Preto, pobre, grande escritor.
“Nasci sem dinheiro, mulato e livre. A minha esperança está no milhar 47875. Se ele não der, não sei como salvo esta bodega” (Lima Barreto)
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Lima Barreto só muito tarde foi reconhecido como um dos nossos maiores escritores. |

O grande escritor Lima Barreto (Afonso Henriques de Lima Barreto 1881 — 1922) morreu com apenas 41 anos, no ano de 1922, em 1º de novembro daquele ano. Lima Barreto faleceu de um colapso cardíaco em sua casa, no paupérrimo bairro de Todos os Santos do Rio de Janeiro.

Lima Barreto era um dos nossos maiores escritores e jornalistas. Escreveu certa vez: “Nasci sem dinheiro, mulato e livre. A minha esperança está no milhar 47875. Se ele não der, não sei como salvo esta bodega” (Lima Barreto, Vida urbana).

Escritor de Romances, contos, crônicas, sátiras e muito mais, atirou-se de corpo e alma no mar das letras, “Queimei os meus navios; deixei tudo, tudo, por essas coisas de letras”. Profícuo escritor deixou grandes obras, livros clássicos da sua curta e imensa vida: Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909); Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911); Os Bruzundangas (1923), póstumo; Bagatelas (1923), póstumo; Clara dos Anjos (1948), póstumo; Diário Íntimo (1953), póstumo; Feiras e Mafuás (1953), póstumo; Marginália (1953), póstumo; Vida Urbana (1953), póstumo; Cemitério dos Vivos (1956), póstumo e inacabado; outras.

Negro e pobre num Brasil extremamente racista, “Eu sofria honestamente por um sofrimento que ninguém podia adivinhar; eu tenho sido humilhado, e estava, a bem dizer, ainda sendo, eu andei sujo e imundo, mas eu sentia que interiormente eu resplandecia de bondade, de sonho de atingir a verdade, do amor pelos outros, de arrependimento dos meus erros e um desejo imenso de contribuir para que os outros fossem mais felizes do que eu, e procurava e sondava os mistérios da nossa natureza moral, uma vontade de descobrir nos nossos defeitos o seu núcleo primitivo de amor e de bondade.”

O Lima como era chamado com carinho, ria da coincidência de ter nascido no ano da morte de  Dostoiévski, 1881. Ambos, grandes viciados — o primeiro no jogo e o segundo na bebida — e, portanto, grandes sofredores. Dostoiévski obstinado em escrever uma literatura inequivocamente russa, em cima da vida e dos valores mais caros ao povo russo, até mesmo implicante com influências do oeste europeu; Lima Barreto na mesma obstinação de praticamente inventar o caminho tropical e brasileiro da ficção. Curioso é que Dostoiévski nasceu no ano de 1822 e, exatos cem anos depois, em 1922 morreu Lima Barreto.

O grande Lima Barreto deixou (falecendo aos apenas 41 anos) dezessete volumes que reúnem sua obra completa; e, bem ao contrário do que somos propensos a imaginar, deixou uma obra sem choramingas, escrita com muito humor, ao estilo da melhor picardia carioca e, ao mesmo tempo, com denso e dramático questionamento quanto aos destinos do homem e os rumos da humanidade. Apostou tudo em seu talento, tudo investiu — seu sangue, sua juventude, seu suor— na aventura literária.

Só muito tarde foi reconhecido como um dos nossos maiores escritores, quando Inês era morta. A maior parte de sua obra foi redescoberta e publicada em livro após sua morte por meio do esforço de Francisco de Assis Barbosa e outros pesquisadores, levando-o a ser considerado um dos mais importantes escritores brasileiros.

Lima Barreto um jornalista e escritor brasileiro, que escreveu para periódicos anarquistas do início do século XX. Em abril de 1907, Lima Barreto fez suas primeiras contribuições para uma revista de grande circulação, ao se tornar secretário da Fon-Fon, a pedido do poeta e jornalista Mário Perdeneiras. Além destas, Barreto também contribuiu para as revistas A.B.C. e Careta.

Em 1911, publicou o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma nas páginas do Jornal do Commercio, pagando do próprio bolso a edição em livro lançada em dezembro de 1915. Nessa época, tornaram-se mais agudas as crises de alcoolismo e depressão do escritor, o que provocou sua primeira internação no hospício em 1914.

Lima iria morrer na pobreza sem ter reconhecido seu direito de ingressar na Academia Brasileira de Letras. Nos períodos de internação no hospício resultaram na composição de diversos diários e no romance inacabado Cemitério dos Vivos, do qual trechos foram publicados em 1921, mesmo ano em que o autor apresentaria sua terceira candidatura à Academia Brasileira de Letras (nas duas tentativas anteriores, fora preterido; nesta última, o próprio escritor desistiria antes das eleições.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas