11/02/1917
Em 11 de fevereiro de 1917, há 104 anos, faleceu na cidade de Petrópolis Oswaldo Gonçalves Cruz um grande cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista.
Guerra_Vaccino-Obrigateza!
Guerra da vacina obrigatória, O Malho, nº 111, 29/10/1904 | Arte: Leonidas Freire (1882 - 1943)
Guerra_Vaccino-Obrigateza!
Guerra da vacina obrigatória, O Malho, nº 111, 29/10/1904 | Arte: Leonidas Freire (1882 - 1943)

Em 11 de fevereiro de 1917, há 104 anos, faleceu na cidade de Petrópolis Oswaldo Gonçalves Cruz um grande cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Seu trabalho seria de extrema relevância, sendo pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil, sendo fundador do Instituto Soroterápico Federal que daria origem ao Instituto internacionalmente respeitado Oswaldo Cruz.

O personagem e seu papel no Estado

Cruz nasceu em São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, filho de cariocas aos 5 anos retornou com a família ao Rio de Janeiro. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1892 com a tese “A vehiculação microbiana pelas aguas”, estagiou durante 3 anos no Instituto Pasteur, em Paris, sendo discípulo de Émile Roux, seu diretor. no seus retornou ao Brasil em 1899, organizou o combate ao surto de peste bubônica ocorrido em Santos (SP) e em outras cidades portuárias.

Foi fundador do Instituto Soroterápico Federal (1900), assumindo sua direção em 1902. No ano de 1903 foi nomeado Diretor-geral da Saúde Pública pelo  Ministro da Justiça José Joaquim Seabra e pelo Presidente Rodrigues Alves. Sendo coordenador das campanhas de erradicação da febre amarela e da varíola no Rio de Janeiro. Também organizou os batalhões de “mata-mosquitos”, encarregados da eliminação dos focos dos insetos vetores de doenças.

As condições sanitárias da cidade do Rio de Janeiro eram uma das piores do mundo, os boletins sanitários da época retratam que a Saúde Pública em um mês vistoriou 14.772 prédios, extinguiu 2.328 focos de larvas, limpou 2.091 calhas e telhados, 17.744 ralos e 28.200 tinas. Lavou 11.550 caixas automáticas e registos, 3.370 caixas d´água, 173 sarjetas, retirando 6.559 baldes de lixo e dos quintais de casas e terrenos 36 carroças de lixo, gastando 1.901 litros de petróleo

Mesmo premiado no Congresso Internacional de Higiene e Demografia, em 1907 na cidade de Berlim, deixou a Saúde Pública em 1909, tendo enfrentado gigantesca resistência resultando na Revolta da Vacina ou “Quebra-lampião”. Em 1916 fundou a Academia Brasileira de Ciências e assumiu a prefeitura de Petrópolis, vindo a falecer um ano depois  vítima de insuficiência renal.

A revolta popular

Em 1904 a vacina ainda era uma descoberta bem recente, não havia se passado uma década dos primeiros experimentos imunizadores. Fora isso, a política do governo de demolir imóveis para modernizar a cidade, junto com os métodos usados para combates a epidemias que eram invasivos e às vezes chegavam a resultar na demolição fizeram os preços dos aluguéis subirem, expulsando a população operária para os altos dos morros. 

Toda a política de inovação da cidade e limpeza sanitária eram extremamente impopulares, e o governo demonstrava pouco interesse em campanhas de conscientização largando mão da repressão generalizada em seu lugar. A oposição se aproveitava da situação e tentava capitalizar politicamente a situação com destaques para o tenente-coronel Lauro Sodré, e o major Barbosa Lima, ambos militares positivistas e florianistas.

Entretanto a verdadeira oposição às ações dracônicas do governo vinha das organizações operárias e populares, em 5 de novembro, seria fundada a Liga Contra a Vacina Obrigatória, na reunião no Centro das Classes Operárias presidida por Lauro Sodré e Vicente de Souza estavam presentes duas mil pessoas. 

No dia 09 de novembro de 1904, o jornal A Notícia (Rio de Janeiro) publicou o plano de regulamentação da aplicação da vacina obrigatória, houve uma reação popular violenta, no dia seguinte foram tomadas a Rua do Ouvidor, a Praça Tiradentes e o Largo de São Francisco de Paula, com oradores populares discursando contra a lei e o regulamento da vacina.

Na tarde do dia 11, já estavam nas ruas a palavra de ordem  “Morra a polícia! Abaixo a vacina!”, o dia terminou com 15 presos, entre eles 5 estudantes e 2 funcionários públicos. Na noite do dia 12, na reunião para discutir e aprovar as bases da Liga, estavam presentes mais 4 mil pessoas, após a reunião saíram em passeata e chegaram a atirar contra o carro do comandante da Brigada Policial, general Piragibe.

Nos dias seguintes os conflitos se intensificaram e generalizaram, havendo ataques aos bondes, combustores de gás e iluminação, sendo levantadas barricadas pelas ruas. Na periferia as forças repressivas eram sumariamente expulsas, havia tiroteios e o Exército e a Marinha passaram a guarnecer prédios e locais estratégicos. Nesse processo ocorreu uma tentativa mal sucedida de golpe militar, onde Travassos um dos sublevados da Escola Militar da Praia Vermelha veio a falecer.

A cidade chegou a ser dividida em três zonas de policiamento, onde o Exército e a Marinha se responsabilizaram por uma zona. No dia 16 foi decretado estado de sítio, após muita repressão principalmente ao bairro da Saúde,  atacado pelo 7º Batalhão de Infantaria e por mar pelo couraçado Deodoro. Neste momento foi preso o Horário José da Silva, conhecido como Prata Preta. Capoeirista e estivador, um dos principais e mais temidos líderes da revolta. 

Ao mesmo tempo, no dia 16 o governo suspendeu a vacinação obrigatória, extinta a principal causa da deflagração o movimento começa a refluir. A revolta teve repercussão pelo país principalmente na Bahia e no Recife. Foram detidas 945 pessoas, desta só 4 foram processados. A Escola da Praia Vermelha foi fechada e seus alunos espalhados para regiões distantes e depois desligados do Exército. O saldo pior foi para a população mais pobre do Rio de Janeiro que teve que suportar uma repressão pesada e perdeu 6400 pessoas para a pandemia de varíola em 1908. 

A política do Doria tem apenas demagogia e truculência

A política atual de vacinação do João Doria é igualmente a política de Rodrigues Alves, repleta de truculência e repressão com a população mais pobre. Dória com sua demagogia difere nesse ponto da política de Alves, que Oswaldo Cruz era considerado um sanitarista de reconhecimento internacional 

Hoje o mentor e principal defensor da política de vacinação obrigatória é o Doria, político de pura demagogia e repressão com a classe trabalhadora. Os números denunciam que São Paulo é um dos estados com maior índice de mortes por COVID-19, um verdadeiro genocídio da população pobre.

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