O nacionalismo italiano
Verdi foi um dos grandes compositores da ópera italiana e também um defensor da luta pela unificação da Itália
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
giuseppe verdi 3
Giuseppe Verdi em 1860 | Foto: Hulton Archive/Getty Images

Giuseppe Verdi foi um dos maiores compositores italianos de ópera. Algumas de suas composições mais conhecidas são as óperas Rigoletto, Il Trovatore e La Traviata.

Foi um dos últimos dos grandes compositores italianos de ópera do período romântico, o herdeiro da tradição de gigantes como Gioachino Rossini, Gaetano Donizetti e Vincenzo Bellini.

Ele foi também um dos mais importantes nomes da cultura no período do Risorgimento, o movimento político e social que levou à unificação da Itália. A peça “Va, pensiero, sull’ali dorate”, do terceiro ato da ópera Nabucco se tornou o hino dos patriotas italianos. Essa música inspirou o slogan “Viva Verdi”, um acrônimo, uma mensagem cifrada que deveria ser entendida como “Viva Vittorio Emanuele Re D’Italia”, se referindo a Vittorio Emanuele II, que em 1861 se tornaria o primeiro rei da Itália unificada.

Nascido no Império Frances

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em 10 de outubro de 1813 em Le Roncole, uma vila próxima a Busseto, no distrito de Taro, uma cidade que na época estava dentro das fronteiras do Primeiro Império Francês. Seus pais eram Carlo Giuseppe Verdi e Luigia Uttini, uma família de classe média. O pai Carlo tenha planos ambiciosos para o filho e lhe financiou os seus estudos desde muito cedo.

Aos quatro anos de idade Verdi começou a ter aulas particulares de latim e italiano ministradas pelo professor Baistrocchi e aos seis anos começou a frequentar a escola local. O primeiro instrumento de Verdi foi o órgão. Ele mostrou tanto interesse pela música que seu pais logo lhe compraram uma espineta (um instrumento de teclas da família do cravo). Logo começou a cantar no coro da igreja local onde também tocava e tinha aulas de órgão. Após a morte de Baistrocchi Verdi se torna o organista oficial da igreja.

Aos doze anos começou a ter aulas com Ferdinando Provesi, mestre de capela em San Bartolomeo, diretor da escola de música e também um dos grandes compositores de ópera em sua época. Verdi foi pupilo de Provesi até seus 18 anos, escrevendo nesse período muitas peças como marchas para bandas, pequenas sinfonias, concertos, peças para piano, cantatas e inúmeras composições sacras.

Primeiras óperas

Provesi era também codiretor da Sociedade Filarmônica, uma função que ele dividia com Antonio Barezzi, dono de uma mercearia e uma destilaria, descrito por um contemporâneo como um “diletante maníaco por música”. Verdi deu aulas de canto e piano à filha de Barezzi, Margherita, que viria a se tornar a primeira esposa do compositor. Em 1834 Verdi procurou entrar para a cena musical de Milão, então a capital cultural do norte da Itália, tentando, sem sucesso, estudar no Conservatório de Milão. Com a ajuda de Barezzi ele se tornou aluno de Vincenzo Lavigna, maestro do teatro de ópera La Scala. Logo Verdi se tornaria ensaiador do coral e músico da orquestra. Foi lá que Verdi escreveria sua primeira ópera, Rocester, com libreto escrito pelo jornalista Antonio Piazza.

Em 1836 ele se casa com Margherita e no ano seguinte nasceu sua primeira filha, Virginia Maria Luigia. Seu filho Icilio Romano veio um ano depois. As duas crianças morreriam cedo, em 1838 e 1839.

Finalmente em 1939 Verdi pode ver a estreia de sua primeira ópera, agora renomeada Oberto, Conte di San Bonifacio, com libreto reescrito por Temistocle Solera. O sucesso da obra traz a Verdi um contrato para escrever mais outras três óperas.

Enquanto ele estava trabalhando em sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, Margherita morre de encefalite aos 26 anos de idade. Verdi adorava a esposa e suas crianças e ficou devastado com suas mortes. Un Giorno di Regno, uma comédia, foi um fracasso e teve apenas uma apresentação. Esta série de eventos fizeram com que Verdi jurasse que nunca mais iria compor. Foi dissuadido disso pelo diretor do La Scala, Bartolomeo Merelli, que o incentivou a compor uma ópera em torno do libreto de Nabucco, escrito por Temistocle Solera, e que havia sido anteriormente rejeitado pelo compositor Otto Nicolai.

Nabucco e o Risorgimento

Verdi voltou a compor lentamente, pequenos trechos de cada vez, mas a ópera ficou pronta no outono de 1841. Nabucodonosor (ou em sua forma mais conhecida, Nabucco) estreou em 9 de março de 1842 e foi um grande sucesso, consolidando a reputação de Verdi como um grande compositor.

