120 veículos queimados: direita organiza campanha para ocupar militarmente o Ceará

Os militares continuam sua estratégia de “aproximações sucessivas” rumo a uma ditadura no Brasil. As Forças Armadas já ocupam Rio Grande do Norte desde dezembro, e em fevereiro tomaram o Rio de Janeiro – um “laboratório” para intervenção em nível nacional. O estado do Ceará está hoje também na mira dos generais golpistas.

Há um mês, o governador do estado, Camilo Santana (PT), num verdadeiro suicídio político, solicitou a ação do governo golpista de Michel Temer nas forças de segurança locais. No último dia 19, com as primeiras mobilizações contra a prisão de Lula, chegou a Fortaleza uma força-tarefa federal destinada a tomar a região metropolitana da capital. Em seguida, teve lugar uma série de acontecimentos violentos sem autoria declarada: bombas, tiros, incêndios – todos noticiados pela imprensa golpista como um caos, que demandaria a intervenção militar numa operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Supostamente, seriam obra de “facções criminosas” que estariam dominando a cidade. Evidentemente, essas ações são coordenadas justamente pela direita, de modo a justificar o aprofundamento da repressão no Ceará por meio das Forças Armadas, como ocorreu durante o último carnaval carioca.

Em Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza, foram incendiados 10 automóveis e 100 motocicletas no pátio da Secretaria de Infraestrutura do município, outros dez ônibus da rede municipal de transporte coletivo também foram destruídos na série de atentados que atingiram também edifícios públicos.

Com a paralisação da rede de transportes, a cidade tende a parar, criando-se as condições concretas para uma nova intervenção militar. É preciso denunciar que não se trata ali de um problema local de segurança pública, mas sim da ação articulada das Forças Armadas rumo ao estabelecimento de um regime ditatorial no país e rumo à intensificação da repressão àqueles que se opõem ao golpe. A experiência do Rio de Janeiro, com o aumento da ordem de 20% nos homicídios e a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), mostra o verdadeiro propósito da intervenção militar: criminalizar e perseguir lideranças e organizações populares.

Tais ações vêm ganhando terreno à medida em que a prisão do ex-presidente Lula pelos golpistas se torna iminente. A escalada do arbítrio, o aprofundamento do regime de exceção, só podem ser detidos com a mobilização resoluta da população contra o golpe, contra a prisão de Lula, e contra as intervenções militares no país.