Aqui não é Argentina

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Os argentinos saíram às ruas para impedir a reforma da Previdência argentina. É um processo semelhante ao que ocorre aqui no Brasil. Lá o golpe se deu dentro das eleições, com o candidato imperialista Maurício Macri “vencendo” a disputa. Isto no entanto, não deixou de ser um golpe de Estado, e a truculência contra os manifestantes comprova esse fato.

O parlamento golpista argentino aprovou a reforma depois de reprimir o povo nas ruas, que protesta desde o dia 14, sendo reprimidos pela polícia. A reforma irá atacar 17 milhões de aposentados, pobres e deficientes, além de atacar uma população de 42 milhões.

Na Argentina falta uma política que denuncie o golpe de Estado de conjunto, uma política que vise retirar da presidência Mauricio Macri, lacaio dos interesses imperialistas na região. É a política que o PCO defende no Brasil, de luta contra o golpe de Estado, que tem atacado não só a Previdência como o restante dos direitos sociais e democráticos do povo.

Nesse sentido, a luta brasileira contra o golpe de Estado ganha a maior importância, pois seus efeitos se alastram por toda a região. Ou seja, para ajudar os argentinos é preciso derrotar o golpe de Estado brasileiro. Para derrotar o golpismo na América Latina é preciso intensificar a luta contra o golpe no Brasil.

Outro detalhe interessante é que a esquerda brasileira saiu em defesa dos argentinos de uma maneira confusa, dizendo que eles lutam mais que os brasileiros, e que nós, que estamos nas ruas desde 2013 contra o golpe de Estado, devíamos aprender com os argentinos. É uma posição tradicional da esquerda pequeno burguesa brasileira, que não luta contra o golpe, nem no Brasil, menos ainda na Argentina, e ainda quer dividir a luta contra o golpismo sul-americano com esse tipo de colocação.

Outra coisa é que, vendo os vídeos dos protestos na Argentina, é possível até imaginar a reação da PM brasileira: “essa polícia precisa fazer um estágio aqui no Brasil”. A nossa PM é muito mais truculenta e é famosa por mutilar gente nas manifestações. Aqui a “chapa é quente”. A PM leva quase 4.000 pessoas para a cova todo ano. É uma polícia herdeira da escravidão, da ditadura, especializada no extermínio do negro, do pobre e do trabalhador.

No dia 24 de maio deste ano, por exemplo, em Brasília foi convocada uma grande manifestação contra o golpe e suas medidas. Teve gente que levou tiro, não de borracha, mas de chumbo. Outro perdeu parte dos dedos da mão, e centenas de pessoas saíram feridas. Helicópteros, cachorros, carros blindados e fuzis do Exército. O povo enfrentou tudo isso. A polícia bateu em todo mundo, em deputados, sindicalistas, manifestantes etc.

Rascunho automático 67

Mas não está colocado “quem luta mais”, até porque, nesse quesito, o povo brasileiro, especialmente o negro brasileiro, tem uma história gigantesca de luta. O que está em questão é a unidade latino-americana contra o golpismo, a luta em comum contra os abutres imperialistas, que querem acabar com toda América do Sul. Toda solidariedade ao povo argentino na luta, pela unidade da luta contra o golpismo, contra o imperialismo.

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