“Todos na cadeia “no Congresso do Andes: PSTU/Lava Jato defende a prisão dos reitores “corruptos”

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O plenário do 37º Congresso do Andes ficou estarrecido pela política de “tolerância zero”  da CSP/PSTU, que não satisfeito em propor a prisão de todos os “ corruptos” , dos partidos da direita quanto dos partidos da esquerda, em especial dos petistas, na abertura do congresso do Andes, pregou a prisão de “ todos”, inclusive dos “ reitores corruptos” nas universidades.

Essa posição absurda, por parte de um partido e de uma “central” que se reivindica de “esquerda” e dos “trabalhadores” tem um significado político profundo. Como já expus anteriormente, isso não tem nada a ver com marxismo nem com posições democráticas. O PSTU quer substituir a luta política em torno de uma pauta ligada aos interesses dos trabalhadores, por uma pauta forjada artificialmente e demagogicamente pela direita reacionária para promover o golpe de Estado.

A defesa alucinada por parte do PSTU da prisão de “todos os corruptos “, isso dito inclusive depois de anunciado a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF4 escancara a frente única entre os morenistas com a direita para encarcerar a esquerda, em especial o ex-presidente Lula.

Em suma, o PSTU adotou a reacionária e tradicional política da direita nacional, no estilo UDN/MBL de reduzir a política a luta contra “ os corruptos”. É importante mencionar, que os mais extremados defensores da “intervenção militar”, também são contra a seletividade das punições, e advogam também “ cadeia para todos os políticos”, junto com a volta dos militares.

Na verdade, o PSTU e outros segmentos da esquerda burguesa estão aderindo entusiasticamente a ideologia burguesa da Operação Lava Jato, de negação dos direitos em nome do “combate a corrupção”.

A farsa do julgamento de Lula no TRF4, quando o ex-presidente foi condenado sem absolutamente nenhuma prova de que o Tríplex era de sua propriedade, demostra que a operação Lava Jato e a campanha orquestrada pela Globo de “combate a corrupção” é tão somente uma manipulação ideológica para justificar a perseguição a Lula e ao PT.

O que precisamos desenhar para os docentes do PSTU é que o “combate a corrupção” por parte do judiciário golpista é parte de uma operação fraudulenta para estabelecer um regime golpista no país. Não existe “luta contra a corrupção”, mas luta política pelo poder. O lenço branco udenista no passado, e a verborragia coxinha do MBL no presente representam a luta da direita para derrubar governos nacionalistas ou de centro esquerda (de conciliação de classe como diz a esquerda pequeno burguesa no Andes). O uso do discurso moralista, ao sabor da classe média, é uma instrumentalização ideológica com objetivos reacionários no processo de luta política entre as classes.

Defender a prisão dos reitores “ corruptos”  é defender os ataques contra a autonomia universitária

O que os novos tempos apresentam como característica é a necessidade de uma luta política intensa contra a direita golpista. Num contexto, de golpe de estado, que está reconfigurando completamente o regime político, tornando-o cada vez mais impermeável a participação popular, retirando de maneira inaudita os direitos sociais e democráticos do povo brasileiro, não podemos permitir qualquer tipo de confusão política, que gera paralisia, que somente favorece os próprios promotores do golpe.

Dessa forma, é importante analisar o que significa a recusa do PSTU ( de certa forma do próprio Andes) em defender a autonomia universitária, que em diversos episódios passa por enfrentar os ataques da Lava Jato ( e do judiciário em geral) contra os reitores.

Quando o PSTU/CSP afirma que não se pode defender os reitores e a burocracia universitária quando atacados pela direita, pois não são mais docentes, revela, primeiramente um primarismo básico, ou seja não enverga que o objetivo do judiciário e dos golpistas é a destruição da universidade, e para isso atacam a burocracia universitária. Não se trata de uma cruzada moral contra a corrupção nas universidades. Ao atacar o reitor de uma instituição, a finalidade dos golpistas é atacar a instituição da autonomia universitária no seu conjunto e ao mesmo tempo criar os pretextos para a privatização.

A repressão contra os trabalhadores e o cerceamento dos direitos sociais e democráticos são componentes essenciais da política dos golpistas. Uma série de ataques contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de cátedra e contra a autonomia nas universidades brasileiras sinalizam que as garantias elementares do Estado de Direito estão sendo desmanteladas.

Calar as universidades é parte da política da direita reacionária. Atacando não somente a liberdade de expressão, através da Escola sem Partido, mas infligindo ataques contra a própria instituição universitária, através dos cortes de verbas, ameaça concreta de privatização das universidades públicas (basta ver o relatório do Banco Mundial),etc  E mais que isso, o objetivo estratégico é atacar própria essência da universidade, acabando com a tênue autonomia universitária presente na nossa constituição.

A tendência geral do regime instalado pós-impeachment  é o aprofundamento dos ataques contra as universidades, as atividades artísticas e culturais. Logicamente, que um governo fruto de um golpe de estado não pode conviver com o livre debate. Além disso, a direita reacionária tem consciência, inclusive por experiência concreta(na ditadura militar), que seguimentos culturais e sobretudo as escolas e universidades é potencialmente um Locus de resistência.

As ocupações estudantis em 2016 contra a PEC 55, a proliferação de comitês de luta contra o golpe no último período  , bem como de mobilizações que já começam a pipocar contra a destruição da universidade pública ( cortes de verbas e ameaça de privatizações) são evidências do medo da classe dominante em relação ao pensamento crítico, mas sobretudo da mobilização da comunidade universitária.

