15 fotos que mostram a “ajuda humanitária” enviada pelo imperialismo ao redor do mundo

Vietnam Napalm 1972

As ditaduras e os ditadores e o socialismo devem ser naturalmente extirpados do globo por aqueles povos de boa vontade que levam a democracia, a ajuda humanitária, a liberdade capitalista aos países atrasados. Este é o jogo e e o vocabulário obrigatório na cantilena recitada diariamente ao longo de anos pela imprensa burguesa em todo o mundo na formação do estado de ânimos necessário a justificar ferozes intervenções que arrasam nações e espalham a miséria onde são bem-sucedidas. O mantra da “ajuda humanitária” contra o “ditador” Nicolás Maduro vem sendo repetido à exaustão nas últimas semanas para descaradamente promover o contrabando necessário à invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, Brasil e Colômbia. Mas qual real a natureza dessa “caridade” entre os povos?

Desde que se consolidou a partilha colonial do mundo, há pouco mais de um século, o Imperialismo vem intensificando os níveis de miséria e devastação sobretudo nos países subjugados. Sempre que há alguma disputa envolvendo grandes corporações e seus monopólios, sobrevêm o massacre, a destruição das cidades, o vácuo humano e institucional que torna possível a implementação de regimes subordinados ao capital global. Quer seja pela disputa entre potências imperialistas pela divisão do bolo, quer seja para combater regimes em que as organizações populares conseguem exercer um razoável nível de pressão sobre a organização Estatal, o Imperialismo vem produzindo nesse período guerras de proporções bíblicas.

Evidentemente, as razões econômicas das guerras não são explicitadas. Em praticamente todos os casos, porém, a ideologia dominante cria um estado de ânimos capaz de legitimar os conflitos armados entre os povos: assassinatos de mártires, diferenças religiosas, disputas étnicas, conflitos territoriais e, depois da Segunda Guerra, a chamada “luta pela democracia”.

A “democracia” dos imperialistas é mero valor abstrato e nada tem a ver com um governo do povo e para o povo, mas sim com processos eleitorais truncados e viciados que garantem que o estado nacional não passe de um mero “comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa” – para usar a célebre passagem do Manifesto comunista. Na verdade, a independência dos povos colonizados no século 19 (sobretudo na África e na Ásia) em muitos casos estava ligada mais a um reordenamento de forças entre metrópoles que à autodeterminação de seus povos, via de regra escanteada após os conflitos de libertação.

Com impressionante cinismo e não menos assustadora credulidade popular, de mentira em mentira o Imperialismo e sua imprensa constroem uma história da humanidade em que os países centrais e as grandes corporações assumem características humanas e morais. Como na mitologia antiga, encarnam comportamentos individuais e, como bondosos pais, assistem a sua prole atrasada por todo o mundo com caridosas “missões humanitárias” e Forças de Paz. São na verdade as turquesas da burguesia para torturar o proletariado daqueles países, arrancando-lhes as unhas, dos dedos, as mãos e os braços até que não reste mais que fazer aos demais membros daquela sociedade que receber de boca aberta os restos que o capitalismo deixa cair pelo chão em sua marcha rumo a seu próprio fim.

Na verdade, o regime preferencial do Imperialismo, do capitalismo monopolista e seus grandes trustes, nada tem a ver com democracia. A brutal concentração de riqueza que o caracteriza exige pulso firme dos Estados Nacionais, comandados por regimes ditatoriais. Nessa macabra pantomima em nome da democracia encenada pelo Imperialismo, as clássicas “missões humanitárias” nada mais são de adereços mambembes que visam a travestir decrépitos atores de divas atraentes, mercenários armados até os dentes de gentis filantropos, trêfegos traidores de suas pátrias em heróis nacionais.

Há centenas de conflitos armados no mundo decorrentes das disputas imperialistas, matanças e flagelos perfeitamente evitáveis sem o concurso dos interesses coloniais. À guisa de ilustração, Diário Causa Operária Online selecionou apenas 15 deles ocorridos desde a Segunda Guerra Mundial. Invariavelmente, surgem como pretextos a “ajuda humanitária”, a “luta pela democracia”, a “defesa da liberdade”, que mal escamoteiam os planos de miséria e genocídio dos donos do Capital sobre países colonizados.

