O Pinochet brasileiro
Medici governou de 1969 à 1974, foi o ditador mais sanguinário de todos os militares, por isso o período é chamado de “os anos de chumbo”, ao povo só restava repressão e a fome
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Brasil, Brasília, DF. 28/03/1970. O militar e político Emílio Garrastazu Médici, então Presidente da República, grava pronunciamento em Brasília, Distrito Federal.  Pasta: 46.384 - Crédito:ADÃO NASCIMENTO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:61827
Ditador fascista Emílio Garrastazu Medici. | Foto: Reprodução

No dia 04 de dezembro de 1905 nasceu o ditador fascista Emílio Garrastazu Médici, o Pinochet do Brasil, seu governo, o mais sanguinário de todo o período, se iniciou após a morte de Costa e Silva, general que baixou o AI-5.

Seus anos no poder, 1969 à 1974, coincidem com o suposto “milagre econômico”, uma propaganda direitista para esconder a completa submissão econômica ao imperialismo que foi estabelecida por meio das dividas astronômicas usadas para obras faraônicas que enriquecia apenas a burguesia enquanto a população seguia morrendo de fome e da repressão. Posteriormente ele foi contra o processo de anistia do governo Figueiredo, se afastou da política e morreu em 9 de outubro de 1985 com 79 anos.

A ditadura militar brasileira se iniciou com o golpe de 1964 contra o governo nacionalista de Jango, ele foi organizado pelo imperialismo e teve amplo apoio da burguesia brasileira e de um grande setor dos militares que após a vitória do golpe expurgou toda a ala nacionalista do exército, que na época possuía um tamanho considerável.

Todos os militares que tiveram cargos na ditadura, como Médici, eram os mais submissos aos interesses dos EUA e demais países imperialistas e tinham a política de esmagamento da classe trabalhadora para enriquecer os bancos internacionais.

Dentre esta ala dos militares existiu a divisão entre a linha dura e os “moderados”, também chamados de castelistas devido ao primeiro ditador militar, o marechal golpista Castelo Branco. Para se ter uma noção durante o primeiro período da ditadura, entre 1964 e 1968, se estabeleceu um regime de terrorismo contra a população, a tortura se tornou cotidiana, os sindicatos todos sofreram intervenções para se tornarem sindicatos da ditadura, as organizações camponesas foram todas esmagadas e diversas lideranças de esquerda assassinadas. Toda essa repressão sustentou a política de esmagar a população que garantiu por exemplo um arrocho salarial de 25%, esta era ala “moderada”, só que a partir de 1967 assumiu a linha dura

Costa e Silva foi o responsável por massacrar as mobilizações estudantis e grevistas de 1968 e baixar o AI-5 que fecharia completamente o regime foi nessa conjuntura que assumiu Médici em 1969. Uma das características principais de seu governo foi a resistência armada ao regime, a resposta foi a intensificação da repressão, pequenas grupos armados eram massacrados por milhares de soldados como aconteceu no Araguaia. Foi em seu governo também o assassinato do líder revolucionário Carlos Marighella, além dos inúmeros assassinatos e torturas brutais para reprimir completamente a resistência à ditadura.

No terreno econômico Medici impôs a política tradicional dos governantes fascistas em países atrasados, a submissão completa ao imperialismo. Os bancos internacionais necessitavam escravizar os países dominados com dividas, assim o país, que entrou em 1964 com a divida de 3,4 bilhões de dólares, terminou em 1985 (inicio do governo Sarney) com 104 bilhões, em proporção do PIB a divida foi de 15,7% para 54%, e ela assola o Brasil até hoje sugando uma enorme parcela dos recursos nacionais diretamente para enriquecer os bancos. Para a classe operária os espólios do “milagre” passaram longe, a inflação cresceu de maneira tão exponencial que quase tornou impossível a sobrevivência da população, o salário mínimo real caiu desde o golpe até a década de 1990 e só foi atingir novamente níveis próximos aos de antes de 1964 no governo Dilma.

O governo sanguinário de Medici foi sucedido pelos governos “moderados” de Geisel e Figueiredo até que as gigantescas mobilizações populares derrubaram a ditadura militar, contudo devido ao acordo feito por meio da frente ampla das Diretas Já não houve grandes alterações nas forças armadas e os mesmos fascistas que existiram durante a ditadura hoje em dia são os militares que estão no governo. É inconcebível subestimar o perigo que os Medicis da atualidade (Bolsonaro, Mourão, Villas Boas, Heleno, Braga Neto) apresentam a classe trabalhadora brasileira, só a mobilização do povo pode impedir um novo golpe militar e também derrotar o atual regime golpista que assola o país desde 2016.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas