37º Congresso do Andes: o colapso do PSTU

Compartilhar:

O 37º congresso do Andes, realizado em Salvador entre 22 e 27 de janeiro, serviu para evidenciar que a mobilização política contra o golpe começa a ganhar terreno, mesmo em uma entidade dirigida pela esquerda pequeno burguesa. A resistência e luta contra a direita começa a produzir deslocamentos.

Em todas as resoluções aprovadas do Congresso, ( em especial a aprovação de uma moção contra a condenação do ex-presidente Lula)  manifestou-se  uma tendência a uma mudança política no sindicato.  As posições centristas ainda predominam, mas uma conclusão política ficou patente no 37 congresso, existe uma significativa  rejeição no Andes, inclusive na própria base da diretoria do Andes, das proposições ultraesquerdista pró-golpe do PSTU.

Deste modo, o PSTU simplesmente não conseguiu aprovar uma única resolução em todo o congresso. Assim,  ficou patente, que a política completamente insana do PSTU, como  a “ prisão de todos os corruptos”, inclusive dos “corruptos de esquerda”, isso na semana do julgamento do recurso de Lula no TRF4,   bem como a posição pró-imperialista do “ Fora Maduro” na Venezuela são posições não apenas extravagantes mas sobretudo pró-direita.

Em consequência, mesmos os parceiros tradicionais da esquerda pequeno burguesa da diretoria do Andes do PSTU, não puderam defender essa política tão abertamente golpista. E mais que isso, o dono da CSP ficou de fora da composição das chapas que disputaram as eleições do sindicato em maio próximo, sendo que o Andes é o maior sindicato filiado a “ central” do PSTU.È preciso constatar que o 37 congresso do Andes assinala o fracasso do PSTU no Andes, e abre o caminho para resgatar a entidade como um sindicato de luta.

Durante toda a crise política, que levou ao processo de impeachment fraudulento em 2016, a diretoria do Andes impôs uma política de capitulação política que se manifestava na obtusa recusa em lutar contra a direita golpista. O ato mais escabrosa da atual diretoria do Andes foi exatamente na sua posse, no 61 Conad realizado em  Boa Vista (RR), quando a diretoria recém empossada defendeu a rejeição de uma resolução que apresentava uma posição  formal contra o impeachment da presidenta Dilma, nem golpe era mencionado.

Analisei o que isso representou naquela conjuntura, no artigo  61º CONAD: A lógica binária e bizarra da diretoria do ANDES ( 22/7/2016).  Salientava que “A política negacionista do golpe da diretoria do Andes é uma forma de alienação sobre a crise brasileira, sendo recheada de “argumentos” na verdade preconceitos ultraesquerdistas para justificar sua negativa em lutar contra o golpe e contra a direita”.  

Essa posição política da diretoria do Andes, ( vitoriosa com estreita margem)  tomada praticamente nas vésperas do afastamento definitivo da presidenta eleita Dilma Rousselff já sinalizava que a “ nova” gestão 2016-2018 do sindicato estava disposta a manter a mesma política ultraesquerdista da CSP/PSTU imposta no Andes.

Lamentavelmente essa política sectária levou o sindicato nacional a uma confusão política, ficando completamente à margem da luta contra o golpe, que se desenvolveu e por sinal continua  se desenvolvendo nas universidades brasileiras.

A defesa do “ Fora Dilma” e do “ Fora Todos” pelos morenistas é o resultado de uma adesão a uma política de frente única com a direita. Através da CSP, uma pseudocentral apresentada como “combativa”, mas na verdade é apenas um pequeno aparato sindical controlado pelo PSTU, foi se impondo uma política pró-direita aos poucos sindicatos filiados.

A grande desventura para o movimento docente é que através de uma serie de manobras e truques burocráticos, que contou com a parceria e cumplicidade da esquerda pequeno burguesa, o Andes, o sindicato nacional dos docentes do ensino superior ficou completamente a reboque do sectarismo do PSTU, apesar desse partido ser minoritário nas sucessivas direções do Andes e insignificante na base da categoria.

A tônica política da diretoria do Andes  nunca foi defender a universidade e a democracia nem muito menos enfrentar a direita, mas exatamente o seu inverso. Em nome de abstrações como “ lutar contra os governistas”, (que estavam sendo depostos) e de que o “ PT era igual ou pior que a direita”, a  diretoria do Andes negou de maneira exaltada o ” golpe” , chegando a afirmar que o  “golpe era invenção do PT, para conseguir apoio para o governo de conciliação de classes”.

O supra sumo da política da diretoria do Andes era negar o golpe e atacar duramente o partido da esquerda moderada que estava sendo derrubado pela direita reacionária pró-imperialista através de engrenagens golpistas ( PF, judiciário, imprensa e parlamento).