1. O bombardeio com armas nucleares de Hiroshima e Nagasáki (1945)

 

A Guerra já se encaminhava para seu fim. As potências europeias do Eixo já haviam capitulado. Em todo o caso, apenas para garantir sua influência sobre o Japão que devastara durante a guerra, o governo dos Estados Unidos ordenou que fossem jogadas bombas atômicas sobre dois importantes centros urbanos daquele país, matando cerca de 250 mil pessoas em três dias de agosto de 1945.

2. A guerra de independência argelina (1954-1962)

 

 

Na década de 1950, o povo Argelino decidiu lutar por sua independência da França – no que seria seguido por várias outras colônias europeias no Continente Africano. Em nome da democracia, o governo francês promoveu um verdadeiro regime de terror na Argélia até 1962, dizimando cerca de um décimo da população e encarcerando cerca de um terço de um total de 10 milhões de habitantes.

3. A guerra do Vietnã (1955-1975)

Embora seja conhecida pela derrota militar dos americanos frente aos guerrilheiros asiáticos, na realidade o conflito imperialista pelo domínio da região, antes colonizada por franceses, durou duas décadas e matou cerca de quatro milhões de pessoas da região. Como as guerrilhas se escondiam em túneis sob a densa mata tropical asiática, os Norte-Americanos usavam desfolhantes químicos letais e completavam o genocídio com bombas incendiárias de napalm. Uma das fotos mais célebres dessa matança é a fuga de crianças com os corpos queimados pela gasolina gelatinosa das bombas,tocadas por marines estadunidenses na cidade de Trang Bang. A imagem da pequena Phan Thi Kim Phuc nua, desesperada, na estrada tornou-se um símbolo nas mobilizações pelo fim da guerra no Ocidente.

4. A guerra de Angola (1961-presente)

Se forças locais ensejaram a independência dos angolanos frente ao domínio de 400 anos de Portugal na região, em breve alguns setores da guerrilha, como a Unita, mostraram-se alinhados com os interesses norte-americanos, ensejando sucessivos recrudescimentos de conflitos a guisa de válvula de pressão externa sobre o país Africano. O general Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, participou de uma fracassada missão da ONU em Angola, a Unavem III. Os conflitos armados incentivados pelo imperialismo na região persistem até hoje.

5. Guerra do Afeganistão (1978-presente)

A guerra civil do Afeganistão estende-se no país de 1978, quando a União Soviética fomentou uma revolução popular, instalando um governo que duraria até a queda da Cortina de Ferro, quando se iniciaria uma disputa entre a influência muçulmana paquistanesa e a norte-americana na região. Em 1994, o grupo religioso Talibã assumiria o poder no país, sofrendo a partir de então sucessivos ataques direta ou indiretamente promovidos pelo Imperialismo. Em 2001, se iniciaria praticamente uma nova guerra, em que os Estados Unidos declararam guerra ao regime muçulmano, reputado como responsável pelos atentados às torres gêmeas em Nova York. Os norte-americanos invadiram o país numa suposta cruzada “em nome da democracia”, cinicamente batizada de Operação Liberdade Duradoura, iniciada com “ajuda humanitária” enviada por ingleses e americanos por avião juntamente com bombas e mísseis. Ao todo, o conflito de 40 anos já causou a morte de quase dois milhões de pessoas.

6. Guerra civil sudanesa (1983-2005)

Considerado um dos maiores genocídios das guerras africanas do fim do século passado, a guerra civil sudanesa levou à morte. Considerada por alguns como um conflito étnico-religioso provocado por muçulmanos, na verdade a guerra reflete os conflitos de classe do país sufocados durante o domínio colonial inglês, terminado em 1956, e agravados pela descoberta de petróleo abundante na região na década de 1990, o que motivou a intervenção direta no país. O conflito forçou a migração setores inteiros da população, e levou à morte cerca de dois milhões e meio de sudaneses.

