O petróleo é nosso!
A enorme mobilização dos trabalhadores e estudantes garantiu a criação da Petrobras, empresa estatal que detinha o monopólio das jazidas, do refino e do transporte do petróleo
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Getúlio Vargas na refinaria de Mataripe Bahia | Foto: Reprodução

No dia 03 de outubro de 1953 foi sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas a lei que criava a empresa estatal que teria o monopólio sobre o petróleo, a Petrobras. A enorme conquista que foi sua fundação só pôde ocorrer devido as mobilizações massivas da classe trabalhadora, foi no mesmo período também que se conquistou o BNDES e estava em marcha a construção da Eletrobras que foi atrasada pelo golpe de 1954, o que revela que desde a década de 1950 o imperialismo tenta impedir e destruir completamente as conquistas do povo brasileiro.

A industrialização do Brasil, que havia começado lentamente no início do século XX teve um rápido crescimento a partir da Revolução de 1930, que colocou Vargas no poder pela primeira vez. Ela foi a ultima grande tentativa de revolução burguesa no Brasil que apesar de incompleta trouxe um grande progresso. Entretanto, com o início da ditadura do Estado Novo em 1937, que reprimiu duramente os trabalhadores as grandes conquistas feitas como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce foram acordos com o imperialismo, que ganhou por exemplo uma base militar em território nacional.

Em 1945 o imperialismo, vitorioso na guerra, não estava disposto a ceder mais nada e assim organizou um golpe para derrubar Vargas pela primeira vez. O novo governo do marechal Dutra se alinhou completamente com os EUA. Mas ao mesmo tempo, com o fim do Estado Novo, a classe operária se mobilizava cada vez mais e assim se garantiu a vitória de Vargas novamente em 1950, agora como representante do nacionalismo burguês. Seu governo foi marcado por enormes greves, como a dos 300 mil em São Paulo e a dos 100 mil no Rio de Janeiro, que impulsionaram o governo a enfrentar os monopólios imperialistas.

Possivelmente, um dos movimentos mais importantes do período foi justamente a campanha d’ “O petróleo é nosso”, lançada já em 1948, que unificava a classe operária, setores nacionalistas das forças armadas (que foram expurgados depois do golpe de 1964), estudantes, incluindo a própria UNE, setores da pequena burguesia intelectual e uma parcela da burguesia que se beneficiaria com a indústria de base. As mobilizações foram tão fortes que, o projeto inicial de ter uma empresa de capital misto foi abandonado em prol do monopólio estatal sobre as jazidas, o refino e o transporte do petróleo.

A industrialização do país, assim como a forte mobilização da classe trabalhadora – a maior da história até aquele momento – tornou o governo Vargas um alvo direto do imperialismo, que se aliou com um grande setor da burguesia nacional. Uma campanha golpista já havia se iniciado antes mesmo da eleição de Vargas e os acontecimentos se desenvolveram de forma muito semelhante ao golpe de 2016, com uma propaganda enorme acerca de uma possível corrupção. Contudo, não foi realizada uma tentativa de impeachment e sim uma deposição feita pelos militares, que cercaram o Palácio do Catete em 24 de agosto de 1954.

A história conhecida é que Vargas se suicidou para não ser deposto, o que é menos divulgado é que no dia seguinte uma mobilização popular gigantesca se iniciou em todo o país, atacando toda a imprensa golpista, consulados e embaixadas dos EUA, dentre outros alvos. O principal golpista, Carlos Lacerda, fugiu para a embaixada dos EUA e de lá nem pisou mais em território nacional, saiu de helicóptero para um navio e não voltou para o Brasil por meses com medo do povo. Isso colocou o golpe em xeque e manteve o regime político até o golpe de 1964.

A Petrobras viria a ser atacada principalmente no governo do lacaio dos EUA FHC que rasgou a enorme conquista que foi a lei de 1953 acabando com o monopólio estatal e destruindo parcialmente a empresa na tentativa de sua privatização. O ataque imperialista voltou com o golpe de 2016 que tem como um de seus principais objetivos tomar as enormes jazidas de petróleo, principalmente as recentes descobertas do Pré-sal. Os leilões que entregam nossa riqueza às petroleiras imperialistas e o processo de privatização da Petrobras são um dos principais ataques ao povo brasileiro feito pelos presidentes golpistas Temer e Bolsonaro.

A criação da Petrobras na década de 1950 revela o caminho que deve ser tomado nos dia de hoje, apenas com uma combativa mobilização popular em defesa do petróleo 100% estatal se garantirá a manutenção da Petrobras e o retorno ao que era antes do governo de destruição nacional de FHC. Contudo é importante que essa luta faça parte de uma luta geral de toda a classe trabalhadora brasileira contra o regime golpista que se instaurou com a derrubada da presidenta Dilma. O petróleo é nosso! Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Novas eleições com Lula candidato! Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo!

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