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14 de agosto de 1980 – Lech Walesa lidera greve no estaleiro de Gdánsk

Há 39 anos, os operários dos estaleiros Lenin de Gdánsk, Polônia, entravam em greve liderados por Lech Walesa. A ascensão do sindicalismo independente do Solidarnosc [Solidariedade] acabariam por desestabilizar o governo socialista da Polska Rzeczpospolita Ludowa [República Popular da Polônia] então comandado por Edward Babiuch, com a mão de ferro do ministro da defesa Wojciech Jaruzelski. O movimento estaria na base de uma ampla crise da União Soviética e dos demais países alinhados com seu colonialismo, sobretudo no Leste Europeu, culminando com a derrubada do regime em 1989.

Mesmo após a morte de Stálin, a burocracia estatal soviética manteria nos países sob sua influência um verdadeiro regime colonial de exploração. Se a crise econômica da década de 1970 forçou a um recrudescimento da repressão nas mãos do Imperialismo nos países ocidentais, no Leste Europeu não foi diferente. Uma inflação generalizada levou a uma crescente impopularidade do regime, e uma nova ascensão da direita, agravada pela nomeação do papa polonês Karol Wojtyla (João Paulo II), dando novo impulso ao catolicismo no país.

Lech Walesa era um eletricista de 36 anos ativo no movimento sindical e no Comitê de Defesa dos Operários – em defesa de trabalhadores presos durante greves consideradas ilegais em 1976. Militava ainda nos também ilegais Sindicatos Livres da Costa, cujo jornal clandestino, Robotnik Wybrzeze, era editado pela operadora de guindaste dos estaleiros de Gdánsk, Anna Walentynowicz. Descoberta pela repressão estatal, Anna foi demitida a cinco meses de sua aposentadoria em 7 de agosto de 1980. Cerca de 16 mil operários do estaleiro entrariam em greve em 14 de agosto, em solidariedade ela.

O movimento grevista se espalharia por todo o país, e seu comando de greve, Międzyzakładowy Komitet Strajkowy (MKS), presidido por Lech Walesa, seria decisivo na formação de diversos novos sindicatos independentes dando um sentido político e um caráter unificado à greve. O MKS colocou 21 demandas na pauta de negociações, reivindicando dentre outras coisas, o direito de greve, o direito a sindicatos independentes, o fim da repressão a ativistas, melhoria dos serviços de saúde, subvenção e garantia de uma cesta básica alimentar.

Em 31 de agosto, o governo assinaria o Acordo de Gdánsk, comprometendo-se a atender a todas as demandas. O MKS se tornaria o Solidariedade: primeiro sindicato independente do país desde a Segunda Guerra, que viria a agrupar mais da metade dos trabalhadores do país nos anos seguintes. Embora originário num amplo movimento de massas – e portanto bastante à esquerda do regime polonês – a orientação política do Solidariedade se desenvolveria com diversas contradições. Sua principal referência teórica seria o revisionista Leszek Kolakovski, culturalista e de base metodológica individualista. O sindicato receberia apoio oficial da Igreja Católica bem como patrocínio secreto do governo Norte-Americano via Central Intelligence Agency – CIA.

Com a derrubada do regime Soviético, Walesa seria eleito presidente da Polônia, em dezembro de 1990. Sua política se alinharia francamente ao Imperialismo, numa linha ainda mais à direita que a burocracia soviética: o ex-líder sindical fomentaria ampla privatização, e derrubada de barreiras comerciais, apoiando a entrada da Polônia na Organização do Tratado do Atlântico Norte – Otan.

 

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