Dia de Hoje na História
A direita organizou as eleições de 1977, com o objetivo de salvar o regime político herdado da ditadura franquista e impedir uma revolução popular.
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Eleições de 1977: fachada democrática para as instituições herdadas do franquismo | Reprodução

O regime fascista na Espanha, o franquismo, chegou ao poder após a derrota das forças da Frente Popular na guerra civil (1936-1939). Por cerca de 35 anos, o franquismo manteve o país imerso em uma sangrenta ditadura burocrático-militar, que abafava a vida política e cultural, mantinha uma estreita vigilância sobre a população, reprimia qualquer tentativa de contestação por meio da atuação da polícia política e excluía a esquerda e as organizações sindicais da participação na vida política do país. O regime era reconhecido como um dos mais atrasados da Europa.

Com a crise do regime franquista na década de 1970, a direita franquista procura organizar a abertura política, porém de forma a manter o controle sobre os elementos fundamentais do regime político. O Real Decreto 20/1977 estabelece eleições para as Cortes, composta pela Câmara dos Deputados e Senado. Com a finalidade de prevenir a queda do regime por meio de uma revolução popular, como estava ocorrendo em Portugal, o imperialismo promove eleições gerais em que a esquerda podia participar. Contudo, as instituições da ditadura permanecem inalteradas.

A direita franquista se reorganiza no partido político União do Centro Democrático (UCD) e obtém quase a maioria das cadeiras no parlamento com 165 deputados e 33% dos votos. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) fica em segundo lugar, com 118 deputados e  29,32% dos votos. O Partido Comunista da Espanha (PCE) consegue 20 deputados e 4,46% dos votos. Vários partidos nacionalistas, como os partidos catalães e vasco, conseguem representação parlamentar.

O regime político passa a permitir a participação da esquerda, mas mantém sua forma e as instituições herdadas da ditadura, inclusive a monarquia que fora restaurada por Franco. A Espanha de hoje é resultado da traição da esquerda, que convive como um regime extremamente reacionário e antidemocrático. A questão do separatismo, em especial o catalão, é alvo de forte repressão pelo governo de Madri, que mantém a Catalunha e diversas outras regiões integradas pela força ao território espanhol. O enfraquecimento da esquerda é reflexo dessa transição pactuada, onde as alavancas fundamentais foram preservadas nas mãos dos antigos carrascos da ditadura franquista.

As eleições gerais de 1977 foram uma armadilha para a esquerda, de maneira passar a impressão de que o povo poderia escolher, porém dentro dos marcos das instituições herdadas do franquismo. A direita franquista conseguiu, com o apoio da esquerda, mudar de pele e se declarar como democrata.

 

 

 

 

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