Por onde anda o filme da Lava Jato?

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Em 2017, um dos filmes mais comentados do ano, de maneira induzida, claro, devido ao forte investimento em propaganda, foi o filme brasileiro “Polícia Federal –  A Lei é Para Todos”.

Há pouco mais de 3 meses o filme estreou nos cinemas brasileiros em mais de 730 salas de cinema. Ao final do ano chegou a uma bilheteria bem modesta para a empreitada, de 1,381 milhões de ingressos vendidos. Bilheteria que coloca o filme atrás de outras 150 produções brasileiras que tiveram bilheteria superior a esta. 

Mas gostaria aqui de falar do filme em si. Primeiro é uma produção que custou R$ 16 milhões, vindos de financiadores anônimos. E que de maneira descarada apresenta uma propaganda abertamente golpista e de perseguição política ao PT e em especial à figura do ex-presidente Lula.

Diretor, atores e imprensa tentaram dizer, em vão, que o filme é isento, tenta apresentar os dois lados etc. Na verdade, o filme tem um lado bem definido, o da Polícia Federal, o da Lava Jato, o lado dos golpistas. Primeiro porque os personagens principais, os policiais, investigadores, são apresentados como paladinos da justiça movidos única e exclusivamente pela busca incansável pelo bem do país. Ou seja, não possuem motivações externas, dúvidas, ou mesmo desprezo pelo tema. São obstinados como se fossem o servidor modelo. Em se tratando de Brasil e em especial, de polícia brasileira que é mundialmente conhecida como a mais corrupta, mais assassina e mais sem interesse algum pelo povo e pelo País, o filme parece estar num sonho cor de rosa ou numa realidade paralela.

Outro fator em que o filme força a mão é tentar não ser o que de maneira explícita ele é. Um filme propaganda. A todo momento o filme faz uma autoafirmação. Basta ver o título do longa. Mostra personagens supostamente questionando os fatos e dizendo, “estamos investigando todos”.

Outras frases que demonstram essa tentativa forçada de imparicialidade é:  “Fizemos a coisa certa; agimos até com cautela”, “A gente está ajudando quem? O Brasil”, “Só seguimos os fatos!”

De um lado apresenta alguns personagens afirmando a “isenção ideológica” ao mesmo tempo em que trata personagens e fatos envolvendo o PT de maneira diretamente golpista.

As investigações policiais não são questionadas, são apresentadas como verdade absoluta. Os atores e a produção querem ser isentos mas apresentam Lula, o personagem principal do filme, como um ser arrogante, sem nenhum tipo de carisma e empatia. Algo que para qualquer um que conhece o ex-presidente soa extremamente falso e tendencioso. É quase que uma representação infantil de um inimigo político. Lula é mau, então tem que aparecer como uma pessoa chata, sem brilho, arrogante, raivosa. Isso sem falar que o ator escalado para interpretá-lo é antilulista assumido.

Do outro lado temos Sérgio Moro, interpretado pelo também “coxinha” Marcelo Serrado. Moro aparece sempre calmo, sereno, cozinhando para a família (!) e fazendo piada sem graça para o filho adolescente. De um lado temos os destemidos policiais e o juiz, sempre cautelosos e em ambientes familiares, com problemas pessoais dramáticos. De outro temos os “corruptos”, mostrados de maneira hostil, sem nenhum carisma.

Já do ponto de vista técnico fica a pergunta, onde foram gastos os R$ 16 milhões do orçamento? O filme, em termos de roteiro, parece um trabalho ginasial, didático ao extremo apresentando as informações da investigação para uma plateia de QI abaixo da média. Parece feito sob medida para uma plateia “coxinha”, aquela que não discute, que acredita que o PT está instaurando uma ditadura comunista no Brasil e que a luta contra a corrupção vai salvar o Brasil. É enfadonho, não empolga nem para um público de cinema que independentemente de ideologia aprecia um bom cinema.

Do ponto de vista de recursos cinematográficos, planos, fotografia e montagem o filme é muito convencional. As atuações são de telenovela, a maioria de atores globais que se sujeitaram ao papelão, talvez aí esteja a resposta do orçamento milionário, os cachês devem ter sido muito altos.

O filme já saiu de cartaz e por pouco não perdeu o posto de melhor bilheteria nacional para uma comédia chamada “Os Parças”, que estreou no começo de dezembro e em 3 semanas atingiu um milhões de ingressos com menos da metade das salas de “Polícia Federal”.

Prometem a segunda parte, mas Marcelo Serrado já pulou fora do barco e declarou que não vai participar das sequências. É esperar pra ver.

Rascunho automático 67

Para quem tiver disposição vale a pena assistir, baixando da internet, para comprovar por conta própria o que o filme é, dispensável.

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