Villas Bôas e militares podem entrar em acordo com corruptos, mas não com Lula

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Villas Bôas e militares podem entrar em acordo com corruptos, mas não com Lula

As declarações e ameaças de um golpe militar, diretas ou por meio de insinuações como a mais recente “obediência tem limites”, feita pelo ministro do Exército, General Eduardo Villas Bôas, outros colegas de patente e altos oficiais da ativa e da reserva, bem como a conduta desses senhores diante dos últimos acontecimentos, desde o golpe de Estado dado por meio do impeachment comprado da presidenta Dilma Rousseff – que eles apoiaram – deixam evidente que estes estão em guerra contra a maioria da sociedade, em  geral, e contra as organizações e lideranças da esquerda e dos trabalhadores de um modo específico.

Rascunho automático 67

Nos últimos meses, esses pseudo-nacionalistas mantiveram-se calados enquanto os responsáveis diretos pelo golpe destruíam boa parte da economia nacional para favorecer os interesses do grande capital internacional. Silenciaram diante da entrega em maior escala da Amazônia, onde receberam militares americanos para exercícios conjuntos. Nada disseram quando Temer e toda a quadrilha golpista estabeleciam isenções de mais de um trilhão de dólares, em 20 anos, para as petroleiras que estão abocanhando uma enorme fatia do petróleo nacional; se curvaram para a cessão de uma base para os EUA, para as privatizações etc.

Assistiram e ajudaram – reprimindo manifestações na Esplanada – na aprovação de reformas que rasgam as leis de proteção ao trabalhador (CLT) aprovadas ao longo de sete décadas.

Agora estes mesmos senhores “roncam grosso” e ameaçam combater o “caos”, quando o governo Temer enfrenta uma rejeição popular de mais de 95% e tem dificuldades para aprovar a reforma da Previdência e quando os partidos da burguesia em geral, e principalmente os que apoiaram o golpe, mostram-se totalmente debilitados às vésperas de um ano eleitoral.

Suas declarações são uma ameaça aberta a todo o povo explorado e à  sociedade brasileira. O general Villas Bôas, e seu segundo em comando, o general Mourão, e muitos outros, estão deixando claro que estão dispostos a usar a violência contra o povo, por meio da imposição de um regime ditatorial, no qual todas as liberdades e garantias serão suprimidas.

Nem de longe pensam em agir para salvaguardar os direitos que estão sendo suprimidos após o golpe ou defender a soberania nacional, totalmente ultrajada pelos golpistas, capachos do imperialismo norte-americano. As Forças Armadas, suas altas cúpulas, são parte do golpe de Estado. A intervenção do exército é uma saída de força da direita, uma vez que o descontentamento popular com o golpe e suas “reformas” cresce a cada dia mais.

Os militares querem impor, portanto, por meio da violência, da coação, da perseguição aberta, da tortura aos opositores, toda a política de destruição das condições de vida do povo, as quais os golpistas ainda não conseguiram impor completamente pelos meios “convencionais” (Congresso, Judiciário etc).

Está mais do que claro que não haverá acordo destes senhores com a vontade popular, cada vez mais explícita, de se livrar dos golpistas e dar lugar a um novo governo que restitua seus direitos e defenda – em alguma medida – seus interesses.

Diante disso, a única a saída é a mobilização popular. Para tanto, é preciso multiplicar e fortalecer os comitês de luta contra o golpe para organizar a mobilização e a reação dos trabalhadores e da juventude à ofensiva da direita e dos golpistas, seja por meio de um golpe militar, seja por outros mecanismos de violação da vontade popular e para lutar pela derrota do golpe, com a anulação do impeachment.

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