Polícia Federal faz novo ataque aos direitos democráticos na UFMG

Compartilhar:
Polícia Federal promove ataque à UFMG 3

No processo de aprofundamento da ditadura por que passa o País, foi a vez do ataque da Polícia Federal (PF) à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na manhã de quarta-feira (6), foi realizada uma operação fascista na Universidade batizada de “Esperança Equilibrista”, em que foi determinada a condução coercitiva – prisão – de oito pessoas, incluindo o reitor, Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora, Sandra Goulart Almeida.

Foi mobilizado o aparato circense habitual: 11 mandados de busca e apreensão, 84 policiais federais, 15 auditores da Controladoria Geral da União (CGU) e dois do Tribunal de Contas da União (TCU). A desculpa para a repressão teria sido um suposto desvio nas obras de nada menos que o Memorial da Anistia Política do Brasil, em construção pela universidade. Trata-se, evidentemente, de um ataque direto à memória que traz à tona as barbaridades cometidas durante a ditadura militar. É também um ataque direto à autonomia universitária e às instituições que se opõem ao golpe. Iniciado em 2008, o projeto do Memorial está praticamente parado há anos e não recebe alocação de verbas federais desde 2015.

A UFMG foi uma das instituições de ensino mais combativas do país durante as mobilizações contra a emenda constitucional do novo regime fiscal, que cortou verbas de educação e saúde por 15 anos.

O atual reitor tomou posse em 2014. Potencialmente, a ação da PF pode influenciar no processo, que ao fim e ao cabo depende ainda da chancela de ninguém menos que Michel Temer. Não se justifica em absoluto a condução coercitiva de qualquer dirigente da UFMG. A PF sequer notificou previamente os envolvidos. Além disso, um processo administrativo adequado deveria ter precedido a ação judicial.

Operação similar aconteceu em setembro contra o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, vítima de outro espetáculo circense da PF, motivado por denúncia de seu opositor político direitista. Assim como em Belo Horizonte, as denúncias contra Cancellier se referiam a fatos ocorridos em gestões anteriores à sua. O reitor acabou por não resistir à pressão e suicidou-se em 2 de outubro, atirando-se do sétimo andar de um shopping em Florianópolis.

Esta ação da PF na UFMG é parte de um ataque ditatorial e fascista contra as universidades públicas brasileiras, a destruição da memória de outro regime de exceção, um ataque aos intelectuais e lideranças que ousam levantar-se contra o avanço do golpe.

Toda solidariedade da classe trabalhadora a Jaime Arturo Ramírez, Sandra Goulart de Almeida e a todos os coagidos por mais esse ato de arbítrio do regime de exceção que está se instaurando no Brasil.

artigo Anterior

Morre o oitavo morador do Salgueiro ferido à balas em operação do Exército

Próximo artigo

Sem nenhuma condenação no Brasil, Battisti vai usar tornozeleira eletrônica

Leia mais

Deixe uma resposta