7. As guerras no Iraque (1990-1991 e 2003-2011)

Na década de 1960, governo do Iraque era um aliados do imperialismo norte-americano no Oriente Médio, até a década de 1980, quando uma progressiva influência russa na região, simultânea ao desmantelamento da União Soviética, levou os americanos a bombardearem e a invadirem brutalmente o país um dos berços da civilização ocidental, dizimando cerca de 50 mil civis. Uma segunda invasão doze anos depois, supostamente visando a encontrar armas de destruição em massa, foi quatro vezes mais duradoura e letal para os iraquianos.

8. Guerra Civil de Ruanda (1990-1994)

A etnia tutsi, minoritária, formava a oligarquia local em Ruanda durante os domínios coloniais da Alemanha e da Bélgica, terminado na Segunda Guerra, quando a região tornou-se palco de disputas entre outros países imperialistas por meio do apoio a setores da etnia majoritária, os hutus, que assumiu o poder desde 1962. Em 1990, os tutsis exilados em Uganda organizaram uma invasão a Ruanda, iniciando uma guerra aberta. Em 1994, as Forças Armadas do governo hutu treinaram cerca de 30.000 soldados e armaram-nos até os dentes com financiamento direto do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Esse exército dizimaria cerca de um milhão de tutsis entre abril e julho de 1994, pondo fim de modo especialmente brutal ao conflito, no que ficaria conhecido como o Genocídio de Ruanda.

9. Guerra civil da Somália (1991-presente)

 

Oposta ao Iêmen na entrada do Mar Vermelho, com expressivas reservas de Petróleo, a Somália era próxima ao regime soviético até sua queda. Em 1991, com a pressão imperialista via Etiópia, foi derrubado o governo nacionalista de Siad Barre, ao que se seguiu uma série de “Missões de Paz” da ONU – todas fracassadas. Em 2007, as Forças Armadas dos Estados Unidos intervieram pela primeira vez diretamente no país, auxiliando as forças imperialistas da região desde então. Oficialmente, a guerra contabiliza um milhão de mortos. A destruição das forças produtivas foi tal que o país entrou em permanente crise de abastecimento, agravada por secas que levaram à miséria praticamente toda a população do país, com cerca de seis milhões de pessoas passando fome. Até hoje, quase trinta anos após o início dos conflitos,quando um somaliano pede aos céus chuva ou ajuda divina, deles só caem bombas lançadas pela Força Aérea Norte Americana.

10. Golpe de Estado no Haiti (2004-presente)

Por meio das “Forças de Paz” da ONU, as Forças Armadas Brasileiras participaram diretamente da consolidação do golpe militar imperialista na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), após a derrubada do presidente Jean Bertrand Aristide. Uma das figuras de destaque dessas forças foi o general Augusto Heleno, hoje à frente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do fascista Jair Bolsonaro. Heleno esteve à frente do chamado massacre de Cité Soleil – uma comunidade em Porto Príncipe politicamente ligada a Aristide. Mais de 200 pessoas morreram na Operação Punho de Ferro em que mais de 22 mil projéteis foram disparados pelo exército brasileiro, visando a assassinar o líder político Emmanuel Wilmer. A ação de “estabilização” concluída em 2017, evidentemente, nada tinha a ver com a libertação dos haitianos que hoje voltam a se levantar nas ruas contra o regime golpista. No total, a Minustah matou a bala ou pela miséria mais de 30 mil pessoas, servindo de campo de formação e treinamento do imperialismo para as forças golpistas que hoje tomaram o Brasil. Outros cinco oficiais das forças brasileiras no Haiti compõem o primeiro escalão do governo Bolsonaro.

