Primeiro-ministro de papelão da Tailândia é mais autêntico que nossos golpistas de carne e osso

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O ditador da Tailândia, general Prayuth Chan-ocha, protagonizou uma cena pitoresca na última terça-feira (9). Uma entrevista coletiva para a imprensa estava marcada para acontecer em frente à Casa de Governo, na capital tailandesa, Bangkok. O primeiro-ministro golpista apareceu, mas apresentou um substituto para responder às perguntas: um boneco de papelão em tamanho natural. “Vocês podem fazer suas perguntas a esse cara aqui”, disse o usurpador, e deixou o local para voltar ao palácio que sedia o governo.

O boneco permaneceu calado, mas acabou respondendo melhor do que o general poderia. Prayuth Chan-ocha estava evitando responder perguntas sobre as leis de “lesa-majestade” cada vez mais duras contra quem “ofenda” a família real tailandesa e sobre as eleições, agora marcadas para novembro depois de terem sido adiadas. O militar está no poder desde 2014, quando um golpe derrubou a presidenta eleita, Yingluck Shinawatra, irmã de Taksim Shinawatra, também derrubado por um golpe, em 2006.

A resposta do boneco de papelão é eloquente. O tirano não se importa com a opinião de ninguém, governa o país de forma autoritária e não acredita dever nenhuma satisfação à população para exercer o poder. Antes dessa semana, Prayuth já tinha jogado uma casca de banana em um operador de câmera e ameaçado matar a família de um jornalista. Cenas que lembram uma entrevista com o general Newton Cruz durante a ditadura militar no Brasil, em que o general ofende, agride e obriga um jornalista a pedir desculpas por fazer perguntas. Entrevista que começa com Newton Cruz negando que havia “retrocesso na democracia”.

Prayuth Chan-ocha, Newton Cruz e bonecos de papelão: os três dão no fundo a mesma mensagem truculenta. Mas o boneco tem a vantagem de ser menos prolixo, e o conteúdo de seu discurso não arrisca comprometer a compreensão do que diz. Enquanto os militares golpistas insistem em dizer que seus governos, aqui ou na Tailândia, e em qualquer outro lugar, são democráticos, o pedaço de papelão reitera o grotesco desse regimes autocráticos sem procurar enganar ninguém a respeito da natureza tirânica do governo.

As vantagens de um papelão com uma foto quando comparado a golpistas não param por aí. A história do golpe na Tailândia é parecida com a história do golpe no Brasil. Os governos dos irmãos Shinawatra são reconhecidos como os primeiros que fizeram qualquer coisa pelos pobres, especialmente com políticas sociais para os trabalhadores do campo. Eram governos nacionalistas burgueses, como os do PT por aqui. E acabaram tendo o mesmo destino. A presidenta eleita no Brasil e a primeira-ministra eleita na Tailândia, ambas foram derrubadas em uma onda de golpes nos países atrasados no mundo inteiro em proveito do imperialismo.

Em todo o mundo, o imperialismo busca aprofundar seu controle sobre os países atrasados para roubar recursos naturais, o patrimônio público e, principalmente, o couro dos trabalhadores. O objetivo é fazer os trabalhadores pagarem pela crise do capitalismo, que se aprofundou e entrou em uma nova etapa a partir de 2008.

A peripécia do soberano siamês lembra também outra figura de papelão representando um político em uma dimensão: Aécio Neves. Possivelmente com fraude eleitoral, além de muita campanha no conjunto da imprensa burguesa, a direita quase conseguiu dar o golpe por meio das urnas em 2014, mesmo ano do golpe na Tailândia. Mas apesar de todas as manobras, o imperialismo não conseguiu colocar o candidato dos coxinhas na presidência.

Durante a campanha eleitoral daquele ano, o PSDB colocou figuras de papelão do político mineiro para que os eleitores pudessem tirar fotos “com Aécio”, no evento de lançamento da candidatura. Esse foi mais um caso em que a reprodução foi mais veraz do que o original. O boneco mostrava o verdadeiro movimento próprio que Aécio, lacaio do imperialismo, teria à frente do governo. E ainda mostrava, contrariando toda a demagogia dos políticos burgueses, que do povo eles preferem, na verdade, distância. Nas palavras de nosso último ditador militar, João Figueiredo: “o cheirinho do cavalo é melhor do que o cheiro do povo”. A impressão era recíproca, o povo logo se livraria da ditadura militar.

Tudo isso serve de sugestão para Michel Temer, o golpista que roubou a presidência de Dilma Rousseff, presidenta derrubada por um processo fraudulento e comprado de impeachment. Um Temer de papelão vendendo o pré-sal e o sangue dos trabalhadores brasileiros para os gringos seria mais genuíno do que o corpo aparentemente de carne e osso que se mexe e fala na televisão. O governo da direita e dos golpistas é o governo dos interesses do imperialismo. Os autômatos que falam em seu nome são meros fantoches. O governo é de papelão, um presidente de papelão estaria mais conforme à sua substância.

Para voltarmos a ter um governo de gente, não de bonecos sinistros, o único jeito é derrotar o golpe de Estado da direita que recaiu sobre o país contra todos os trabalhadores. A próxima etapa fundamental da luta contra o golpe é o protesto contra a condenação arbitrária do ex-presidente Lula que a direita está planejando. Por isso dia 24 é dia de ocupar Porto Alegre, contra a condenação de Lula. Todos devem ir a Porto Alegre, e levar mais gente junto, para uma grande manifestação contra a direita golpista.

 

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