Militares anunciam: Forças Armadas estão prontas para intervir nas cidades

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Militares anunciam: Forças Armadas estão prontas para intervir nas cidades

Após as várias operações ocorridas em grandes centros urbanos de todo o Brasil, uma nova publicação dos militares registra a existência e o conteúdo dos treinamentos que vêm sendo ministrados nos meios militares em todo o País com vistas a “aplicar as técnicas, táticas e procedimentos próprios das operações militares em ambiente urbano; além de discutir e desenvolver a doutrina correlata, buscando aperfeiçoar a interoperabilidade entre as Forças Singulares.

Cumpre ressaltar que a publicação não é um evento isolado ou fortuito no meio militar. Nesse sentido, é importante recordar que, recentemente, os militares já haviam divulgado a chamada “Concepção Estratégica do Exército Brasileiro – Outubro 2017” segundo a qual o Exército Brasileiro estaria colocando suas tropas em estado de “prontidão permanente“, mesmo diante da ausência de qualquer ameaça de agressão bélica interna ou externa.

Esta chamada “Concepção Estratégica”, inexplicavelmente, é uma verdadeira cartilha de guerra em tempos de paz, que busca justificar uma possível e rápida mudança da “transição da Estrutura Militar de Paz para a Estrutura Militar de Defesa” com base em um conceito vago, aberto e indefinido de “crise” – conceito esse que, pela própria indefinição, se torna uma verdadeira “carta branca” para uma intervenção militar.

Ressalte-se que, paralelamente às publicações estão as recentes declarações de elementos de cúpula das Forças Armadas de que, também em um cenário indefinido de “crise“, as Forças Armadas podem intervir, mesmo sem pedido de qualquer dos três Poderes da República – o que, certamente, afrontará a disciplina contida na própria Constituição burguesa de 1988 (art. 142) e na legislação infraconstitucional, especialmente na Lei de Segurança Nacional.

A publicação também é contemporânea ao aumento de operações do Exército, a maioria das quais ocorre em grandes centros urbanos, especialmente após o golpe de 2016. De fato, várias operações militares de grande porte – e de altíssimo custo – vêm ocorrendo nas grandes cidades de todo o País, como foram os casos do Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e no Vale do Paraíba (sendo que, nesta última localidade, foram reunidos mais de 4 mil efetivos militares).

Embora realizado na selva amazônica, outro exercício militar de alto custo foi o AmazonLog17, na qual o Exército franqueou a entrada de forças armadas estrangeiras, sobretudo dos EUA, em áreas estratégicas do Território Nacional, em prejuízo da soberania e dos interesses brasileiros.

Diante de tantas operações, é possível constatar que o mesmo o Estado burguês que diz não ter dinheiro para pagar os salários atrasados de policiais, professores e servidores públicos, é o mesmo que faz rapidamente aparecer a verba quando se trata de pagar o Exército em operações caríssimas e extremamente violentas contra a população civil.

O exemplo mais recente dessa violência extrema de operações do Exército em grandes centros urbanos foram as mortes do funcionário de uma peixaria, de um estudante e de dois motoristas do aplicativo Uber ocorridas na Favela do Salgueiro, em São Gonçalo/RJ. Os militares (que foram apontados como culpados por 15 policiais civis e por vários moradores), todavia, não responderão à Polícia Civil ou ao Tribunal do Juri. Graças ao governo de Michel Temer, eles responderão apenas perante a Justiça Militar pelas mortes dos civis.

Mesmo fazendo vítimas inocentes entre a população civil, essa tendência de aumento das operações das Forças Armadas em grandes centros urbanos está longe de acabar. Ao contrário, essa tendência se confirma pelos já citados treinamentos que estão sendo realizados em todo o Brasil. A título de exemplo, entre os dias 10 e 15 deste mês, o 28º Batalhão de Infantaria Leve promoveu o Estágio Setorial Conjunto Específico de Operações Militares em Ambiente Urbano.

Os militares afirmam que esses treinamentos os capacitam para atuar e operar de forma integrada nesses ambientes. Segundo a publicação, os treinamentos se justificariam em razão do aumento da população urbana mundial:”(…) por volta de 2025, cerca de 85% da população mundial residirá em cidades, isto é preocupante pois o combate urbano é o tipo de ofensiva militar mais difícil que existe, porque as tropas defensivas contam com vantagens capazes de neutralizar a força e a tecnologia superiores dos invasores.”

Finalmente, é importante ressaltar que, ao considerarmos todas essas publicações, declarações e manobras militares em seu conjunto, o cenário se revela bastante preocupante para todos aqueles que defendem os ideais de democracia e do estabelecimento de um Estado de Direito – um Estado que se comprometesse verdadeiramente a cumprir suas próprias leis e no qual o trabalhador possa, através do voto, escolher seus governantes. Ideal e voto que seriam brutalmente ceifados caso venha a se instalar um golpe militar.

É preciso compreender que não há qualquer outra justificativa para aumentar os gastos militares, colocar tropas em estado permanente de prontidão e realizar operações militares em tempos de paz, sem que exista qualquer ameaça bélica interna ou externa. Sobretudo neste momento de crise econômica – que já compromete a própria estrutura do capitalismo neoliberal mundial.

A classe trabalhadora deve estar consciente de que os setores golpistas entre os militares estão se preparando para intervir. E isso não é uma suposição ou uma fantasia, como pensa grande parte da esquerda brasileira. Até porque isso foi dito abertamente pelo próprio General Hamilton Mourão e confirmado por vários outros generais.

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Por todas essas razões, a classe trabalhadora deve se mobilizar em protesto contra essas crescentes manobras militares, que estão fazendo vítimas entre pessoas inocentes da população civil. Deve sair às ruas, mobilizando-se contra o golpe, seja ele civil, parlamentar ou militar e contra a retirada de seus direitos.

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