Quilombo dos Palmares
No dia 5 de fevereiro de 1694, há 327 anos, o bandeirante Jorge Velho iniciava o ataque derradeiro ao Quilombo dos Palmares
Antônio_Parreiras_-_Zumbi_2
Zumbi, de Antônio Diogo da Silva Parreiras | Foto: reprodução
Antônio_Parreiras_-_Zumbi_2
Zumbi, de Antônio Diogo da Silva Parreiras | Foto: reprodução

No dia 5 de fevereiro de 1694, há 327 anos, o bandeirante Domingos Jorge Velho iniciava o ataque derradeiro ao Quilombo dos Palmares. Nessa investida com mais de 6 mil homens bem armados e municiados, inclusive com artilharia, o líder Zumbi seria encurralado e morto em 20 de novembro de 1695.

Quilombo dos Palmares

O quilombo dos Palmares foi um quilombo do Brasil colonial. As primeiras referências a um quilombo no local datavam 1580, constituído por escravos fugitivos da Capitania de Pernambuco. O quilombo conheceu seu auge na metade do século XVII, tornando-se o mais importante quilombo do período colonial, resistindo por mais de um século. 

Hoje o Quilombo do Palmares é um símbolo de resistência do africano à escravatura. Na sua época era uma rebelião contra as condições da escravatura colonial e configurou uma resistência ao sistema escravista. As condições às quais os escravos eram submetidos eram desumanas e trabalhavam sem qualquer tipo de remuneração.

Foi nesse cenário, na região da Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, que Ganga Zumba acompanhado de outros escravos fugidos formaram o Quilombo dos Palmares. Um quilombo que continha uma grande organização política e militar, o que lhe possibilitou resistir a diversos ataques.

No seu apogeu chegou a ter 20 mil habitantes. Para se ter uma ideia de seu tamanho, a população do Rio de Janeiro à época era de 7 mil, incluindo indígenas e africanos. O Palmares era composto por diversos núcleos de povoamento sendo os principais os mocambos de Cerca Real do Macaco – era o maior, sendo o centro político do quilombo, contando com aproximadamente 1.500 habitações e 6 mil pessoas; e Subupira – centralizava as atividades militares, contando com cerca de 800 habitações.

A ação de Jorge Velho

Jorge Velho e o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo foram contratados pelo governador e capitão-general da Capitania de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, para erradicar a ameaça dos escravos fugitivos na região. Antes disso já haviam acontecido diversas investidas infrutíferas contra o Quilombo dos Palmares, por parte da Capitania de Pernambuco

A localização de Zumbi foi obtida através da captura e coerção do quilombola Antônio Soares. A cabeça de Zumbi foi cortada e exposta no alto de um mastro em praça pública no Pátio do Carmo em Recife, para desencorajar outros escravos a lutarem por sua liberdade.

A importância de Zumbi

Zumbi, juntamente com seu tio fundador do quilombo Ganga Zumba, foram as mais famosas lideranças políticas militares do Quilombo dos Palmares. Zumbi organizava uma espécie de “Estado africano” no quilombo.

Em 1677  Fernão Carrilho ofereceu um tratado de paz a Ganga Zumba, que utilizava táticas de guerrilhas na defesa do quilombo. O tratado oferecia a liberdade aos nascidos no quilombo, assim como terras inférteis na região de Cocaú. Na disputa surgida, Ganga Zumba foi envenenado, assumindo o poder Ganga Zona, que era aliado dos portugueses. Nessas condições Zumbi tomou a liderança e o acordo foi rompido.

Zumbi também foi responsável pela mudança de estratégia de defesa passiva para uma estratégia de guerrilha. Sob a liderança de Zumbi havia a prática de ataques de surpresa aos engenhos, libertando escravos e capturando-se armas, munições e suprimentos, que seriam empregados nos futuros ataques.

Após a morte de Zumbi, ou seja, sem sua liderança e amargando diversas perdas dos últimos embates com os bandeirantes e as tropas portuguesas, o quilombo começou a definhar até finalmente cair em 1710. Mesmo após a vitória as tropas portuguesas permaneceram na região até meados do século XVIII para impedir que o quilombo ressurgisse.

Relacionadas
Send this to a friend