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Há 239 anos, nascia Juana Azurduy Bermúdez, conhecida como Flor del Alto Perú, filha de um fazendeiro e de uma indígena, célebre comandante militar de tropas nativas nas guerras de independência da América Espanhola.

Nascida em Toroca, próximo a Chuquisaca – atual Sucre, na Bolívia –, Juana estudou num convento, de onde foi expulsa aos 17 anos por seu espírito rebelde. Aos 25 anos – tarde para a época – decidiria casar-se com o fazendeiro vizinho, Manuel Ascensio Padilla, com quem teria cinco filhos.

Em 1805, estourou a Revolução de Chiquisaca – conhecida como O primeiro grito libertário da América. A região pertencia ao vice-reinado do Alto Peru – ou do Rio da Prata – o como então se chamava a Bolívia acrescida de territórios da Argentina, Brasil, Chile, Peru, e Paraguai. Juana e Manuel, ambos nacionalistas, entraram em combate em 1809, carregando consigo os filhos e dando início a uma carreira militar em comum que . A família seria presa e escaparia sucessivas vezes, numa trajetória de lutas atravessaria todos os grandes conflitos de libertação da região e só se concluiria com a morte de Padilla em 1816, decapitado num combate em La Laguna em que também Azurduy sairia ferida com dois tiros. Juana Azurduy recuperou-se e retornou ao local para resgatar o corpo do marido, com tal fúria que a batalha é considera a mais cruel das guerras da independência da América Espanhola: todo soldado realista que atravessasse o caminho era morto.

A carreira militar de Azurduy duraria até 1821, qeuando seu segundo companheiro, Miguel de Guemes, também seria morto. Sempre admirada como estrategista e combatente, era hábil amazona e feroz no manejo de sua espada ao mesmo tempo que se articulava politicamente com líderes da guerra de libertação como Juan José Castelli, Antonio González Balcarce ou Eustoquio Díaz Vélez.

Recolhida a seus cuidados em Chiquisaca, seria reconhecia pelo próprio general Simón Bolívar, que atestaria quando da independência da Bolívia em 1825: “Este país não deveria se chamar Bolivia em homenagem a mim, mas Padilla ou Azurduy, porque são eles os que o tornaram livre”. Seria ainda em vida nomeada tenente coronel pelo general Manuel Belgrano, falecendo em 25 de maio de 1862 na pobreza e sepultada como indigente.

Heroína da independência na Bolívia e no Chile, Juana Azurduy teria seu posto de libertadora da América oficialmente reconhecido somente no século 20, inspirando a música e a literatura. quando ascenderia ao posto de marechal do exército boliviano e general do exército argentino post mortem. Em 2015, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, inauguraria uma estátua de 25 toneladas e nove metros em sua homenagem em Buenos Aires, de autoria de Andrés Zerneri.

Mulher determinada, nativa e nativista, revolucionária abnegada e hábil militar. Juana Azurduy é parte da memória dos povos americanos, e sua história deve ser recontada para inspirar a luta contra a opressão em todos os tempos.


Ouça abaixo a canção Juana Azurduy, de Félix Luna e Ariel Ramírez, interpretada por Mercedes Sosa, que a interpretaria no filme Güemes – la tierra en armas, dirigido pelo argentino Leopoldo Torre Nilsson em 1971.

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