10 golpes promovidos pelos EUA nos últimos 10 anos

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O atual cenário político internacional está marcado por uma série de conflitos envolvendo o imperialismo, sobretudo o norte-americano, e vários países atrasados que possuem governos nacionalistas burgueses. O imperialismo, que se encontra em uma profunda crise, busca ampliar sua dominação econômica e política sobre todas as áreas do globo e para isso organiza e financia Golpes de Estado contra esses governos.

A estratégia golpista do imperialismo, que vimos em ação no Brasil durante o processo ilegal de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, agora se mostra muito evidente no caso da Venezuela onde o atual Presidente e representante do chavismo Nicolás Maduro resiste às tentativas dos norte-americanos de derrubá-lo. Na Venezuela, o imperialismo segue uma receita golpista muito parecida com a que usou em vários outros países, financiando a extrema direita e impulsionando a sabotagem econômica ao mesmo tempo em que trava uma verdadeira guerra comercial contra nosso país vizinho através de boicotes e de sequestro dos ativos das empresas venezuelanas.

A ação golpista do imperialismo deve ser denunciada como uma ação criminosa que busca submeter todas as nações à sua dominação e exploração e no caso da Venezuela pretende substituir o chavismo de Maduro por um governo alinhado com seus interesses econômicos e que sirva como uma correia de transmissão de seus ataques às condições de vida da população. O golpe de Estado na Venezuela, tal como o Golpe no Brasil, é parte de uma ação coordenada do imperialismo e dos grandes capitalistas para esmagar a classe operária em todos os lugares e por isso é extremamente importante que toda a esquerda se unifique contra os inimigos do povo.

Listamos abaixo dez países que sofreram Golpes de Estado financiados e organizados pelo imperialismo nos últimos.

1- Honduras (2009)

Honduras foi o país em que o imperialismo norte-americano inaugurou sua sequência de Golpes na América Latina. Em 2009 o imperialismo financiou a extrema direita para derrubar o presidente legitimo Manuel Zelaya através de um Golpe militar.

Zelaya foi o primeiro presidente representante do nacionalismo burguês na América Latina a ser derrubado e de lá para cá o povo hondurenho vêm sofrendo com terríveis ataques contra suas condições vida. Dez anos depois da derrubada de Zelaya Honduras se tornou um Estado policial e o regime político assume características cada vez mais ditatoriais enquanto a miséria e a fome assumem proporções monstruosas. O governo golpista instalado no poder como marionete do imperialismo se apoia nas Forças Armadas e nos órgãos de repressão policial e é um dos exemplos mais claros do que planejam os grandes capitalistas para o conjunto dos países atrasados.

 

2- Líbia (2011)

A líbia, que hoje vive uma situação econômica e política deplorável, também foi alvo da conspiração do imperialismo para derrubar o governo. O que ficou conhecido como “primavera árabe” e chegou a ser defendido por grupos de esquerda como o PSTU como situação revolucionária, foi uma ação direta do das nações imperialistas para derrubar os governos não alinhados com a sua política no oriente médio.

No caso da Líbia o imperialismo chegou inclusive a financiar grupos armados que deflagraram uma guerra-civil aberta contra o governo de Muamar Al Kadafi. Centenas de agentes e soldados americanos, franceses e de outros países imperialistas se infiltraram direta e indiretamente no país para organizar milícias opositoras ao regime que travaram uma dura luta para derruba do governo. A guerra-civil do imperialismo na Líbia deixou milhares de mortos e um saldo gigantesco de destruição, e culminou com o assassinato de Kadafi em 20 de outubro de 2011.

O imperialismo chegou a utilizar seu exército oficial, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, para atacar o país e esmagar a resistência dos líbios contra o Golpe de Estado. Após o Golpe, as nações imperialistas trataram logo de esmagar a resistência e colocar suas marionetes no comando do país que se vê hoje profundamente afundado no caos e miséria além de totalmente saqueado pelas corporações de negócios capitalistas. O que podemos ver na Líbia após o Golpe de Estado não é mais do que uma caricatura grotesca do que um dia foi país, mergulhado em uma guerra permanente entre facções rivais financiadas pelo imperialismo e marcado pela violência repressão.

3- Paraguai (2012)

O primeiro presidente de esquerda da história do Paraguai, Fernando Lugo, foi também vítima da estratégia golpista do imperialismo. Em 2012 as conspirações do imperialismo impulsionaram o Partido Colorado (oposição ao governo de Lugo) a realizar uma enorme ofensiva contra o governo e o conjunto da esquerda paraguaia que resultou na derrubada de Lugo através de manobras muito semelhantes com as utilizadas pela direita brasileira contra Dilma Rousseff.

