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Há 97 anos, os militantes Hitoshi Yamakawa, Kyuichi Tokuda, Toshihiko Sakay, Sen Katayama, entre outros militantes, fundavam nas clandestinidade o Partido Comunista Japonês – PCJ. Era o desenvolvimento natural das organizações dos trabalhadores diante das contradições do capitalismo no Japão, fortemente industrializado desde a Era Meiji (1867-1912), que então era subjugado por uma monarquia especialmente opressiva da Era Taisho, comandada pelo Imperador Yoshihito.

Tal regime se baseava num sistema agrário semi-feudal baseado no arrendamento de terras aos camponeses, fomentando a formação de corporações monopolistas de caráter imperialista, que culminaria no apoio ao fascismo europeu na década seguinte. Tal regime apoiou as forças que atacaram a Rússia revolucionária, então em plena guerra, no fronte oriental.

A partir de uma elaboração teórica e prática internacionalista – e sob os auspícios dos bolcheviques – o novo Partido tinha por objetivos: reforma agrária e libertação do campesinato da servidão; melhoria das condições de vida da classe trabalhadora em geral; opor-se ao intervencionismo imperialista japonês que visava a oprimir a revolução russa e depois a revolução chinesa e garantir colônias como Coreia e Taiwan, cuja independência apoiariam.

Dois anos depois, o PCJ estaria quase que completamente desmontado pela repressão, sendo refundado com apoio russo. Uma nova brutal repressão sobreveio, com atuação da Tokko (polícia secreta japonesa), praticamente aniquilando o partido com prisões em massa em 1929. Rearticulado mais uma vez com jovens militantes, os comunistas se opuseram à invasão da Manchúria pelo japão em setembro de 1931. Tal conflito levaria o Partido a uma política antimilitarista, por meio de uma campanha de agitação e propaganda dentro do próprio exército japonês. Em outubro de 1932, a repressão daria ordem de prisão a nada menos que 12.622 “suspeitos de comunismo”.

Com a prisão de Hakamada Satomi, um dos dirigentes do PCJ, em março de 1935, o partido entraria em inatividade até o fim da Segunda Guerra. O Partido retornaria então à legalidade, elegendo seis deputados em 1946 e 35 deputados (10% dos votos) em 1949 até o início efetivo do anticomunismo macartista imposto pelos norte-americanos que ainda ocupavam o território, deixando-os sem parlamentares. Ainda assim, o próprio governo dos Estados Unidos estimaria que 120 mil militantes comporiam as fileiras da organização na década de 1960, o que colocaria de volta o PCJ no mapa eleitoral na década de 1970. Tal política levou o PCJ a uma posição bastante recuada, advogando hoje em seu programa termos abstratos como “democracia” e “futuro progressista” para o Japão, por meio de uma política em princípio pacifista. A fundação do PCJ em 1922, em todo caso, mostra que mesmo em condições adversas é possível criar e fazer avançar as organizações populares.

 

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