Crise dos mísseis de Cuba
No episódio da crise dos mísseis de Cuba o stalinismo esteve presente mais uma vez, tentando levar Cuba à derrota frente ao imperialismo.
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A organização Mulheres Pela Paz faz demonstração em frente à ONU, 1962 | Foto; Associated Press

Em outubro de 1962 houve o episódio conhecido como a “Crise dos mísseis de Cuba”, que foi o auge da Guerra Fria, o período de tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética que se criou após o fim da Segunda Guerra Mundial. A crise de Cuba é frequentemente considerada pela imprensa burguesa como o mais próximo que se chegou de uma real guerra nuclear.

No ano anterior os Estados Unidos já haviam tentado invadir Cuba para derrubar o governo de Fidel Castro no episódio conhecido como a “Invasão da Baía dos Porcos”. A operação, fracassada, foi levada a cabo pelo governo do presidente John Fitzgerald Kennedy, que havia assumido o cargo apenas três meses antes. A ataque americano foi organizado pela CIA, que treinou 1297 exilados cubanos, a maior parte deles moradores de Miami. Kennedy vetou o uso da força aérea para não denunciar o pleno envolvimento do governo americano. Foi realizado entre os dias 15 e 20 de abril de 1961.

Operação Mangusto

Em novembro daquele mesmo ano os americanos lançaram a Operação Mangusto (ou Projeto Cuba), uma série de ataques terroristas e operações de sabotagem organizadas pela CIA com o objetivo de destruir o governo socialista em Cuba, algo que se tornou o objetivo central da política de Kennedy. A operação, ao longo de décadas, fez dezenas de tentativas de tentar assassinar Fidel Castro. O governo americano investiu 50 milhões de dólares por ano, utilizando cerca de 2.500 pessoas para este fim. A CIA se utilizou até dos serviços da Máfia, que queriam reaver os seus cassinos na ilha. Outros tipos de operações feitas pelo Projeto Cuba foram sabotagens contra refinarias de petróleo, pontes, usinas elétricas e outras instalações vitais. Além disso em fevereiro daquele ano o embargo dos Estados Unidos a Cuba é ampliado para a proibição quase completa das exportações da ilha.

Envolvimento da União Soviética

Com isso Fidel Castro logo entendeu que novos ataques a Cuba eram iminentes e se encontrou com o presidente soviético Nikita Khrushchov em julho de 1962. Krushov concordou que a única maneira de Cuba se defender mais eficientemente da ameaça americana seria com a presença de mísseis nucleares e com isso começaram secretamente a construção de bases de lançamentos de mísseis e o fornecimento dos mísseis nucleares pelos soviéticos.

Na época os Estados Unidos já haviam construído bases de mísseis em países como a Turquia e a Itália, países próximos à União Soviética. Para os soviéticos instalar bases em Cuba seria igualar as condições de ataque de ambos os blocos, além de demonstrar apoio ao povo cubano.

Para os soviéticos a situação também se apresentou como uma oportunidade para tentar conseguir o controle de Berlim Ocidental, que estão estava ocupada pelos americanos, britânicos e franceses. Os soviéticos consideravam que um controle de uma parte de Berlim representava uma séria ameaça para a Alemanha Oriental. Com isso Khrushchov tentou usar o episódio de Cuba para barganhar com os americanos a retomada de Berlim, que era estrategicamente mais importante para eles que Cuba.

No dia 14 de outubro de 1962 um avião espião americano, um U-2, fez a primeira evidência fotográfica de mísseis em Cuba, uma base em San Cristóbal, na província de Pinar del Río.

Auge da crise

A crise se tornou explícita entre a União Soviética e os Estados Unidos. Kennedy considerou várias maneiras de resolver a situação incluindo um ataque completo a Cuba com seu total poderio militar, mas acabou desistindo da ideia. Durante os 13 dias seguintes o povo americano se desesperou com a possibilidade do início de uma guerra nuclear. Foi mais uma manipulação feita pelo governo americano para colocar a culpa nos comunistas, algo feito para mascarar as verdadeiras intenções do imperialismo.

Em 27 de outubro, após muitas deliberações entre o governo Kennedy e a União Soviética houve um acordo em que Khrushchov concordou em retirar todos os mísseis de Cuba e em contrapartida Kennedy se comprometeu em retirar os mísseis da Turquia e também os localizados no sul da Itália.

Este episódio mostrou a total capitulação do regime da burocracia soviética liderada por Khrushchov. A retirada dos mísseis de Cuba deixou o país à mercê de sua própria sorte, como ficou demonstrado pela continuidade da Operação Mangusto, que continuou sabotando o governo cubano e pelas inúmeras tentativas de assassinato de Fidel. Khrushchov capitulou quando confiou na palavra de Kennedy, que como vimos antes, estava empenhado com sua principal tarefa que era eliminar de qualquer maneira o regime socialista de Cuba e remover todos os traços de socialismo na América Latina. Felizmente Cuba resistiu e resiste até hoje, mas não por causa do apoio do regime soviético.

Cuba, naquele momento, estava implantando seu programa de reforma agrária, iniciado logo após a revolução cubana. O governo expropriou enormes latifúndios e redistribuiu a terra para milhares de camponeses que nela trabalhavam. Che Guevara foi o ministro do INRA, Instituto Nacional de Reforma Agrária, que também criou uma milícia de 100 mil pessoas, que controlava as terras expropriadas, além de supervisionar a distribuição dos produtos e criar fazendas cooperativas. A expropriação incluiu quase 2000 quilômetros quadrados de terras que pertenciam a corporações americanas.

Portanto esta crise nunca se tratou de um possível conflito nuclear. Foi mais uma ação do imperialismo que foi vendida para o povo americano como uma ameaça nuclear dos comunistas soviéticos. Khrushchov, sucessor de Joseph Stalin, foi um continuador da política deste, um contrarrevolucionário que fez o possível para sabotar todas as revoluções socialistas pelo mundo. Acabou sendo tirado do poder na União Soviética por seus adversários de burocracia, acusado por seus inúmeros erros políticos, especialmente na condução da crise de Cuba. Foi substituído por Leonid Brejnev e passou seus últimos sete anos de vida em prisão domiciliar em Moscou.

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