11. Golpe de Estado em Honduras (2009-presente)

Primeiro golpe do Imperialismo dentre os perpetrados após a agudização da crise capitalista em 2008, o golpe militar de Honduras depôs o presidente Manuel Zelaya e o exilou, com apoio do Poder Judiciário. Após a repercussão internacional negativa, forjou-se um processo de impeachment em 2011, referendado pelo Congresso. Numa ordem diferente, foi o ensaio para os golpes que se espraiariam na América Latina nos anos seguintes. Inclusive no Brasil. O regime de terra arrasada imposto pelos golpistas ao país levou a uma verdadeira crise humanitária de proporções bíblicas, que levou dezenas de milhares de pessoas a buscar a emigração para o México num verdadeiro tsunami de desesperados em 2018.

12. A guerra na Síria (2011-presente)

Iniciada com movimentos de rua fomentados pelo imperialismo – parte da chamada Primavera Árabe, que por sua vez é irmã das Jornadas de junho direitistas no Brasil, a guerra na Síria destina-se a controlar o país em posição estratégica entre a Europa e os grandes produtores de petróleo do Oriente Médio, comandado por um governo nacionalista muçulmano classificado como ditadura pela imprensa imperialista. Os norte-americanos fomentaram e armaram milícias de oposição que deslancharam um sangrento combate contra o regime. Cerca de 560 mil pessoas já morreram nos conflitos que destruíram diversas cidades, como Alepo. Em 2015, iniciou-se uma forte corrente migratória de refugiados de guerra rumo à Europa – na maioria das vezes em condições precárias. Em 2015, a foto do pequeno Alan Kurdi, encontrado morto afogado numa praia na Turquia, tornou-se o símbolo da crise provocada pelo imperialismo. Em 2018, Estados Unidos, Reino Unido e França chegaram a bombardear diretamente Damasco e Homs com mísseis de longo alcance.

13. Guerra civil na Ucrânia (2014-presente)

Diante da aproximação do governo ucraniano com a Rússia, a União Européia fomentou a derrubada do primeiro-ministro Viktor Yanukovytch por meio levante de grupos armados nazistas, como o Batalhão Azov e mesmo o primeiro-ministro golpista Petro Poroshenko, que posa para fotos com soldados usando o símbolo da SS Nazista. Os protestos iniciais, de 2014, tinham características organizativas análogas aos dos demais golpes de direita então correntes, como a Primavera Árabe. A região da Criméia, favorável à aproximação com a Rússia, tornou-se o palco de uma guerra que já matou mais de 10 mil pessoas, contando ainda com denúncias de milhares de ativistas presos e torturados.

14. Guerra civil na Líbia (2014-presente)

Também no bojo da Primavera Árabe, fomentada pelo Imperialismo, o governo nacionalista de Mummar al-Gaddafi chegou ao fim com seu linchamento em praça pública em 2011. Com o aprofundamento do governo golpista, uma avalanches de barbaridades da nova “democracia” imperialista veio progressivamente à tona. Primeiro nos barcos apinhados de emigrantes rumo à Itália e à Grécia, fugitivos da miséria, da perseguição política, da guerra. O retrocesso social nesse país do Norte da África, que se criou, literalmente, um comércio de escravos, com leilões de centenas de milhares de negros vendidos para traficantes estrangeiros em leilões na costa mediterrânea do país.

15. Guerra civil no Iêmen (2015-presente)

Mais uma flor da Primavera Árabe, a deposição do governo nacionalista de Ali Abdullah Saleh por meio de um golpe de estado imperialista aconteceu em 2011, abrindo uma crise institucional sem precedentes num dos países mais miseráveis do Oriente Médio às portas do Mar Vermelho. Evidentemente, os supostos conflitos étnicos e religiosos locais, entre Houthis muçulmanos e golpistas, são apenas reflexo da brutal pressão imperialista na região, exercida por meio da Arábia Saudita. Em 2015, com a persistente perseguição às organizações populares, o assassinato dos muçulmanos e mesmo o bombardeio de mesquitas, eclodiu o conflito armado que já matou mais de 80 mil pessoas. Num dos episódios mais chocantes da guerra, uma bomba Saudita foi lançada em cheio sobre um ônibus escolar que rumava para uma excursão nas redondezas da cidade de Dahyan.