Dia de Hoje na História
Artur da Silva Bernardes, foi presidente do Brasil no mandato de 1922 a 1926, e teve que enfrentar o início do Tenentismo, e foi quem autorizou o bombardeio de São Paulo em 1924.
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Artur Bernardes e ministros de Estado | (fotografia sob a guarda do Arquivo Nacional).

Artur da Silva Bernardes, viveu sua vida na virada do século 19 para o 20, tendo nascido em Viçosa, Minas, e falecido em 1895 no Rio de Janeiro. Se formou em bacharel em Direito numa das Faculdades mais festejadas no Brasil, como foi a do Largo do São Francisco em São Paulo da USP.

Em sua carreira política, foi presidente de Minas Gerais (como era chamado na época o cargo de governador) no período de 1918 a 1922, e presidente do Brasil no período de 1922 a 1926.

Nélson Werneck Sodré, no livro História e Materialismo Histórico no Brasil, descreve esse período como os anos do declínio da República oligárquica. Segundo conta, deu-se por força de mudanças ocorridas particularmente na área econômica, que demonstravam o aumento da acumulação capitalista e sua propagação pelo Brasil. Eram particularmente complicadas as sucessões presidenciais no País. Seguiam a política do “café com leite”, da Velha República – faziam valer um acordo no seio da oligarquia, que mantinha no poder representantes de Minas (leite) e São Paulo (café), desprestigiando os demais – que, por si só, já gerou descontentamentos nos outros Estados.

Como candidato dessa política elitista e segregadora, Arthur Bernardes concorreu com Nilo Peçanha, numa feroz campanha de imprensa, que se afirmou na difamação e na violência de linguagem, a maior que o país conhecera até então, segundo Sodré. Ele mostra como era o clima da campanha na época:

“Essa campanha, capitaneada, na capital do país, pelo Correio da manhã, jornal combativo, novo, dirigido por um homem ardoroso, Edmundo Bittencourt, gerou paixões irrefreáveis. Foi o clima em que surgiu e cresceu o fenômeno militar conhecido por Tenentismo. A campanha da imprensa, encontrando eco extraordinário na opinião popular (da pequena burguesia, que constituía, como hoje, o público dos jornais, influindo, pois, em sua orientação, o que hoje não ocorre, pois a influência da publicidade a neutraliza), tornou tormentoso o clima político e as paixões invadiram os quartéis.”

Nelson fala das paixões que invadiram os quartéis, lembrando nas entrelinhas o episódio das “cartas falsas”, que acabou carreando mais ódio a Bernardes, além do que já lhe rendia por ser um candidato da detestável oligarquia – cuja indiferença à classe trabalhadora e mesmo à burguesia agrária de outros Estados o credenciavam como herdeiro desse sentimento.

Esse episódio das “cartas falsas”, que mostrava Bernardes denegrindo a figura  do ex-presidente Hermes da Fonseca, e também de chefes das Forças Armadas, depois se provou não ser de sua autoria. No entanto, elas proporcionaram a ele, antes disso, uma passagem pelo inferno de eventos de grande revolta, que, mais uma vez descreve Nelson Werneck:

“Nessa carta, Bernardes insultava os chefes militares. Era uma afronta ao Exército e isso levaria ao paroxismo o clima de paixões. Em reuniões sucessivas e agitadas, no Clube Militar, a carta foi dada como verdadeira e o candidato, condenado como inimigo dos militares. Bernardes não só não escrevera a carta – pouco depois, isso ficou provado – como, de imediato, a desmentiu, o que seria suficiente, em condições normais, para satisfazer os pretensos insultados. Não adiantou: as paixões são cegas, justamente porque são paixões. Desse clima, resultaram movimentos de rebelião militar, com profundo alcance político, iniciados, em 1922, no Forte de Copacabana, culminando, em 1930, já em condições muito diferentes.”

Mesmo com essa briga de ânimos acirrados que envolveu a campanha, Bernardes acabou eleito. O descontentamento com a sua vitória e com o governo de seu antecessor, Epitácio Pessoa, o conduziu ao chamado Levante do Forte de Copacabana, primeira ação do movimento tenentista, depois à coluna Prestes, outro movimento tenentista que percorreu o país pregando mudanças políticas e sociais e que jamais foi derrotado pelo governo.

Além da oposição por parte da baixa oficialidade militar, ele ainda confrontou uma guerra civil no Rio Grande do Sul, onde Borges de Medeiros se elegeu presidente do estado pela quinta vez consecutiva, e também o movimento operário que se fortalecia novamente. Em 1923 e 1924 ocorreram novas ações tenentistas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, onde ocorreu a Revolta Paulista de 1924, que levou Bernardes a bombardear a cidade de São Paulo. Tudo isso levou Bernardes a decretar o estado de sítio, que perdurou durante quase todo seu governo.

A crise no seio da burguesia oligárquica brasileira se deparou com o capitalismo evoluindo para uma fase superior: o imperialismo – que implementa uma forte política de colonização e divisão do mundo – e enfrentou revoluções pelo mundo afora, tendo, os países atrasados se revoltado contra o gritante desenvolvimento desigual no qual se situavam. Não foi diferente no Brasil, pelo contrário, a expressão disso são as revoluções de 22, 24 e 30, com a forte manifestação operária, tendo à frente a burguesia nacionalista, com principal destaque da Coluna Prestes e o Tenentismo, os eventos decisivos que puseram fim à República Velha e levaram à derrocada das oligarquias e sua política do “café com leite”.

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