Lutar contra prisão de Lula e lutar contra repressão ao negro

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Está marcado para o dia 24 de janeiro a data do julgamento de Lula pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Parte da esquerda, liderada pelo PSTU, defende que Lula deve ser investigado e preso e que os trabalhadores não devem defender o ex-presidente da perseguição penal.

Uma boa parcela do movimento negro também tem essa postura. Se o negro e o pobre estão sofrendo das arbitrariedades do sistema penal (como Rafael Braga), o mesmo deve ocorrer com demais elementos das mais variadas classes sociais.

Por esse raciocínio, se a PM mata na periferia ela, a PM, deveria matar, também, nos bairros ricos. É uma forma de pensar que leva ao fortalecimento absoluto das forças de repressão do Estado. Em último caso, uma forma conservadora de pensar, reacionária.

Pelo contrário, prisão de pessoas, sem qualquer prova, que representam um estrato superior da sociedade só revela que para o negro e o pobre o sistema será (ou já está sendo) ainda mais brutal. Também por isso a defesa de Lula no dia 24.

É, também, uma questão de princípio. Não defendemos em hipótese alguma as arbitrariedades do estado capitalista. E isso independe de quem o Estado está perseguindo; trata-se de uma posição democrática diante do Estado.

Por outro lado tem o caráter político de sua perseguição. O processo e a prisão de Lula, se for de fato confirmada, representará um dos maiores ataques à organização política dos trabalhadores, no caso, o próprio Partido dos Trabalhadores.

Com esse ataque, é possível imaginar o ataque geral às demais organizações do povo, aos partidos da esquerda, às associações de bairro, sindicatos, etc. Esses serão os próximos passos dos golpistas, certamente.

Rascunho automático 67

Esse segundo motivo é de importância fundamental e mal compreendido pela esquerda, que só se preocupa “com os seus”. Quer dizer, a perseguição do sistema penal não pode valer contra Rafael Braga, por exemplo, mas contra Lula, pode. O que torna a defesa de Braga uma demagogia e um exercício de cinismo atroz.

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