Ex-ministro da Venezuela pede intervenção militar internacional contra Maduro

Compartilhar:
Ex-ministro da Venezuela pede intervenção militar internacional contra Maduro

Ricardo Haussmann é ex-ministro do Planejamento da Venezuela, de 1992 a 1993, quando o país estava sob o controle direto dos neoliberais; ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento e diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard. Portanto, pode-se dizer sem dúvidas que se trata de um agente político do imperialismo norte-americano na Venezuela.

Recentemente, no dia 3 de janeiro, apareceu um artigo seu na Folha de S. Paulo em que exige abertamente uma intervenção militar de forças estrangeiras – isto é, imperialistas – no país. Segundo ele, seria uma necessidade diante “da crise venezuelana” que “se move impiedosamente do catastrófico para o inimaginável”, e continua: “O nível de pobreza, sofrimento humano e destruição chegou a um ponto em que a comunidade internacional deve repensar como pode ajudar.”

O ex-ministro demonstra seu cinismo quando apela para o imperialismo, que é o principal responsável pela fome, a miséria e a baixa do padrão de vida da população mundial, resolver os supostos problemas enfrentados pela Venezuela, ocultando dos leitores que em grande medida os problemas vivenciados pela Venezuela, que por ele são aumentados, são oriundos da própria sabotagem política e econômica da burguesia nacional junto com o imperialismo, que promove boicote dos recursos, planejam lockouts (greves patronais) e estimulam grupo para-militares terroristas para atacar a população – que apóia consideravelmente o chavismo.

O cachorro do imperialismo ainda aproveita a ofensiva contra o chavismo para fazer propaganda anti-soviética, igualando Maduro a Stálin, chamando-os de anti-democráticos e denunciando a fome na Ucrânia, o chamado “Holodomor”, 32-33, em que ele também oculta o boicote de alimentos dos camponeses ricos, Kulaks, para gerar um clima de crise e enfraquecer o stalinismo.

Haussmann revela sua política de inimigo do povo venezuelano quando apela que as intervenções estrangeiras, dos EUA sobretudo, ainda são muito fracas – isto é, defende que as sanções dos norte-americanos contra a venezuelana, que prejudicam altamente o povo, ainda são muito débeis para derrotar o regime. “As sanções dos EUA estão prejudicando muitos dos mafiosos que governam a Venezuela. Mas, medidas nas dezenas de milhares de mortes evitáveis que ocorrerão e nos milhões de refugiados venezuelanos a mais que criarão até gerar o efeito desejado, elas são, na melhor das hipóteses, lentas demais. Na pior, não funcionarão. Afinal, tais sanções não levaram à mudança de regime na Rússia, na Coreia do Norte ou no Irã.”

E, assim, defende que os ataques do imperialismo norte-americano devem se intensificar com a intervenção militar do país latino-americano. “Isso nos deixa com uma intervenção militar internacional, uma solução que assusta a maioria dos governos latino-americanos por causa do histórico de atos agressivos contra seus interesses soberanos, especialmente no México e na América Central.”

E aí, procura justificar relacionando eventos que têm caráter político diferentes, em uma clara tentativa de manipulação. Continuando o parágrafo acima citado, “mas essas talvez sejam as analogias históricas erradas. Afinal, Simón Bolívar ganhou o título de libertador da Venezuela graças à invasão em 1814 organizada e financiada pela vizinha Nova Granada (atual Colômbia). França, Bélgica e Holanda não conseguiram se libertar do regime opressivo entre 1940 e 1944 sem a ação militar internacional.”

No caso de Simon Bolívar, a aliança com a Colômbia representava justamente a união dos povos latino-americanos para conquistar sua soberania e derrotar o imperialismo, naquela época Espanhol. Então, é contraditório apoiar a intervenção imperialista usando o exemplo da união do nacionalismo latino-americano para derrotar o mesmo. Se o demagogo da direita realmente apoiasse Bolívar, apoiaria a união de todo os setores do nacionalismo-burguês com o governo de Nicolás Maduro para derrotar a tentativa de golpe dos norte-americanos. O que, como vimos com os golpes de estado na AL, obviamente ele não apoia.

No caso da Segunda Guerra mundial, trata-se apenas de falsificação histórica. O que libertou a Europa do regime opressivo (nazi-fascismo) não foi a intervenção dos EUA, como ele procura apresentar, e sim a luta da classe trabalhadora desses países, permitida pela crise instaurada entre o “imperialismo democrático” (EUA, Inglaterra, etc.) e fascismo (imperialismo Alemão, Italiano e Japonês), que iniciou a segunda guerra mundial. Se depois a revolução dos trabalhadores foi traída e a ala principal do imperialismo conseguiu controlar politicamente os países, aí é outra história. Mas de fato, a intervenção americana teve caráter libertador. Foi sim produto de uma guerra de interesses entre o imperialismo americano (e seus capachos) e o imperialismo alemão (e seus capachos).

O ex-ministro propõe que haja “a uma coalizão de países dispostos [a invadir a Venezuela], incluindo latino-americanos [onde o imperialismo efetivou diversos golpes para controlar o regime político], norte-americanos e europeus”, isto é, que haja uma coalizão entre o imperialismo e os países subalternos para invadir a Venezuela contra a vontade da população venezuelana que apoia o governo de Maduro e vêm reagindo, armando-se em milícias populares e ocupando fábricas, às tentativas golpistas no país.

Rascunho automático 67

Com isso, a burguesia golpista revelou seu plano para a Venezuela; invadir o país e controlar o regime político. Assim como fizeram no Iraque, o pretexto é a defesa da “democracia” (algo cínico vindo da parte do único país que usou uma bomba atômica contra a população humana e vem devastando diversos países), entretanto, os interesses reais são a conquista do petróleo e o aprofundamento dos golpes de Estado na América Latina. Por isso, a esquerda e os trabalhadores precisam prestar solidariedade ao povo venezuelano e dizer não ao imperialismo na Venezuela, abaixo o golpe e a intervenção militar!

artigo Anterior

Servidores de Campinas realizam manifestação contra o calote do prefeito

Próximo artigo

Frase inolvidável

Leia mais

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: