Baudelaire, o poeta maldito
O poeta que influenciou milhares de escritores no mundo todo nasceu há 199 anos.
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800px-Étienne_Carjat,_Portrait_of_Charles_Baudelaire,_circa_1862
Foto por Étienne Carjat, 1863 |

“Épater la burgeoisie” (escandalizar a burguesia) é um termo em francês frequentemente usado para descrever a poesia de Baudelaire. Hoje, sua principal obra, As Flores do Mal, já não causa mais escândalo. Mas, em 1857, quando a primeira edição foi publicada, seus poemas causaram assombro, ira e indignação na sociedade francesa. A tal ponto que Baudelaire e seu editor foram processados e condenados a pagar multas por ofensa a moralidade pública, e seis poemas publicados na primeira edição foram retirados da segunda edição por conter temas impróprios ao público.

Os temas considerados escandalosos incluía sexo, lesbianismo, amor profano e sagrado, ateísmo, decadência da vida urbana, degradação, vício e exaltação da bebida. Todos esses temas são apresentados com uma mistura de melancolia, cinismo e ironia. A inocência perdida, a opressão da vida urbana, as escolhas morais do homem comum, a cidade, as multidões, os prazeres estéticos, a rejeição da supremacia da natureza e a negação da inerente bondade humana, são os temas que Baudelaire apresenta sem abandonar por completo uma certa formalidade da poesia parnasiana de seus contemporâneos.

Mesmo sendo um escândalo para a classe burguesa, As Flores do Mal exerceu uma influência incalculável no início da poesia francesa e inglesa moderna. Rimbaud, Proust, Verlaine, Mallarmé, Edmund Wilson, T. S. Eliot, são alguns nomes da literatura que exaltaram a obra de Baudelaire, sem falar na influência que exerceu na poesia moderna brasileira e mundial. E seus poemas continuam até hoje a serem musicados por diversos tipos de compositores, desde Claude Debussy à banda de rock The Cure.

Baudelaire sempre teve uma vida financeira atribulada, vivia mudando de endereço para fugir de seus credores, era um gastador, deixou muitos projetos inacabados, e por manter uma vida desregrada e indolente, sua família o enviou à Índia em 1841 na esperança de que novos ares mudariam seus hábitos, mas sua estadia na Índia não mudou seus hábitos, apenas exerceu grande influência na poesia que viria a escrever em Paris.

Baudelaire também participou na Revolução de 1848 ao lado dos trabalhadores, e chegou a escrever para um jornal revolucionário. Mas, com a tomada da liderança da revolução pela classe média e pela pequena burguesia, logo se desiludiu com a política.

Un Ange furieux fond du ciel comme un aigle,
Du mécréant saisit à plein poing les cheveux,
Et dit, le secouant: Tu connaîtras la règle!
Car je suis ton bon Ange, entends-tu? Je le veux!

Sache qu’il faut aimer, sans faire la grimace,
Le pauvre, le méchant, le tortu, l’hébété,
Pour que tu puisses faire à Jesus, quand il passe,
Un tapis triomphal avec ta charité.

Tel est l’Amour! Avant que ton coeur ne se blase,
À la gloire de Dieu rallume ton extase;
C’est la Volupté vraie aux durables appas!

Et l’Ange, châtiant autant, ma foi! qu’il aime,
De ses poings de géant torture l’anathème;
Mais le damné répond toujours: Je ne veux pas!

(le Rebelle, Baudelaire)

 

Um anjo em fúria qual uma águia cai do céu,

segura, a garra adunca, os cabelos do ateu,

e sacudindo-o, diz: à regra serás fiel!

Sou teu anjo guardião, não sabias? És meu!

 

Pois é preciso amar, sorrindo à pior desgraça,

o perverso, o aleijado, o mendigo, o boçal,

para que estendas a Jesus, quando ele passa,

com tua caridade um tapete triunfal.

 

Eis o amor! Antes que a alma tenhas em ruínas,

teu êxtase reaviva à glória e à luz divinas.

Esta é a volúpia dos encantos celestiais!

 

E o anjo, que a um tempo nos exalta e nos lamenta,

com punhos de gigante o anátema atormenta.

Mas o ímpio sempre diz: não serei teu jamais!

(O Rebelde, Baudelaire)

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