Um carnaval em que “pecado” foi não lutar contra o golpe e os golpistas

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Escrevemos esta coluna em meio aos festejos carnavalescos que, mais uma vez, contrariaram as “análises” superficiais da esquerda pequeno burguesa que – assim como a direita – considera que tudo que diga respeito às manifestações e tradições genuínas da classe operária e demais setores explorados, como o futebol e o carnaval, são alienantes, surpérfluas e desnecessárias.
Mais uma vez, no carnaval, se expressaram de forma espontânea e , as mais profundas tendências de revolta popular que, em geral, superam de longe a política dessa esquerda de analisar a situação do ponto de vista de seus interesses e suas concepções mais reacionárias.
Possivelmente, o carnaval de 2018 será lembrado como o que teve as maiores manifestações políticas desde os grandes protestos no carnaval contra a ditadura e contra o governo Sarney, na década de 80. Uma clara expressão da evolução da situação política de conjunto.
Assim, desde os preparativos do Carnaval e já nos primeiros dias do “reinado de Momo”, além do espirito festivo e descontraído do povo brasileiro, oposto ao da burguesia conservadora e reacionária – que a tudo que venha realmente do povo quer censurar, proibir e controlar -, se manifestou mais uma vez a irreverência e o sentimento de revolta popular e a oposição ao regime político parido do golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, eleita por mais de 54,5 milhões de votos, para governar até 31 de dezembro deste ano.
Fizeram sucesso, nas ruas e nas redes sociais, as inúmeras marchinhas compostas para exaltar o caráter farsesco da ditadura da justiça e ridicularizar elementos de proa do regime atual que ficaram à salvo da criminosa operação Lava Jato, como Michel Temer Um carnaval de luta contra o golpe e os golpistas 1e Aécio Neves.
No site da CUT – Central Única dos Trabalhadores, maior organização da classe trabalhadora brasileira, por exemplo, foram destacadas 10 composições de protesto, de diversas cidades.
Até mesmo nos monopólios de comunicação vazou que entre as máscaras mais populares estavam a da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula, que a direita quer colocar na cadeia nas próximas semanas e a maioria da nação que colocar de volta na presidência da República.
Presenciáveis e figuras de proa da direita não tiveram coragem de sair às ruas, evidenciando seu caráter antipopular e, quando o fizeram, foram tripudiados pela maioria da população, como se deu com o prefeito de Salvador, ACM Neto, e com o prefake paulistano, João Doria, que não so foi alvo de inúmeros protestos populares, como ganhou destaque na venal imprensa capitalista – acostumada ocultar tudo que desagrada seus interesses reacionários – ao ser rejeitado até mesmo por artistas popularesUm carnaval de luta contra o golpe e os golpistas como Zeca Pagodinho  e outros que, de modo algum quiseram ter sua imagem associada ao inimigo do povo e do carnaval paulistano.
No Rio de Janeiro, como em todo o País, abundaram – ainda que quase sempre ocultados pela Globo e demais integrantes do “Partido da Imprensa Golpista” – as manifestações contra os ataques da direita golpista. No “maior show da terra”, o desfile da Marquês da Sapucaí, destacaram-se, apenas no primeiro dia de desfile e até o momento que escrevíamos esta coluna, a bela apresentação da campeã do grupo de acesso de 2017, a Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, que com o enredo “Meu Deus, meu Deus! Está extinha a escravidão?”, lembrando os 130 anos da Lei Áurea, denunciou a escravidão que continua e se acentua com a “reforma” trabalhista e outros ataques do regime atual, mostrou os “coxinhas” e “patos” manipulados pela FIESP Um carnaval de luta contra o golpe e os golpistas 2 e pelo grande capital que patrocinou o golpe e atacou diretamente o amplamente repudiado governo Temer. Apresentado como verdadeiro Lucifer, no carro alegórico que fechou o desfile da Paraíso, o nome do presidente golpista foi ocultado pela TV Globo, detentora do monopolio da transmissão, com seus comentaristas apenas anunciando-o como o “vampirão”.
E coube à gloriosa Estação Primeira de Mangueira, cantar em verso e prosa e com muito samba no pé, o repúdio merecido aos governos reacionários, como o do Cidade Maravilhosa, do bispo Marcelo Crivela, que procuram criar barreiras e limites à festa popular, cortando verbas, estabelecendo proibições etc. Lembrando o irreverente e criativo Joãozinho Trinta, a Mangueira escrachou o prefeito antipovo, com a imagem em miniatura coberta do Cristo Redentor, com os dizeres “Rogai por nós, o prefeito não sabe que faz”, com versos de seu belo samba enredo, dentre os quais se destacava, “pecado é não brincar o carnaval”, também mostrado em carro alegorico Um carnaval de luta contra o golpe e os golpistas 3que trazia Crivela, merecidamente como “Judas” do carnaval. A Mangueira também mostrava em sua belíssima comissão de frente que é preciso “pular as grades” colocadas pelos governos repressivos para derrotar a tentativa de retirar dos blocos e outras formas de agremiações o direito de brincar o carnaval.Um carnaval de luta contra o golpe e os golpistas 4
Que eles tremam. Pois, nos dias que seguem ao carnaval, esta enorme energia popular, esta irreverência e tendência de rejeição contra os golpistas e seu regime antipopular podem se materializar em um enorme mobilização, comandada pelas grandes organizações operárias e populares, criadas pelos explorados em suas lutas, para impedir a prisão de Lula, barrar a tentativa de aprofundar o golpe de estado impor novas derrotas aos milhões de integrantes dos “blocos de sujos” – como a “reforma” da Previdência, com o fim da aposentadoria.
Que o canto e a luta do povo se faça ainda mais forte, por meio de uma ampla e generalizada mobilização revolucionária pois, se para brincar o carnaval foi preciso lutar contra a direita, para impedir o avanço do golpe será preciso uma intensa e generalizada luta. E, se ela vier, ninguém vai segurar a força do povo e impedir sua vitoria.
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