A opera narra a trajetória do povo judeu, derrotados e conquistados e subsequentemente exilados de sua terra natal pelo rei babilônio Nabuco. Os fatos históricos são o pano de fundo de uma trama romântica e política.

Nesta opera uma música com o coro dos escravos, “Va, pensiero, sull’ali dorate” (“voe, pensamento, em asas douradas”) do terceiro ato se torna a música mais conhecida, um coro que impulsiona o sentimento nacionalista da plateia, que faz com que muros na cidade de Milão, na época, ocupada pelo exército austríaco, sejam pichadas com o slogan “Viva Verdi”.

Com o final do movimento do Risorgimento em 1861 Verdi foi eleito deputado no primeiro parlamento italiano após a unificação.

No período entre 1842 e 1859 Verdi teve muito trabalho. Compôs vinte óperas, culminando com a obra-prima Un Ballo in Maschera de 1959. Após o sucesso de Nabucco, Verdi se estabeleceu em Milão. Suas óperas seguintes foram I Lombardi alla prima Crociata (1843), Ernani (1844), Attila (1846) e Macbeth (1847). Sua nova prosperidade se refletiu em compras de terras próximas à sua cidade natal, incluindo o terreno onde construiu sua casa, que ficou pronta em 1880, hoje em dia conhecida como Villa Verdi, onde morou até sua morte.

Período áureo

O auge criativo de Verdi foi entre 1849 e 1953. Foi então que ele criou suas três óperas mais famosas, Rigoletto (1851), La Traviata (1852) e Il Trovatore (1853).

Rigoletto trouxe uma das árias de tenor mais populares de todos os tempos, “La Donna è Mobile” (a mulher é inconstante). La Traviata foi baseado em “A Dama Das Camélias”, uma peça de 1848 de Alexandre Dumas filho.

Nesse período Verdi passou por muitos problemas familiares. Primeiro foi sua relação com a soprano Giuseppina Strepponi, com quem vivia desde 1843, sem se casar, o que chocou a sociedade moralista da época e também os pais de Verdi, que cortaram relações com o filho. Muitos notam que não é coincidência que todas as seis óperas de Verdi desse período entre 1849 e 1853 tenham exclusivamente heroínas que são “mulheres que sofrem por causa da transgressão sexual, real ou percebida”, reflexo direto da paixão do compositor por Strepponi.

A partir de 1853 Verdi diminui o seu ritmo de trabalho e se ocupa mais de afazeres domésticos em sua nova casa. Em janeiro de 1858 Verdi começa o trabalho na opera Gustave III, que um ano depois se tornaria Un Ballo In Maschera. O compositor teria muitos problemas com a censura. A história da opera conta o assassinato em 1792 do Rei Gustavo III da Suécia, resultado de uma conspiração política enquanto participava de um baile de máscaras. A censura se deu por causa do episódio onde três italianos tentaram assassinar o imperador Napoleão III em Paris em 14 de janeiro de 1858.

Em março de 1859 a cidade de Piacenza, próxima à casa de Verdi, estava ocupada por cerca de 6000 tropas austríacas que fizeram da cidade sua base, para combater o desejo de unificação da Itália na região do Piemonte. Foi algo que trouxe muito desgosto para Verdi que sonhava com o fim da dominação austríaca na Itália.

Em 29 de agosto de 1859 Verdi se casa com Giuseppina Strepponi. Dentre as últimas óperas escritas pelo autor estão Don Carlos (1867), Aida (1869), Otello (1887) e Falstaff (1893). Falstaff foi uma adaptação feita pelo poeta Arrigo Boito da peça de Shakespeare, “The Merry Wives Of Windsor” (as alegres comadres de Windsor). Foi apenas a segunda ópera cômica de Verdi e sua terceira peça baseada em Shakespeare (as duas anteriores foram Macbeth e Otello).

Em 21 de janeiro de 1901 Verdi sofreu um ataque cardíaco, morrendo no dia 27 de janeiro, aos 87 anos de idade. Ele foi enterrado em uma cerimônia privada em Milão. Um mês depois seu corpo foi movido para a Casa di Riposo per Musicisti (casa de repouso para músicos), um asilo que ele construiu para músicos aposentados. Nessa ocasião a música “Va, pensiero” da ópera Nabucco foi conduzida pelo maestro Arturo Toscanini com um coral de 820 cantores. Uma multidão esteve presente, algo em torno de 300 mil pessoas, que foram prestar suas últimas homenagens ao grande compositor, símbolo da luta pela unificação italiana.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas