Nada de novo no “Vamos!”

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Dias atrás foram apresentadas algumas propostas que teriam sido fruto das discussões em torno do movimento chamado “Vamos!”. Segundo os organizadores, teriam sido quatro meses de discussões e as pessoas teriam enviado propostas pela internet e nos debates que teriam sido organizados em algumas cidades.

Essa apresentação é uma tentativa dos organizadores de fazer parecer que o Vamos! é uma iniciativa “horizontal” e que, segundo a linguagem deles, foi “construída de baixo para cima”.

O principal nome à frente da articulação é Guilherme Boulos, o “horizontal” líder do MTST. Em torno dele se encontram também se não a totalidade, quase todas as correntes internas do PSOL e até mesmo correntes da chamada “esquerda do PT”, que mais precisamente são os setores mais propriamente pequeno-burgueses do partido.

Segundo os idealizadores do Vamos, seu principal modelo é o Podemos da Espanha. Um partido pequeno burguês extremamente adaptado ao imperialismo e que vem tomando posições direitistas, como a de ter ficado contra a independência da Catalunha. 

O Vamos! é apresentado como grande novidade, até mesmo pela imprensa burguesa. A mesma coisa aconteceu com o Podemos na Espanha. É a velha tentativa da esquerda pequeno-burguesa de procurar uma alternativa ao partido operário, revolucionário. Substituir a luta por um partido operário por uma fórmula, apresentada como novidade mas que já foi colocada em prática de várias maneiras no história.

É uma característica da esquerda pequeno-burguesa procurar ser “inovadora”. Isso acontece porque diferente da classe operária, que tem que enfrentar diariamente a dura rotina do trabalho, a classe média é uma classe individualista e portanto acha pretensiosamente que pode inventar fórmulas, inovar e ser “criativa”, como se ela fosse o único e mais precioso ser de luz que existisse no mundo. É uma tentativa pretensiosa porque, como nos ensina o marxismo, as pessoas, todas elas, são produto de seu meio social.

Assim acontece também com as organizações políticas. Por mais que se tente ser “inovador”, isso não é possível. Não é possível ignorar a história das coisas, não é possível ignorar a história das lutas de classe.

O real conteúdo dessas fórmulas encontradas pela esquerda pequeno-burguesa é a sua adaptação à campanha da burguesia contra o partido operário e portanto contra a revolução. Ao se adaptar a essa campanha, essa esquerda procura, de maneira acadêmica e completamente distante da realidade, novas fórmulas que possam substituir a ideia que, segundo a burguesia, estaria ultrapassada, a ideia do partido, da revolução e do comunismo.

No caso específico do Vamos! há ainda outra adaptação à campanha da burguesia. É a tentativa de buscar uma meio termo entre a luta contra o golpe e a direita, sem ter que passar pelo PT, já tão atacado pela burguesia. Em outras palavras, os que estão em torno do Vamos! rejeitam a ideia de um partido revolucionário, operário que lute encarniçadamente contra o golpe e ao mesmo tempo não querem o PT, apesar de fundamentalmente ter uma política e um programa semelhante ao partido dos trabalhadores.

Que fique bem claro: o programa e a política são semelhantes, mas o Vamos! não tem a base social do PT, que é o que torna o PT tão indigesto para a burguesia.

Entre as propostas que se encontram na carta apresentada no site do Vamos! há uma série de pontos que em nada se diferenciam do PT. Ali estão as velhas ideias da esquerda pequeno-burguesa como a da “democracia participativa” que o PT defendeu desde seu início. Há ainda a proposta bem direitista do desarmamento da população. E outras tantas ideias já bem velhas da esquerda pequeno-burguesa, mostrando que ali não há nada de novo, a não ser a aparência, quando muito.

E como não poderia deixar de ser, na lista de propostas se encontra a adaptação à campanha direitista contra a corrupção.

Essas fórmulas apresentadas como novas são como uma máquina de fax fabricada em 2017 e apresentada como grande novidade. Por mais que pareça moderna não será nada mais do que uma máquina de fax, com funções há muito ultrapassadas por outras tecnologias.

A diferença no caso da política é que a classe operária precisa formar um partido que lute pela tomada do poder. Um instrumento que seja eficiente em sua luta. A classe operária não precisa “inovar”, ela precisa efetivamente chegar ao resultado, à revolução, à tomada do poder e ao socialismo. Marx, Engels, Lênin, Trótski e outros marxistas já nos ensinaram como fazer. Eles não só ensinaram, como colocaram em prática um instrumento, o partido político da classe operária, que é o que há de mais moderno e mais eficiente, provando que é possível a revolução e a tomada do poder.

Rascunho automático 67

As fórmulas mágicas, como sempre acontece, deixemos aos diletantes da esquerda pequeno-burguesa.

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