O Golpe de Estado no Paraguai teve como principal ponto de apoio os grandes latifundiários do país, que financiaram grupos de direita no parlamento, nos órgãos de repressão e em mobilizações artificiais contra o governo. A derrubada de Lugo foi ironicamente chamada pela imprensa burguesa de “Golpe Branco” devido ao fato de ter sido realizado através de uma farsesca cobertura de legalidade.

Após o Golpe nosso país vizinho mergulhou em uma profunda onda de violência e desemprego para qual a direita, capacho dos norte-americanos, não consegue encontrar solução. O regime político paraguaio acompanha a crise que se desenvolve na economia  e se mantém através de eleições farsescas nas quais a esquerda é totalmente esmagada.

Os indígenas e camponeses tem sido as principais vítimas do imperialismo no Paraguai e vivem um regime de verdadeiro terror no interior do país onde o governo faz vista grossa para a perseguição e violência. A classe operária também sofre com o aumento da miséria e permanente deterioração das condições de vida ao passo que os grandes capitalistas enchem os bolsos e exploram a pobreza do povo.

 

4- Egito (2013)

Em 2013 o imperialismo orquestrou mais um Golpe de Estado, desta vez de forma declarada e aberta. Em 2013 o imperialismo mundial impulsionou as Forças Armadas para derrubarem Mohamed Morsi, único presidente eleito no país até aquele momento.

As Forças Armadas colocaram os tanques e soldados nas ruas e depuseram o presidente a força, colocando também seu grupo político (a Irmandade Muçulmana) na ilegalidade. Após a queda do presidente as ruas do país foram tomadas por manifestações contra intervenção imperialista e contra a ditadura militar nascida do Golpe de Estado e foram duramente reprimidos pelo exército que promoveu uma série de massacres de civis, o principal deles um mês após o Golpe e levou a morte 800 manifestantes.

O imperialismo busca até hoje legitimar a ditadura militar egípcia, tendo realizado uma série de eleições farsescas sem nenhuma participação real da população. A maior parte dos grupos de oposição foram colocados na ilegalidade e são sistematicamente perseguidos, presos e até mesmo executados pelas forças de repressão.

O atual presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sissi foi eleito em eleições totalmente fraudadas e é também chefe das Forças Armadas e conduz o regime pela via da força, cassando sucessivamente todas as liberdades individuais. Abdel Fatah al-Sissi também entregou o controle de boa parte do poder político e econômico do país nas mãos do imperialismo o que vem aprofundando ainda mais a crise e a miséria que toma conta do Egito.

 

5- Ucrânia (2014)

Em 2014 a extrema direita ucraniana derrubou o presidente do país Viktor Yanukovich, que defendia posições alinhadas com o governo russo de Vladimir Putin em oposição à dominação dos norte-americanos e da União Europeia. O golpe de Estado foi deflagrado com o nítido apoio das nações imperialistas que inclusive financiaram e impulsionaram grupos neo-nazistas em todo o país.

Um dos eventos mais marcantes do Golpe de Estado na Ucrânia foi o incêndio à Caso dos Sindicatos de Odessa, na qual os fascistas atearam fogo a sindicatos, prenderam opositores e foram diretamente responsáveis pelo assassinato de ao menos 50 pessoas. Desde o Golpe de Estado estes grupos tem sido utilizados pelo governo para perseguir a esquerda e os grupos de oposição e são responsáveis por centenas de assassinatos e ações violentas.

O imperialismo, com o objetivo de assegurar seus interesses econômicos permite e incentiva o avanço do fascismo na Ucrânia e autoriza esses elementos à atacarem abertamente a população. O próprio governo assumiu um caráter abertamente fascistas se apoiando nas Forças Armadas e na polícia para manter o controle sobre a população.

O governo de Poroshenko, nascido do Golpe, estimula inclusive que os grupos nazistas marchem sobre as cidades ucranianas como forma de intimidar a oposição. Os nazistas já controlam boa parte das instituições oficiais do Estado e já chegaram até mesmo a constituir milícias armadas para atacar a classe operária.

 

6- Tailândia (2014)

Em 22 de maio de 2014 a Forças Armadas Reais da Tailândia deflagraram um Golpe de Estado contra o primeiro-ministro interino. O Golpe de Estado na Tailândia foi também impulsionado pelas forças do imperialismo cujo interesse era o de promover no país um regime de força capaz de controlar totalmente a oposição.

O golpe colocou no poder um junta militar intitulada Conselho Nacional para a Manutenção da Paz e da Ordem (NCPO), que inaugurou um período de intensa perseguição política e de repressão à todas as organizações populares. As primeiras medidas do governo militar foram a instauração de toque de recolher e de lei marcial, proibindo a existência de toda forma de oposição ao regime político. O governo também passou a controlar diretamente o imprensa e a internet, proibiu reuniões políticas, revogou a Constituição e prendeu quase todos os opositores.

