Romantismo português
Almeida Garrett foi não apenas um dos maiores representantes do romantismo na literatura portuguesa, mas tambem um importante político liberal
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Almeida Garrett 1844 retratado por Pedro Augusto Guglielmi BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL
Almeida Garrett retratado por Pedro Augusto Guglielmi | Foto: Biblioteca Nacional de Portugal

O escritor português Almeida Garrett foi um dos principais representantes do romantismo em Portugal, com uma importante obra para o teatro. Foi também um político de destaque, com participação na Revolução Liberal do Povo e depois na Guerra Civil Portuguesa, que acabou com o caráter absolutista da monarquia.

Almeida Garrett nasceu João Leitão da Silva no dia 4 de fevereiro de 1799 no Porto. Passou sua infância na Quinta do Sardão em Oliveira do Douro, na região de Vila Nova de Gaia, pertencente ao seu avô materno, José Bento Leitão. Nesta época mudou de nome para João Baptista da Silva Leitão. Na adolescência, quando as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, ele se mudou para o arquipélago dos Açores, onde recebeu sua educação do seu tio paterno, D. Frei Alexandre da Sagrada Família da Silva Garrett, o Bispo de Angra, que pretendia fazer com que o sobrinho seguisse pela via eclesiástica.

Em 1816 foi para Coimbra para fazer o curso de Direito, onde teve contato com as ideias liberais. Em 1818 incorporou definitivamente o nome de sua família, de Almeida Garrett, passando a assinar como João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett.

Seu primeiro trabalho literário foi “O Retrato de Vênus”, que foi considerado imoral, ateu e materialista e que lhe custou um processo por “abuso de liberdade de imprensa”, da qual acaba sendo inocentado.

A Revolução Liberal do Porto

Em 1820 participou da Revolução Liberal do Porto, uma revolução burguesa que eclodiu em 24 de agosto na cidade do Porto. O movimento resultou na volta da Corte Portuguesa que havia se mudado para o Brasil por causa da invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas em 1807. Embora as tropas de Napoleão tenham sido repelidas pela ação das tropas britânicas Portugal acabou ficando em uma posição muito frágil, sem uma corte que pudesse dirigir o país e agora numa condição de protetorado.

A assinatura do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas – que na prática significou o fim do pacto colonial – e posteriormente do Tratado de 1810, que garantia privilégios aos produtos britânicos nas alfândegas portuguesas resultou numa profunda crise do comércio do país, causando a fúria da burguesia local. A Revolução Liberal significou a vitória da burguesia e o fim do absolutismo em Portugal e a implementação da Primeira Constituição no país em 1822.

Em 1823 houve a contraofensiva dos absolutistas, que resultou na sua vitória na Vilafrancada e Almeida Garrett é obrigado a se exilar na Inglaterra. Lá ele teve contato com o movimento dos românticos, descobrindo as obras de Shakespeare e Walter Scott, além de visitar castelos feudais, abadias e igrejas, que teriam impacto em sua obra no futuro.

No ano seguinte vai para a França onde escreve poemas como “Camões” (1825) e “Dona Branca” (1826), que se tornam as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. É anistiado após a morte de Dom João VI e volta à sua pátria em 1826 e se dedica ao jornalismo fundando e dirigindo o jornal diário político “O Português” e o semanário “O Cronista”. Foi preso no final de 1827.

Guerra Civil Portuguesa

Deixa o país novamente em 1828 com o retorno do absolutista D. Miguel, que se tornou o Rei de Portugal e Algarves entre 1826 e 1834. O oponente de D. Miguel era seu irmão Dom Pedro, que se tornou o imperador do Brasil com o nome de Dom Pedro I. Como a constituição portuguesa impedia que ele fosse o imperador de dois países ao mesmo tempo, Dom Pedro abdicou em favor da sua filha, D. Maria da Glória, então com sete anos de idade.

Dom Pedro fez um acordo com Dom Miguel que quando D. Maria da Glória atingisse a idade necessária se casaria com ele. Esta foi a solução encontrada para a união das facções de Dom Pedro e Dom Miguel. Depois que Dom Miguel liderou duas insurreições, a Vilafrancada e a Abrilada (em abril de 1824), este foi deposto do cargo de generalíssimo do exército português e condenado ao exílio pelo pai, D. João VI. Com a morte de D. João VI em 1826, D. Miguel volta do exílio e em 1828 é aclamado rei de Portugal.

  1. Miguel buscou o reconhecimento internacional, mas só conseguiu ser reconhecido como rei pelos Estados Unidos e pelo Vaticano. Portugal vivia em uma crise financeira gravíssima, com inúmeros conflitos internos e externos. Com isso D. Pedro abdica da coroa brasileira em favor de seu filho Dom Pedro II e viaja a Portugal para defender o direito ao trono português da parte de sua filha e contra o absolutismo de seu irmão, deflagrando a Guerra Civil Portuguesa.

De 1828 a 1831 Almeida Garrett mora na Inglaterra e depois na França, onde se integra num batalhão de caçadores e mais tarde em 1832 vai para os Açores se integrando à expedição comandada por Dom Pedro.

Almeida Garrett participa da Guerra Civil Portuguesa (também conhecida como as Guerras Liberais) que vem em seguida. Em 8 de julho de 1832 faz parte do Desembarque do Mindelo, que foi o desembarque das tropas liberais ao norte da cidade do Porto e em seguida do Cerco do Porto, onde as tropas de Dom Pedro cercam as forças fiéis a Dom Miguel. O conflito vai até agosto de 1833 com a vitória da causa liberal em Portugal.

Com isto Almeida Garrett pode voltar a residir em Portugal em meados de 1835, após uma breve estada em Bruxelas onde atua como cônsul geral. Em Bruxelas toma contato com a obra de autores como Goethe, Schiller e Herde.

Dedicação ao teatro português

De volta a Portugal torna-se um político de renome, reconhecido como um dos grandes oradores do país. Por sua iniciativa é criado o Conservatório de Arte Dramática, o Panteão Nacional e o Teatro D. Maria II, além da organização de uma Inspeção Geral dos Teatros. Em 1838 faz parte das discussões que levarão à aprovação da Constituição de 1838 e da renovação do teatro nacional. Nesse mesmo ano estreia a sua peça “Um Auto de Gil Vicente”. Esta peça demonstra a preocupação de Garrett na criação de uma dramaturgia genuinamente portuguesa, longe das influências francesas ou italianas. Por isso o personagem central da peça é justamente Gil Vicente, considerado o primeiro grande dramaturgo português, que viveu entre 1465 e 1536.

1841 é o ano de estreia de outra peça importante, “O Alfageme de Santarém”. Outras peças de Garrett são “Frei Luis de Sousa” (1843), “Dona Filipa de Vilhena” (1846), “Falar Verdade a Mentir” (1846), “A Sobrinha do Marquês” (1848) e “Camões do Rossio” (1852).

Em 1843 começa a publicar na Revista Universal Lisbonense capítulos das suas “Viagens Na Minha Terra”, que descreve sua viagem ao Vale do Santarém iniciada em 17 de julho. Esta se torna uma de suas obras literárias mais importantes.

Em 1850 é um dos signatários de um protesto contra a chamada “lei das rolhas”, que pretende restringir a liberdade de imprensa. Em 1851 é feito Visconde de Almeida Garrett por decreto do rei D. Pedro V de Portugal.

Faleceu em 9 de dezembro de 1854, vítima de um cancro de origem hepática em sua casa em Campo de Ourique, Lisboa.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas