente que é o fascismo quando estava ainda saindo do ovo do que anos depois.

Uma das máximas do livro inaugural da Ciência Política moderna, “O Príncipe” de Maquiavel, é: “A guerra não pode ser evitada, mas apenas adiada para vantagem dos outros.” Quando o inimigo é o fascismo a guerra tem que ser travada agora.

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