O que vi em São Bernardo: o povo deixou a polícia na miúda

Por Juliano Lopes

Estive todos os dias em São Bernardo do Campo, junto com outros militantes do PCO, do PT, de outros partidos, organizações e milhares de trabalhadores que são contra a prisão de Lula, contra sua condução pela Polícia Federal.

O tempo que ficamos lá, a Polícia Militar não teve a coragem de fazer absolutamente nada. Justamente a PM de São Paulo, famosa por arrancar olhos de jornalista na bala, espancar estudantes, bater em moradores de rua, reprimir duramente as manifestações, matar milhares de pessoas por ano, etc.

As vias foram fechadas e tomadas por manifestantes. A polícia apenas olhava, a truculenta Guarda Civil de São Bernardo do Campo, também, paralisada. Já a imperialista Polícia Federal só apareceu nos ares, de aeronaves, e ao final, disfarçada em vans brancas, para evitar qualquer ataque.

Em alguma altura correu o boato de que o “choque estava vindo”. A reação que vi, inclusive de idosos, era de que enfrentariam a repressão da maneira que fosse possível, que teriam que passar por cima de cadáveres para levar Lula.

Estava claro que a repressão não teria coragem de machucar um único manifestante, pois o preço poderia ser caro demais. O povo que lá estava tinha o espírito combativo, disposto a enfrentar qualquer um contra a arbitrariedade do Poder Judiciário, contra a prisão ilegal de Lula.

Uma coisa que ficou muito claro é que a população organizada é capaz, a única capaz de colocar um freio ao golpe de Estado. É através de grandes mobilizações contra os golpistas que será possível impor uma derrota ao regime golpista.

Apesar do desfecho, que foi apenas parcial, o problema está colocado e a ocupação de São Bernardo demonstrou que é possível arrancar uma vitória sobre os golpistas. É movimento que precisa ser ampliado em Curitiba, transformar a cidade em uma panela de pressão, ocupar a cidade, e devolver o troco para os golpistas.