10 de maio de 1933: nazistas começam a queimar livros por toda a Alemanha

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Em momentos de grande crise capitalista, onde os mecanismos da democracia burguesa não mais surtem efeito, e os burgueses se vêem obrigados a lançar mão de regimes abertamente fascistas, além de buscarem destruir as organizações dos trabalhadores, usam da  perseguição à cultura e educação também como meios de tentar conter qualquer tipo de vanguarda que possa colocar-se contra a política de extermínio e agitar as massas reprimidas pelo regime.

Não muito diferentes da extrema-direita que ascende hoje, os nazistas eram inimigos da cultura, uma vez que para impor as políticas que precisam ser levadas adiante pela burguesia contra os trabalhadores, é precisa calar toda a sociedade utilizando-se principalmente do medo. Artistas e intelectuais sempre acabam se voltando contra esse tipo de governo, que por necessidade despreza o conhecimento e o desenvolvimento cultural do povo.

A queima de livros era uma das ações de propaganda utilizada pelos nazistas, com direito a participação de público e autoridades, um verdadeiro espetáculo no estilo caça às bruxas, muito característico da extrema-direita. Foram ações simbólicas que expuseram abertamente o caráter repressivo do regime que vinha tomando forma, e não guardava pudor algum em censurar os autores e obras que não estivessem em conformidade com seus padrões estipulados.

Os acontecimentos envolvendo as queimas começaram poucos meses depois da chegada de Adolf Hitler ao poder, e duraram cerca de um mês. A data de 10 de maio de 1933 remete a uma grandiosa queima de livros na praça Bebelplatz, em Berlim, onde foram destruídos mais de 25.000 livros, na região central da capital Alemã.

Em nome do combate aos comunistas e judeus dezenas de milhares de livros foram queimados, mesmo de autores renomados como Bertolt Brecht, Thomas Mann, Walter Benjamin, Sigmund Freud, Friedrich Nietzsch, Albert Einstein, e claro Karl Marx. A lista negra de publicações proibidas pelos  nazistas continha mais de 3 mil livros, e os autores contemporâneos não só tiveram as obras queimadas, como também sofreram forte perseguição, sendo obrigados a fugir do país para não serem assassinados.

Os eventos faziam parte da política de perseguição aos que pudessem de alguma forma incentivar uma oposição ao regime, justificada com críticas de cunho moral, que pregavam a “limpeza da literatura alemã e o fim de obras degeneradas”, mas que escondiam a real intenção de controle cultural por parte dos nazistas.

O que a história nos ensina no dia de hoje é que as mentiras espalhadas pelo governo Bolsonaro para justificar os enormes cortes na educação, a perseguição a professores com a Escola sem Partido, a difamação das universidades, ataque ao carnaval, e desprezo pela cultura popular não são novidades. São medidas de caráter fascista, adotadas por regimes extremamente autoritários que precisavam manter sob controle os setores mais oprimidos da população e impedir que tenham condições de reagir aos ataques.

A medida que a crise se aprofunda no país, o governo golpista se torna cada vez mais autoritário, fazendo com que seja necessário que a esquerda se una, urgentemente, em torno da palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”, para agrupar as massa em prol da derrubada do atual governo, antes que o povo amargue uma ditadura nefasta.