O governo derrubado pelo Golpe era, assim como praticamente todos que são atacados pelo imperialismo, de tipo nacionalista burguês e se apoiava em uma conciliação entre as classes sociais para fazer uma oposição parcial à opressão dos países imperialistas. A derrota desse governo colocou os militares à frente do regime político e deu origem à uma ditadura que esmaga totalmente as organizações populares e coloca na prisão todos os opositores. Depois do golpe a economia tailandesa passou a ser cada vez mais dominada pelos monopólios imperialistas com o aval dos militares e da burguesia nacional.

7- Brasil (2016)

Assim como os outros países da lista, o Brasil também foi alvo da conspiração imperialista para derrubar o governo legitimamente eleito. Em 2016 a presidenta Dilma Rousseff foi ilegalmente deposta através de um impeachment e foi substituída pelo vice Michel Temer, que levou adiante um programa radicalmente diferente e deu largada para uma série de ataques monstruosos contra os trabalhadores.

O Golpe de Estado foi embalado pela chamada “campanha contra a corrupção” diretamente impulsionada por órgãos estrangeiros no país que colocaram nas ruas inúmeras organizações de extrema direita para atuar contra o governo. Apesar de ter havido um importante movimento de oposição à direita golpista e de denuncia da ação imperialista no Brasil, a direita segue no poder e aprofunda cada vez mais a repressão aos grupos de esquerda ao mesmo tempo em que destrói a economia nacional e entrega o patrimônio do povo para os norte-americanos.

Além da destituição da presidenta a direita também prendeu o maior líder da esquerda nacional, o ex-presidente Lula, e tenta de todas as formas colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade. As últimas eleições, no final de 2018, foram marcadas pela fraude eleitoral e colocaram no poder Jair Bolsonaro, elemento da extrema direita que promete elevar o nível de ataque à classe trabalhadora.

O saldo do Golpe no Brasil é o crescente aumento do desemprego e da miséria da população, bem como o fechamento cada vez mais ditatorial do regime que assume contornos fascistas. As Forças Armadas e os órgãos de repressão do Estado assumem papel de destaque no atual governo e ameaçam constantemente o povo de um novo golpe militar no país.

8- Coréia do Sul (2017)

Em 2017 a Coréia Do Sul passou por um processo de Golpe muito semelhante ao brasileiro. A presidenta do país foi deposta sob acusações de corrupção envolvendo empresas nacionais, mas o processo assumiu uma clara motivação política de destituir o grupo político no poder.

O parlamento aprovou um processo de deposição da presidenta que também foi condenada à prisão e pagamento de multa. Além dela vários de seus aliados políticos também foram parar na prisão sob acusações de corrupção em um nítido processo de perseguição política que levou prendeu vários ex-presidentes.

O golpe na Coréia do Sul abriu as portas do país para a dominação imperialista mais aberta da economia e da política, e promoveu também o esmagamento de boa parte da burguesia nacional que dava sustentação ao governo deposto.

9- Equador (2017)

No Equador o Golpe de Estado imperialista de 2017 colocou o país sob domínio direto do imperialismo norte-americano. O atual presidente do país, Lênin Moreno, foi eleito para ser o sucessor de Rafael Corrêa que governou o país durante 10 anos, mas deu um golpe em seu antecessor e se aliou aos norte-americanos logo depois de eleito.

Moreno vem revertendo todas as concessões que seu antecessor fez à classe trabalhadora durante seu governo além de levar adianta a perseguição de Corrêa e de seu grupo político, tentando colocar todos na prisão sob acusações farsescas de corrupção. A imprensa burguesa apoia o Golpe no Equador e faz campanha dia e noite contra Corrêa buscando desmoralizar o ex-presidente.

10- Zimbabwe (2017)

O último Golpe de Estado da nossa lista é também o mais recente deles, ocorrido no Zimbabwe em 2017. Orientados pelo imperialismo os militares colocaram os tanques e soldados nas ruas e forçaram o Presidente Mugabe a renunciar.

O Zimbabwe passa por um intensa crise econômica e política que abriu a brecha para que os militares depusessem o governo. O imperialismo rapidamente saiu em defesa dos militares e abriu uma ampla campanha contra Mugabe acusando-o de corrupção. No entanto, o que fica claro é que a deposição de Mugabe é mais mum dos vários golpes imperialistas ao redor do mundo, orquestrados com a única intenção de assegurar os interesses econômicos dos monopólios econômicos em detrimento dos interesses da população que sofre com a devastação econômica e a miséria.