Lula é o centro da luta política

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Trancrita abaixo a clareza politica de Rui Costa Pimenta sobre a questão Lula e a falsa dualidade das frentes “combatentes da reforma previdenciária versus movimento pró-Lula”. Essa explanação foi proferida na última edição da “Análise política da semana” (sábado, 10 de fevereiro), programa tradicional da Causa Operária TV.
https://youtu.be/jGd0iozJEKU
Já pela terceira ou quarta semana coloca-se o “caso Lula” aqui como assunto principal. E de fato o caso é o principal tema atual. Há toda uma discussão em torno da reforma da previdência, feita em separado da política nacional (o golpe, a questão do Lula, a questão da prisão dele, se ele vai ou não concorrer a presidência da república, entre outros). Essa forma de abordar o problema é uma política de avestruz. Não adianta ficar batendo bumbo na questão da previdência enquanto a questão chave da política nacional está sendo encaminhada em favor dos golpistas. Não adianta cuidar do que é acessório e deixar de lado o fundamental. Muitos demagogos da esquerda dirão que “Para o PCO, a questão da previdência, que atinge milhões de trabalhadores brasileiros, é secundária em relação a questão Lula”. Sim, é secundária. Não por minorar o problema dos trabalhadores, mas por se ter a clareza de que a política tem suas próprias regras. Já haviamos dito aqui coisa semelhante no início do processo que culminou no impeachment de Dilma. Nessa época, havia todo um setor da esquerda preferindo lutar contra a reforma fiscal de Dilma em vez de concentrar forças para combater o impeachment da então presidenta. “Isso é querer fazer com que o ‘rabo balance o cachorro'”. Nós explicavamos uma coisa óbvia: ” Se os golpistas forem vitoriosos, vão fazer o atual reajuste fiscal de Dilma, uma coisa maravilhosa”. É algo claro: “poder em primeiro lugar – quem tem o poder, faz”. No entando o pessoal insistia nessa política desorientada que causava confusão dentro do movimento contra-impeachment, paralizando-o. Essa questão era bem evidente na frente “povo sem medo”. Em alguns atos, dos quais também participamos; eles não queriam falar em “golpe”, tampouco em impeachment. Agora, estamos vendo a mesma situação: uma parte da esquerda prioriza a questão da previdência em vez de se focar na questão Lula. Isso, apesar de ele ser a única pessoa (do ponto de vista eleitoral) forte o suficiente para fazer frente ao controle estabelecido pelos golpistas. Se Lula for tirado de campo, não importa qual candidato a esquerda apresente, quem vai ganhar a eleição será o canditato da direita. Luciano Huck, Alckmin ou um cadáver tirado do cemitério, não importa a qualidade do candidato apresentado pela direita, sem oposição à altura, eles irão vencer as eleições. A máquina política deles garante a eleição de qualquer um… Ou será realmente possível que um canditato do PSTU ganhe de fato ganhe as eleições? Lógico que não! Ou seja, tudo isso é verdadeiramente uma troca de prioridades, uma confusão política. Pior, uma capitulação política. É como a questão do ajuste fiscal da Dilma: quem realmente ficou na luta contra essa medida, só contribuiu para o “super, ultra, mega, hiper” ajuste do Temer que veio na sequência. A política não é feita de considerações morais, românticas ou emocionais. É uma espécie de jogo em que se precisa jogar da maneira correta e dotada de profundas consequências. Diferente do xadrez, portanto, “perder o jogo” não implica na simples “humilhação” de uma das partes, impacta profundamente a vida de milhões e milhões de pessoas. No jogo de hoje, o centro da partida não é a questão da previdência, mas a de Lula.
     A direita só ainda não aprovou a reforma previdenciaria devido as contradições internas do próprio bloco golpista. Se não, isso já teria sido votado. Ninguém está preocupado com os atos públicos pontuais nas vésperas da votação. Isso não funciona. Em quarenta anos de militância, nunca vi uma só vez um ato em véspera de votação surtir efeito. Ele é tão inócuo que não muda nem um ou dois votos no Congresso Nacional. Se fosse a primeira vez a se ver isso, ainda seria possível a pergunta, “não sei, vamos fazer um ato na frente do Congresso Nacional e ver…” mas não resolveria nada. Inclusive, dirigir o ato para o congresso nacional, é, em si, uma política equivocada.

Primeiramente, com os métodos de luta que estão sendo hoje utilizados pelos sindicatos e centrais sindicais, essa luta tem muito pouco futuro. Segundo, consideremos o milagre de que essa luta bloqueasse a reforma da previdência, no primeiro momento em que o candidato da direita (um maluco como Huck, o Tiririca ou qualquer outro que escolhessem) fosse colocado no poder com 90% dos votos; e ganhassem também as eleições para o Congresso, tornando-o ainda mais direitista do que já é (e é o que ocorrerá, salvo intervenção muito dura do movimento operário), será votada uma reforma da previdência duas vezes pior do que essa.  Logo, é preciso um pouco de bom-senso para a analisar a questão política e ver quais são as reais opções para enfrentar a situação. A chave da questão, nesse momento, é o Lula. Ele é o “espinho” no plano dos golpistas até o momento. Se ele concorrer as eleições, formam-se dois cenários muito claros, mesmo na incerteza de sua vitória ou não, sabe-se que as eleições ocorrerão na base de uma enorme crise e, provavelmente, de uma enorme mobilização popular. Se ele não concorrer, não terão eliminado a crise, pois tirar o Lula das eleições é, em si, um fator de crise, mas eles terão muito mais condições políticas para levar adiante uma política de guerra contra a população (que é o que eles têm em estoque). Agora, se o pessoal acha que a reforma da previdência, a liquidação da CLT, a super reforma fiscal do Temer, esgotam o pacote das maldades dos golpistas, estão totalmente equivocados. Se um governo direitista se implantar no país, o ataque contra a população será realmente extraordinário. Só quem não viu há época FHC acha que não. Outra coisa: a situação do golpe está sendo dificultada em grande medida, devido ao crescimento da oposição popular em relação ao golpe propriamente dito, o que se reflete no crescimento da candidatura do próprio Lula. Então, é preciso entender que o centro da situação politica está indo nessa direção: defender o Lula contra a ameaça de prisão vinculada pelo judiciário é a maneira mais concreta e precisa, hoje, para se opor ao golpe de estado. Se não se tivermos clareza dessas diretrizes políticas, estaremos completamente desorientados.

“A questão lula é o centro do jogo” e “se não tivermos clareza dessas diretrizes políticas, estaremos completamente desorientados” são os dois pontos principais que podemos tirar como conclusão da exposição do companheiro Rui. Nessa luta, vence quem tem clareza e foco. É preciso saber as regras do jogo. Para isso, ouvimos quem tem experiência de luta. Rui Costa Pimenta é militante há mais de quarenta anos e divulga semanalmente sua interpretação política na “Análise Politica da Semana”, aos sábados (11h30). É possível presenciá-lo no CCBB, Rua Serranos, 90. Ou assitir ao vivo pelas redes sociais (COTV, no youtube e facebook). Esperamos por você lá!
Aqui você acessa essa analise na íntegra.
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