A difícil tarefa de manter a estabilidade do regime alemão

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A difícil tarefa de manter a estabilidade do regime alemão

Em Berlim, após uma reunião que durou cerca de 24 horas o bloco conservador de Angela Merkel conseguiu um acordo com o Partido Social-Democrata para a formação de um novo governo. As negociações para a formação de um governo de coalizão vem se arrastando desde o encerramento das eleições em novembro do ano passado e desde então a Alemanha encontra-se sem um governo.

Embora seja um grande passo, o documento saído das negociações é apenas uma carta de intenções para a formação de um governo e não um acordo selado. O Partido Social-Democrata deverá submetê-lo à aprovação dos membros do partido que totalizam 464.000 pessoas. A existência dentro do partido de uma forte campanha pela rejeição do acordo combinada com a anterior fraca maioria obtida quando foi feita a consulta quanto à aprovação para as negociações não permite que o endosso seja menos que uma certeza.

O processo de consulta interna dentro do Partido Social-Democrata deverá durar três semanas e caso seja rejeitado restaria a Merkel formar um governo minoritário ou convocar novas eleições. O governo segue operando com poderes limitados e dentro da União Democrática Cristã embora não haja necessidade de ratificação interna do acordo prossegue a ruidosa contestação à sua líder.

Alguns pontos do acordo podem servir para entender esse quadro complexo. Os cargos de Ministro das Finanças e Ministro das Relações Exteriores, dois dos cinco mais importantes na estrutura governamental alemã estão sendo cedidos à esquerda o que sinaliza mudanças importantes. O papel do ministro das finanças não é restrito ao âmbito interno uma vez que ele atua no âmbito da União Europeia. O Presidente da França, Emmanuel Macron, junto com o governo alemão está liderando um movimento que propõe reformas para a União Europeia (na verdade uma divisão em dois blocos) e os dois ministérios são importantes para influenciar tais mudanças.

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O sistema capitalista está procurando saídas para sua crise e o que ocorre na política alemã reflete as divergências entre frações da burguesia o que nos faz lembrar que a presente dificuldade para formação do governo advém da diminuição do número de cadeiras no parlamento dos dois maiores partidos alemães (União Democrática Cristã/União Social Cristã e Partido Social-Democrata) e do crescimento da Alternativa Para a Alemanha, partido de (extrema) direita, que pela primeira vez elegeu representantes no parlamento e já se tornou a terceira força política do país.

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