China
Há 93 anos, em 1 de agosto de 1927 era fundado o Exército de libertação da Popular da China, a força decorrente da mobilização revolucionária
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Soldados do Exército de Libertação Popular da China | Foto: Reprodução

Há 93 anos, em 1 de agosto de 1927 era fundado o Exército de Libertação Popular da China. Decorrente da mobilização revolucionária que saiu vitoriosa na Segunda Guerra Sino-Japonesa contra o nacionalismo reacionário do Kuomintang – liderado por Chiang Kai-Shek – foi a base para o estabelecimento da República Popular da China em 1949.

Após derrotar a dinastia Qing em 1911, o Kuomintang, liderado por seu fundador Sun Yat-sen, sofreu uma série de derrotas, chegando a ser reprimido, tendo estabelecido seu controle apenas na região Sul da China. Neste período tem início uma mobilização revolucionária dos trabalhadores chineses. Nos 14 anos seguintes, a classe operária chinesa se afirma sobre a base do fracasso do nacionalismo. Frente a movimentação da classe operária, a burguesia responde com uma repressão extremamente dura.

Em 1923, um dos senhores da guerra realiza um verdadeiro massacre em Pequim contra trabalhadores em greve, quase um prenúncio do que se passaria em 1925. Neste momento, o nacionalismo do Kuomintang entra em um momento de reação. Estima-se que dois terços do partidos estavam alinhados com a política reacionária, o que seria um produto do medo que a burguesia demonstrava da mobilização operária.

Neste período o Kuomintang não aceita apenas uma frente com o Partido Comunista Chinês e exige integração do mesmo. A União Soviética, que internacionalmente estava em uma política de total submissão ao nacionalismo burguês, em uma capitulação desastrosa aceita os termos. Essa política de submissão gera uma confusão gigantesca e desarma a classe operária diante da burguesia. A confusão é tamanha que Chiang Kai-shek, líder da repressão do Kuomintang à classe operária, foi presidente da Internacional Camponesa e comandante da academia militar que a União Soviética mantinha em Cantão.

O nacionalismo do Kuomintang a todo momento tenta uma aproximação com a burguesia. Essa aliança acaba se concretizando principalmente com o setor chamado de Burguesia Compradora, que eram os representantes das empresas imperialistas norte-americanas na China. A família Sung foi uma das principais, estando entre as quatro que controlaram economicamente a China sobre o domínio do Kuomintang.

Em 1925 há uma intensificação da mobilização popular por todo o país, que se concentra nas grandes cidades, principalmente em Xangai. É um momento verdadeiramente revolucionário. Essa agitação impulsiona o Kuomintang a tentar derrotar os senhores da guerra e restabelecer a unidade nacional, em uma verdadeira expedição ao norte do país.

No marco da empreitada do Kuomintang rumo ao norte, para controlar a maré revolucionária e desviar a luta, que já tem como locomotiva a classe operária chinesa, a revolução proletária se desenvolve plenamente.

É assim que em 1927, os operários de Xangai entram em greve, armam-se e organizam um levante, com piquetes e milícias operárias tomam conta da cidade mais industrial e importante da China.

O levante operário produz a ruptura total entre a classe operária e o movimento nacionalista. A burguesia se assusta com o levante armado dos operários, uma vez que é comunismo, de forma concreta que aparece, já não é um movimento qualquer, é contra a propriedade privada.

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O Kuomintang promove um massacre espantoso da classe operária e dos comunistas, tendo como objetivo esmagar a revolução pela força.

É em 12 de abril de 1927, em meio a toda essa mobilização, que ocorre um levante operário em Xangai, e esse levante é duramente reprimido pelo Kuomintang, ficando conhecido como o Massacre de Xangai. Mesmo diante desse fato, a burocracia da União Soviética insiste na aliança com o nacionalismo chinês. Neste caso, com a ala esquerda do Kuomintang, liderado por Wang Jingwei na cidade de Wuhan, onde ocorre um segundo massacre. Desta vez promovido pela ala esquerda do Kuomintang, demonstrando que a burguesia chinesa, apavorada pelo levante operário, havia passado para uma posição absolutamente reacionária. Mesmo assim, Stalin nunca rompeu com o Kuomintang.

A superação do nacionalismo do Kuomintang, a vitória na Segunda Guerra Sino-Japonesa e as experiências nas Guerra da Coreia, na Guerra Sino-Indiana e no conflito fronteiriço sino-soviético, entre outros, demonstraram a importância do Exército de Libertação Popular da China, força que hoje representa o segundo maior orçamento militar do mundo e a terceira força bélica mundial.

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