12 de fevereiro de 2019: 99º aniversário de Heleno de Freitas, o goleador elegante

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Da redação – Hoje é o 99º aniversário de uma das figuras mais importantes da história do Futebol brasileiro. Heleno de Freitas ou o “Príncipe maldito”. Heleno foi considerado o primeiro “craque problema” – como são apelidados o bons jogadores que têm uma personalidade explosiva e briguenta. No caso de Heleno, as brigas e os destemperos foram algo corrente em toda sua vida, dentro do campo ou fora dele. Inclusive, muitas vezes isso o levou a expulsão do jogo ou a encrencas maiores em sua vida pessoal.

Muito há de ser dito sobre Heleno de Freitas, sua personalidade, com sua atitude boêmia, sua aparência “boa pinta” e sua vida extravagante poderia ser facilmente criada por um roteirista norte-americano para um filme de Hollywood dos anos 40. Heleno, com toda sua elegância, também era um grande admirador de Jazz e Dostoiévski.

Nasceu em São João de Nepomuceno, em Minas Gerias, mas logo se mudou para o Rio de Janeiro, em uma família da alta sociedade, onde se formau em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Seu pai era dono de um cafezal e tinha um comércio de papel e chapéus.

A origem social de Heleno de Freitas explica muito sobre sua vida boêmia e despreocupada. A juventude adulta do futuro jogador foi marcada pela intensivo consumo de drogas, passeios em carros caros, cercado de mulheres, e pela frequentação de diversas boates noturnas. Estilo de vida que não parou quando entrou se tornou profissional do futebol, o que acabou lhe acarretando problemas com sífilis, inclusive tendo de ser internado por conta da doença.

Porém, apesar do caráter excêntrico, Heleno de Freitas era um verdadeiro craque do futebol brasileiro. Considerado por muitos, o segundo melhor do período anterior a Pelé, ficando atrás apenas de Leônidas (“O Diamante Negro”), inventor da bicicleta. Sua carreira futebolística profissional começa quando, descoberto no time do Botafogo de praia, é levado para o time principal em 1937.

O peso da responsabilidade atolou o craque desde o início. Sua função era substituir o ídolo alvinegro, Carvalho Leite, que havia sido goleador do tetracampeonato estadual (1932 a 1935) do torneio carioca. Sua habilidades no cabeceio foram logo de início reconhecidas, pois tratando-se de um atacante esta qualidade era primordial, na época em que a maioria não sabia utilizar-se desta manobra. Ficou famoso pelos cabeceios precisos e fatais para o time adversário, mas também pela sua postura em campo.

Apesar de nunca ter sido campeão pelo Botafogo, foi o maior ídolo do time até a chegada de Garrincha. Com 233 partidas pela “Estrela solitária”, Heleno marcou 204 gols. Em toda sua carreira, foram 360 jogos disputados, com um total de 278 gols – uma média de 0,77 gols por jogo disputado. Na estatística, isso significa que a cada jogo disputado por Heleno, havia 77% de chances dele realizar um gol. Um número muito alto, até para os índices atuais. E por isso é reconhecido até hoje como um dos maiores goleadores da história do futebol.

Apesar de a maioria das partidas terem sidas disputados pelo Botafogo, Heleno de Freitas ainda jogou em diversos outros times, como Boca Juniors, Vasco da Gama e Santos, passando pelo Junior de Barranquila na Colômbia.

Pela seleção brasileira, sua carreira foi curta. Isso porque no auge de sua carreira futebolística, 1937-1945, não ocorreram copas do mundo devido à 2ª Guerra Mundial. Porém, mesmo assim disputou 18 partidas pela seleção, marcando 15 gols. Foi campeão pelo Brasil da Copa Sul-Americana de Futebol (atual Copa América), sendo goleador com 6 gols realizados. Na copa de 1950, uma briga feia com o treinador o deixou fora da copa, perdendo sua única possibilidade de realizar seu sonho, que era ser campeão mundial pela seleção brasileira.

Heleno de Freitas é mais um dos jogadores produzido pelo Brasil que merece estar na lista de melhores do mundo da história do futebol. Sua personalidade nada ordinária tornou-o um dos personagens mais interessantes do futebol brasileiro. Por isso, seu aniversário não poderia passar batido da redação deste jornal, que procura salvaguardar a história do melhor futebol do mundo, o futebol-arte do brasileiro, ao qual Heleno é um elemento indispensável à sua criação.