Craque do nosso futebol
Escolhido como “bode espiatório” da derrota brasileira na Copa do Mundo de 1950, Barbosa foi um grande goleiro e merece ser lembrado como tal.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Moacir Barbosa Nascimento, o goleiro Barbosa, nasceu em 27 de março de 1921 na cidade de Campinas/SP. Apesar de começar sua carreira no futebol como ponta-esquerda, foi debaixo das traves que se estabeleceu como um dos melhores jogadores do seu tempo. Chegando ao Vasco em 1945, fez parte do histórico “Expresso da Vitória”, que atropelou grandes times de dentro e de fora do país, incluindo o River Plate de Di Stéfano.

Com propriedade, Barbosa chegou à Copa do Mundo de 1950 como titular absoluto no gol brasileiro. O primeiro mundial depois da inacreditável destruição da Segunda Guerra Mundial vinha para consagrar o Brasil como a maior potência do esporte. O hoje lendário estádio do Maracanã foi construído para essa Copa.

Uma Seleção ofensiva balançava as redes adversárias sem dó, enquanto Barbosa fechava o gol brasileiro. A campanha até o jogo final foi impecável, incluindo goleadas por 7 X 1 na Suécia e 6 X 1 na Espanha. Tudo apontava para a consagração da equipe anfitriã e as comemorações do título tiveram início antes da hora.

A mesma imprensa que antes da Copa vinha criticando excessivamente a equipe e a organização do evento, passou a incentivar essas comemorações antecipadas em suas manchetes, declarando que a Seleção Brasileira já era campeão mundial. Por volta de 200 mil pessoas sobrelotaram o recém inaugurado templo do futebol para participar da festa.

Depois de abrir o placar, a equipe brasileira esfriou o jogo e sofreu as consequências. O Uruguai empatou a partir de uma jogada do ponta Ghiggia, que correu para o canto da área e cruzou para o gol de Schiaffino. O resultado ainda dava o título ao Brasil, mas a falta de reação da equipe manteve os espaços abertos para os uruguaios.

Alguns minutos depois, Ghiggia chegava pela direita no que parecia ser uma repetição da jogada do primeiro gol uruguaio. Para impedir uma nova finalização de Schiaffino na cara do gol, Barbosa se antecipou para bloquear o cruzamento. Ghiggia espertamente conseguiu finalizar para o gol, entre Barbosa e a trave, colocando o Uruguai na frente. Ainda restavam 11 minutos de jogo, mas nossa Seleção não conseguiu reagir a tempo.

Foi justamente o tipo de lance que torna o futebol especial e imprevisível. Nenhum outro jogador, nem a imprensa que impulsionou o “oba oba”, sofreu a condenação informal da qual o goleiro Barbosa foi vítima. Mesmo continuando a conquistar títulos pelo Vasco e se destacando pelas atuações debaixo das traves, nunca mais jogou uma Copa do Mundo. Em 1994, o senhor de mais de 70 anos de idade, uma lenda do esporte, passou pela humilhação de ser barrado da concentração da Seleção Brasileira por representar um “mau agouro”.

Barbosa, como muitos jogadores de prestígio, morreu pobre. Saiu do Rio de Janeiro para não ter que responder sobre a derrota do Brasil em 1950. Foi amigo de Ghiggia, que sempre admirou o futebol brasileiro. Teve que conviver ainda com a conversa mole de que “goleiro negro não dá certo na Seleção”, mito definitivamente destruído pelo enorme sucesso do goleiro Dida. Como colocado precisamente pelo cronista Armando Nogueira:

“Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.”

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