O representante do PSTU defendeu que o Andes não deve lutar contra o judiciário golpista, pelo contrário, afirmou que é tarefa do sindicato entrar no Ministério Público contra os “ reitores corruptos”. Na base desse argumento, a concepção udenista coxinha de que a coisa mais importante do mundo é a “ luta contra a corrupção”. Entretanto, o PSTU Lava Jato não ficou apenas nas elucubrações, posicionando-se concretamente com a direita raivosa e contra os reitores perseguidos nos casos da UFMG e da UFSC.

Sendo mais realista do o rei, o militante do PSTU afirmou que existem provas e são casos concretos de “corrupção”. Inclusive fazendo uma frente única com a direita no episódio da condução coercitiva do reitor da UFMG, e mais que isso, atacou publicamente a memória do reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier.  Evidentemente que essas colocações provocaram profundas indignações dos docentes presentes no plenário do 37 Congresso do Andes e o silencio comprometedor dos parceiros do PSTU na diretoria do Andes.

A tese apresentada era que reitor não era mais docente, por isso não podia , mas ser defendido pelo sindicato. Usando ainda de uma maneira visivelmente distorcida, a noção de autonomia do sindicato, o PSTU argumentou que como o sindicato era “ autônomo” e “ independente”  não se podia defender reitor, mesmo quando atacada pela direita. Nesta visão estreita da luta democrática, o PSTU afirmou que uma coisa seria defender Paulo Rizzo ( ex-presidente do Andes) e outros docentes perseguidos pela reitoria na própria UFSC, outra coisa seria defender um reitor “ notoriamente corrupto”.

A ditadura militar de 1964, realizou uma serie de expurgos nas universidades, não foram somente os docentes e estudantes que foram perseguidos, uma parcela dos reitores afinadas com o governo deposto, e alguns casos reitores até mesmo conservadores, foram exonerados e depostos pelos militares. Se  fossemos seguir os conselhos dos morenistas, quando os reitores fossem perseguidos e depostos não deveríamos protestar, pois reitor não era mais docente.

Como se vê, em praticamente todas as questões a política do PSTU e do esquerdismo tem o significado contrário do que parecem indicar. Assim, parece muito radical não defender reitor, em especial se tiver alguma denuncia de corrupção, mas no fundo é uma politica de capitulação diante da direita. Neste sentido, encontramos um padrão importante na politica da esquerda pequeno burguesa: Sinaliza para a esquerda, mas sempre vira a direita.

Essa discussão no congresso serviu para ilustrar como objetivamente o PSTU e sua “ central”  estão totalmente alinhados com a direita mais reacionária, que no caso concreto da perseguição aos reitores, os morenistas ficaram não simplesmente contra os reitores, mas contra a autonomia universitária, pois independentemente da posição ou postura do reitor em relação ao movimento docente, ele é atacado pela direita por representar a comunidade universitária.

Uma outra questão que decorre disso, que serviu para mostrar o contrassenso da política de que é “ reitor é meu inimigo” e o Andes não deve em hipótese alguma defender, é o caso dos reitores progressistas. Um docente da UFRJ, mencionou o caso concreto da própria UFRJ, que tem  como o reitor, Roberto Leher, ex-presidente do Andes. Pela “logica” tacanha do PSTU, quando Roberto Leher, foi processado e perseguido pela justiça burguesa, o Andes não deveria tomar posição.

Não podemos nos enganar com esse moralismo fajuto do PSTU e a agressividade delirante das intervenções  dos seus militantes no plenário do 37 congresso do Andes. O que motiva essa politica ultraesquerdista de ficar em cima do muro ou ficar do lado da direita na perseguição aos reitores e a Lula não é  como se apresenta a defesa da “ autonomia”  em relação a “partidos, governos e reitoria ”ou ainda que o “ PSTU não apoia nenhum corrupto”, mas é simplesmente o medo de enfrentar a direita reacionária. Por isso, não fazem nada ou em alguns casos chegam mesmo a ajudar atacar os reitores perseguidos.

Interessante notar, que o PSTU deveria ter criticado a diretoria do Andes por ter lançado notas sobre a UFMG e UFSC. Isso  serve para entendermos como o nosso sindicato é pressionado pelo sectarismo da CSP. Em todas as ocasiões, a marca da posição da diretoria do Andes não foi a defesa da autonomia universitária, mas a vacilação política. As notas eram publicadas como muito atraso e depois de muita pressão. O que revela, que a diretoria do Andes lançou notas a contragosto, mas dequalquer forma aponta o quanto a filiação ao CSP é completamente nefasta para o Andes.

Na medida em que a “ luta contra a corrupção” e o antipetismo predomina na política do PSTU, uma análise real da conjuntura e de seus desdobramentos  é comprometida. Podemos afirmar que o PSTU como um grupelho da esquerda pequeno burguesa evolui através do sectarismo para posições nitidamente reacionárias. Como já demostramos a política de “prender Todos” ou “todos na cadeia” é uma política de extrema direita, ao gosto da classe média.

Rascunho automático 67

Neste sentido, quando em diversas oportunidades no plenário do congresso do Andes, mencionei que o PSTU e a CSP eram entidades coxinhas, não era um rompante retórico, mas uma caracterização política. O caso de “ reitor bom é reitor preso” e fazer aliança com a direita que ataca a autonomia universitária são evidências do caráter dessa política.

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