130 anos após a abolição, negros ganham menos, têm condições de vida mais precária

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Os 300 anos de  escravidão determinaram, em largas linhas, a formação da estrutura econômica, política e social do Brasil contemporâneo. Mais que uma mácula é um principium. Há 130 anos era promulgada a abolição da escravatura no último reduto do mundo onde essa ainda vigorava, o Brasil. O fim da escravidão foi também o fim do nosso “Ancien Regime”, o império, e o passo decisivo em direção a República.

A República burguesa, no entanto, não foi capaz de levar adiante revolução democrática e promover a igualdade de fato entre os brancos e os negros saídos da escravidão. Antes, a República burguesa e a burguesia valeram-se dessa desigualdade jurídica, política, social, cultural e, fundamentalmente, econômica para impor ao negro uma situação de inferioridade de fato, e não jurídica, em relação aos demais setores sociais.

O motivo é óbvio, submeter o negro a uma mais selvagem exploração, forçar o salário em geral para baixo, desresponsabilizar o Estado de prover serviços básicos a essa população, que é, aliás, pelo menos metade da população. Foram eliminados também do acessão ao controle do Estado.

O 13 de Maio, data da promulgação da Lei Áurea, que aboliu a escravidão, foi obra da mobilização revolucionária das massas dos escravos e dos libertos, bem como dos Republicanos. A mera lembrança de manifestações de massas que misturadas com ideais republicanos como igualdade, liberdade e fraternidade, vistos na França em 1789 e no Haiti em 1793 vez ruir toda a estrutura politica do imperio do Brasil.

Os anseios das massas, sobretudo dos negros, não foram contemplados pela república burguesa. Foram frustrados, o negro conseguiu a liberdade formal, mas continuou a ser perseguido, conquistou a  igualdade formal, mas não substantiva, e nada de fraternidade.

Os dados dos dias de hoje, mostram, justamente o resultado desta inferioridade a que o Estado burguês, sob protestos, submeteu e submete o negro. Colocando-o na miséria, no gueto, na marginalidade, na precariedade. Como forma de organização social, o negro é a base da pirâmide, local que lhe fora reservado e do qual não lhe é permitido sair.

Recebe R $ 1,2 mi, a menos do que a média salarial do branco. No andar de cima, dos 10% mais ricos, mais de 80% são brancos. Entre os 10 % mais pobre a situação é inversa, construir mais 80%. É o principal atingido pelo desemprego e o principal setor que exerce trabalho informal, precário e muitas vezes em condição de semi-escravidão.

Os indicadores educacionais são tão gritantes, apenas 8% dos negros com mais 25 anos, cursam ou cursaram universidades, mesmo constituindo a maioria da população.

Essa situação de inferioridade real que o negro é submetido pelo Estado é o que gera o reflexo psicológico a que se chama racismo e que o negro também sofre.

A burguesia já mostrou-se incapaz de levar ao negros e todos os setores oprimidos a igualdade, liberdade e fraternidade, pelo contrário, afasta-os. A luta do negro está intrinsecamente relacionada à luta da classe operária pelo socialismo