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Dia de hoje na História

02/05/1933: Hitler cria os sindicatos nazistas

Burguesia alemã derruba a esquerda, centrando no fascismo, mergulhando no racismo, no antissemitismo, no nacionalismo, e contrária ao comunismo e aos sindicatos.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Nazistas ocupam os sindicatos em 02/05/1933. Foto reprodução –

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O Deutsche Arbeiterpartei (Partido dos Trabalhadores Alemães), que antecedeu o NSDAP ( PONSA – Partido Operário Nacional Socialista Alemão), foi criado em 1919 inspirado pela Sociedade Thule para solucionar um “problema”: a classe trabalhadora pendia para a esquerda. “O começo do Nacional-Socialismo está numa sociedade claramente de direita e que tinha entre seus membros integrantes da aristocracia alemã”, diz Zarusky.

A burguesia dá o seu jeito para poder envolver umas das sociedades, naquele tempo, mais politizadas e completamente entregue aos projetos do socialismo, influenciando, inclusive, todos os governos que estiveram à frente da Alemanha até a República de Weimar, e que fizeram com que, desde o fim da guerra, em 1918, à 1933, quando vemos a vitória do fascismo na Alemanha, e a extrema direita levasse 11 anos para chegar ao poder, depois da ruptura proporcionada com a crise que se instaurou no mundo em 1929.

Após tanto tempo envolvendo as lideranças dos trabalhadores, e a social democracia, a burguesia alemã, com a crise, não tem mais como sustentar um governo de conciliação e parte para estruturar um linha de ação mais contundente com o fascismo, ainda que travestido inicialmente pela social democracia.

Adolf Hitler entrou no partido e logo se tornou sua figura principal, transformando-o no NSDAP (PONSA). Sob o seu comando, o partido se opôs à teoria marxista da luta de classes e defendeu a formação de uma comunidade nacional alemã que integrasse os trabalhadores. “Na visão fascista, marxistas e comunistas dividiam a comunidade nacional, cuja construção era o objetivo político nazista”, afirma o historiador Michael Wildt, professor da Universidade Humboldt, de Berlim.

O partido nazista até possuía correntes à esquerda, mas todas elas concordavam com a abolição do sistema liberal da República de Weimar, com o antissemitismo e com o nacionalismo. Nesse núcleo estavam Gregor e Otto Strasser e, inicialmente, Joseph Goebbels, o poderoso ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Nos 1920, o programa do NSDAP incluía elementos mais radicais ao capitalismo para atrair os trabalhadores. Contudo, antes mesmo de chegarem ao poder, em 1933, os nazistas eliminaram essa ala à esquerda. O então chanceler Kurt von Schleicher buscou rachar o movimento nazista em 1932, tentando formar uma ponte entre o setor de Gregor Strasser, visto como um competidor de Hitler, e os sindicatos, os social-democratas e partes dos militares.

A estratégia falhou. “Gregor Strasser, Ernst Röhm e muitos outros, que se apresentaram como revolucionários sociais, foram mortos na Noite das Facas Longas, em junho de 1934. Hitler sabia que precisava das elites conservadoras, das classes médias altas e dos industriais para seus planos expansionistas”, diz Postert.

Após chegar ao poder, Hitler passou leis emergenciais para restringir a liberdade pessoal, o que lhe permitiu perseguir e prender líderes comunistas e banir deputados comunistas, sindicatos e todos os demais partidos políticos. Em 02/05/1933, invade os sindicatos com o exército e os toma dos trabalhadores.

Apesar de carregar o termo em seu nome, o NSDAP estava bem distante do socialismo. O conceito de socialismo de Hitler era completamente oposto ao da União Soviética, tendo a raça como base. Em 1932, o líder nazista disse: “O comunismo não é socialismo. O marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. O socialismo é uma antiga instituição ariana e germânica […] Para nós, Estado e raça são um.”

A volksgemeinschaft seria, assim, algo exclusivo da etnia germânica. Esse racismo estava presente também na tentativa de implementar um Estado de bem-estar social, usado como ferramenta para garantir apoio entre os trabalhadores. O sistema excluía imigrantes, judeus, opositores e aqueles considerados “sem valor”, como deficientes e homossexuais.

Antes mesmo de 1933 foram criadas organizações de massa, como a Frente dos Trabalhadores Alemães e a Força pela Alegria, para garantir a lealdade dos trabalhadores. Entrar para o partido nazista também abria oportunidades.  Segundo Postert: “Ainda que o regime não tenha tocado na propriedade privada e a situação da classe trabalhadora não tenha mudado fundamentalmente, os nazistas integraram grande parte dos trabalhadores em sua utopia social, enquanto destruíam as estruturas e organizações da esquerda política”.

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