Tenor italiano morreu em 2007
Luciano Pavarotti foi um dos principais responsáveis pela popularização da ópera e um dos grandes intérpretes das obras de Puccini, Verdi e Rossini
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Luciano Pavarotti em 1997 | Foto: Fabian Bimmer/Associated Press

Luciano Pavarotti nasceu em Modena, ao norte da Itália em 12 de outubro de 1935, filho de Fernando Pavarotti, padeiro e tenor amador e Adele Venturi, trabalhadora de uma fábrica de cigarros. Teve uma infância muito pobre e a família de quatro pessoas morava em um apartamento de dois quartos. Segundo Luciano, o seu pai tinha uma boa voz de tenor, mas desistiu de uma carreira como cantor por causa de seu nervosismo. Mas o padeiro cantor se tornou famoso na cidade.

Luciano tinha quatro anos quando começou a Segunda Guerra Mundial. A Itália fascista se alinhou aos nazistas, mas Modena, localizada na região de Emilia-Romagna, era um reduto dos partisanos, voluntários que combatiam os fascistas.

A chegada dos nazistas a Modena forçou a família a se mudar em 1943. Eles foram morar em uma fazenda nos arredores da cidade.

Quando criança Luciano adorava jogar futebol. Depois de se formar na Scuola Magistrale ele mostrou interesse em seguir carreira como profissional do futebol como goleiro, mas sua mãe o convenceu a se tornar professor.

Aos 12 anos de idade Luciano jogava bola descalço. Ele pisou em um prego e ficou doente, com uma séria infecção. Ficou tão doente que um padre chegou a ministrar-lhe a extrema unção. Mas ele conseguiu se recuperar porque na época haviam chegado à Itália as primeiras doses de penicilina. A partir daí começou a cultivar várias superstições, como colecionar pregos tortos, não passar por baixo de escadas e evitar a todo custo a cor púrpura.

O jovem Luciano cantava desde pequeno. Ouvia incessantemente os discos de seu pai, a maior parte dos tenores populares da época como Beniamino Gigli, Giovanni Martinelli, Enrico Caruso, Tito Schipa. Mas o seu maior ídolo era Giuseppe Di Stefano, além de gostar muito também de Mario Lanza, que além de cantor era ator. Com o pai começou a cantar no coro da igreja e também no famoso Coro Rossini. Em 1955, esse coral ganhou o primeiro prêmio em um festival internacional em Llangollen, no País de Gales. Segundo Luciano, este foi a mais importante experiência de sua vida.

Os estudos mais sérios de música começaram em 1954, quando tinha 19 anos. Começou a estudar com Arrigo Pola, que se ofereceu a dar aulas de graça. Mas segundo o regente Richard Bonynge, Pavarotti nunca conseguiu aprender a ler música. Nos estudos das músicas que cantava, Pavarotti teve a ajuda, em toda sua vida, de Leone Magera, pianista e regente, casado com a soprano Mirella Freni.

Nesses anos de estudo, Luciano sempre teve que trabalhar para se sustentar, assim atuou como professor e também como corretor de seguros.

Quando Arrigo Pola se mudou para o Japão, Pavarotti começou a ter aulas com Ettore Campogalliani, que na época estava dando aulas para uma Mirella Freni, amiga de infância do futuro tenor, cuja mãe havia trabalhado ao lado da mãe de Luciano numa fábrica de cigarros. Freni também iria se tornar uma famosa cantora de ópera.

A estreia de Pavarotti como tenor foi em 1961 com apresentações em pequenas casas de ópera. Sua primeira apresentação foi no papel de Rodolfo em “La Bohème” de Giacomo Puccini no Teatro Municipal de Reggio Emilia em abril de 1961. Nesse ano se casa com a namorada de longa data, Adua Veroni.

Em 1963, fez sua estreia internacional cantando na ópera “La Traviata” em Belgrado, antiga Iugoslávia. Fez também sua estreia na famosa Opera de Viena em 23 de fevereiro de 1963 também cantando em “La Traviata”.

Mas o grande salto em sua carreira foi ao conhecer a lendária soprano Joan Sutherland e seu marido, o regente Richard Bonynge, quando estes procuravam um tenor para fazer uma turnê pela Austrália em 1965. Segundo Pavarotti, Sutherland lhe ensinou técnicas de respiração que o sustentariam pelo resto de sua carreira. Eles fizeram mais 40 apresentações em dois meses em solo australiano.

Na volta à Itália, Pavarotti adicionou o papel de Tebaldo de “I Capuleti e i Montecchi” de Vincenzo Bellini a seu repertório. Em junho de 1966 se apresentou na ópera “La Fille du Régiment”, de Gaetano Donizetti, no Royal Opera House em Londres. Esta apresentação lhe rendeu o título de “O rei do dó de peito”, pela sua perfeição em alcançar nove vezes a nota aguda que aflige a maioria dos tenores. Sua performance foi um marco no mundo da ópera e também no mundo da cultura popular.

A partir daí Pavarotti se tornou um dos maiores nomes da ópera. Nos Estados Unidos sua fama se consolidou em 1972, quando se apresentou na Metropolitan Opera em Nova York, mais uma vez cantando em “La Fille du Régiment”, recebendo uma prolongada ovação da plateia.

A partir de 1979 começa a expandir seu repertório para a música popular com o lançamento de seu LP “O Sole Mio (Favourite Neapolitan Songs)”, uma coleção de suas canções napolitanas favoritas como “Funiculi-Funiculà”, “Pecchè” e a faixa título. Em 1982 estrela o filme longa metragem “Yes, Giorgio”. Outros discos de canções populares do tenor incluem “Mamma” de 1984 e “Volare” de 1987, ambos com arranjos de Henry Mancini e “Passione” de 1985.

Em 1986 faz um concerto na Grande Muralha da China perante mais de 10 mil pessoas. Em 1990, gravou a música que iria se tornar a sua marca registrada, “Nessun Dorma”, uma ária da ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini.  O sucesso foi tamanho que a ária acabou adquirindo status de música pop. A música foi usada como tema da cobertura da rede BBC da Copa do Mundo de Futebol de 1990 na Itália. Esse sucesso foi seguido pelo concerto dos Três Tenores, realizado na véspera da final da Copa, nas Termas de Caracala, em Roma, ao lado dos tenores Plácido Domingo e José Carreras, com regência de Zubin Mehta.

O concerto atraiu uma audiência global, tornando-se o disco de música clássica mais vendido em todos os tempos.

Ao longo dos anos seguintes Pavarotti estreitou seus laços com a música pop, fazendo duetos com nomes como U2, Dolores O’Riordan (do Cranberries), Mercedes Sosa, B.B. King, Sheryl Crow, Queen, George Michael, Spice Girls, James Brown e inúmeros outros.

Um câncer no pâncreas foi diagnosticado em julho de 2006. O tenor lutou contra a doença, submetendo-se a várias cirurgias e intervenções, mas acabou falecendo em sua casa em Modena em 6 de setembro de 2007. Apesar de rico e famoso, nunca se esqueceu de suas raízes em Modena, onde viveu durante toda sua vida.

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