Pois bem, se lançarmos um olhar retrospectivo para essa política negacionista do golpe da diretoria do Andes, adotada  pelos grupos da esquerda pequeno burguesa, como o PSOL e PCB, que pressionados pelo PSTU, através da CSP  priorizaram atacar o PT, significa concretamente que o “ imobilismo” e a suposta“ neutralidade” foi uma gritante capitulação para a direita golpista nas universidades.

O golpe não se resumiu no afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República. O golpe produziu uma feroz ofensiva contra os trabalhadores e direitos democráticos do povo. Na medida em que fica cada vez mais evidente, que o impeachment era apenas a porta de passagem para um processo mais amplo,  com o aumento dos  ataques  contra os trabalhadores e suas organizações foi sendo desmontado os mecanismos de ocultamente do real significado do golpe, que o discurso artificialmente ” combativo” da esquerda pequeno burguesa do Andes proferia.

O acirramento da disputa politica no 37 congresso do Andes, inclusive com o desenvolvimento de uma alternativa de direção, através do movimento de oposição Renova Andes, não é fruto do acaso, mas é a expressão da luta contra o golpe nas universidades e a da crescente insatisfação dos docentes com as posições ultraesquerdistas adotadas pela diretoria do Andes.

A criação de comitês de luta contra o golpe em praticamente todas as universidades do pais, nas mobilizações contra as arbitrariedades cometidas pelos golpistas nas universidades, ( condução coercitiva dos dirigentes da UFMG, entre muitos outros) colocou por terra o discurso do PSTU/CSP, que todos são iguais.

O que o 37 congresso do Andes escancarou foi qual o verdadeiro sentido da política ” esquerdista” do PSTU e sua “central”  CSP no Andes. Defender a prisão de Lula e dos reitores ” corruptos”, a negativa em lutar contra o golpe e em defender  os direitos democráticos, aliados a propagação da consigna ” Fora Maduro” na Venezuela indicam de maneira cabal que o PSTU é um mera marionete da direita golpista no Andes.  A  crise provocada pelo apoio ao golpe,  já tinha se manifestado no esfacelamento do partido “ radical”,  parcialmente no Congresso da CSP e agora manifesta-se na rejeição da política abertamente golpista do PSTU pelos docentes do Andes.

Ao aproximar-se mais de perto da composição política da diretoria do Andes, podemos ver que entre os grupos que compõem a diretoria ( PSOL,PCB e PSTU e seus rachas) é o PSTU, o partido que de maneira mais aberta e decidida procura impor a política pró- golpe no Andes.

A crise do PSTU também expressa em outro sentido, a crise do centrismo dos grupos majoritários da diretoria, que mantem posições do PSTU no fundamental, amenizando os aspectos mais aberrantes.O crescimento da contestação das posições negadores do golpe da diretoria do Andes, a pressão vindo das bases para um posicionamento contra a condenação de Lula e em especial o crescimento da oposição Renova Andes restringiram as tradicionais manobras que permitiam o golpista PSTU na direção do Andes.

O colapso do grupo mais golpista e do golpismo mais escancarado no Andes, aponta para uma reversão de tendências. Antes o PSTU, aproveitava da campanha coxinha contra o PT da imprensa burguesa para fazer uma forte pressão ( traduzindo o discurso coxinha para uma versão esquerdista estilo morenista) sobre os setores vacilantes da esquerda.

Os setores próximos do PT ficaram nitidamente intimidados pela denúncias da direita  e pelos ataques da ” esquerda”  se escondiam, ( assim petistas se recusam a defender até mesmo o mandato eleito de Dilma Rousselff por” falta de popularidade” e embarcaram na canoa furada de ” Diretas já” junto com a esquerda pequeno burguesa).

Por sua vez, docentes da esquerda pequeno burguesa  ficavam pressionados a não lutar contra o golpe, pois lutar contra a direita seria apoiar os “traidores ” do PT. O PSTU fazia uma política de sapa contra as mobilizações ” Não vai ter golpe”, e através de bravatas acusava qualquer um que ousasse lutar contra a derrubada do governo do PT, de ser cúmplice do que o PT fazia.

O colapso do PSTU tem alcance extaordinário. Para enfrentar a ofensiva dos golpistas é preciso superar toda indecisão e vacilação, diminuindo os espaços intermediários. Assim, agora  é o movimento anti golpista que pressiona os setores da esquerda pequeno burguesa para enfrentar a direita.

Rascunho automático 67

De qualquer forma, mesmo admitindo que ainda existe muito golpismo camuflado no Andes, o fracasso do PSTU no 37 congresso do Andes  e a sua exclusão da composição da chapa da esquerda pequeno burguesa sinaliza algo extremante positivo. Representa  uma importante vitória política contra o golpe, na medida em que é derrotado um agente direto dos golpistas e do imperialismo no interior do Andes.

artigo Anterior

Jorge Altamira (PO) adere à cruzada golpista na Encruzilhada Brasileira

Próximo artigo

É preciso intensificar a luta contra a prisão de Lula

Leia mais

Deixe uma resposta